Venezuela: Violência simbólica do punho midiático direitista


Do Portal Vermelho


A imprensa privada uma vez mais golpeia com violência, coloca as luvas brancas, esconde uma mão e com a outra aponta e criminaliza. Nesta oportunidade, o verbo enaltecido caiu sobre a juventude revolucionária que esteve, nesta quinta-feira (21), na manifestação de apoio ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, novamente atacado pela direita como parte da sua campanha eleitoral. 


O Nacional, em seu editorial desta sexta-feira (22), publica o seguinte: “Como atuavam os grupos de choque nazistas quando Hitler não havia ainda tomado o poder, assim estão comportando-se os grupos chavistas”.

Apesar do fato de que os que foram ao CNE são jovens estudantes chavistas, a imprensa privada os torna invisíveis e os fustiga qualificando-os como “gangues”, “oficialistas”, “agressores fascistas”, “capangas”, “bandos” e “afetos ao oficialismo”.

Ao referir-se aos grupos da direita, que também realizaram uma marcha ao CNE e que abertamente manifestaram que recebem apoio de organizações internacionais de ultra-direita, a imprensa privada coloca a luva branca e apela a substantivos e adjetivos que geram simpatia ao leitor.

Aos integrantes e seguidores dos “Mãos Brancas”, movimento político venezuelano organizado por Canvas, um tipo de resíduo privatizado do ultradireitista OTPOR, o grupo da Sérvia sustentado pelo Departamento de Estado e suas agencias, como USAID, NED, entre outros, que conseguiu tirar Slobodan Milosevic do poder da Iugoslávia em 2000, a imprensa os chama de "estudantes democráticos", "dirigentes do movimento estudantil", "jovens", "universitários".

Os sociólogos franceses Pierre Bourdieu e Jean Claude-Passeron, em sua obra Fundamentos de uma teoria sobre a violência simbólica, explicam que esta é exercida com "todo poder que logra impor significados e impô-los como legítimos, dissimulando as relações de força em que se funda a própria força..." e que se exerce sem coação física, através de distintas áeras simbólicas.

A violência simbólica já foi um recurso utilizado pela hegemonia midiática em defesa dos seus interesses para desestabilizar e preparar o ambiente para o golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez, em 11 de abril de 2002.

Nesta ocasião eram as "hordas chavistas", os "círculos do terror", em referencia aos Círculos Bolivarianos, as "turbas violentas", e os "afetos ao oficialismo" os violentos.

Em contrapartida, os opositores eram qualificados como membros de una "sociedade civil", que buscavam uma saída inconstitucional de Chávez, e faziam-no em nome da "democracia" e da "liberdade".

Outra vez o CNE
Já nas megaeleições de 30 de julho de 2000, a estratégia de questionar o juiz eleitoral dava seus primeiros passos. Os meios impressos buscavam desacreditar o CNE e provocar a suspeita de fraude e catalogar como negativa a gestão do governo.

Através dos diferentes processos eleitorais que se levaram a cabo no país o argumento tem sido o mesmo, e nesta ocasião, a menos de um mês para as eleições de 14 de abril, os grupos de opositores organizaram uma marcha para ir até o CNE e pedir, entre outras cosas, que se eliminem as recolhas de impressões digitais e as estações de informação ao eleitor.

Esta petição relaciona-se com o desejo de ter um sistema eleitoral menos “auditável” e transparente para, desta forma, poder expressar à opinião pública que se cometeu fraude sob o argumento da suposta debilidade do juiz eleitoral.

Com esta petição, a direita desconhece uma vez mais a credibilidade do CNE, cujo sistema eleitoral tem sido auditado regularmente por organismos nacionais e internacionais, e foi sido classificado por especialistas na matéria, como o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, como “um dos melhores do mundo” devido a sua transparência, confiabilidade, rapidez e possibilidade de auditoria.

Violência de quem?

O jornalista e escritor Earle Herrera, em sua coluna do diário Ciudad Ccs faz referência aos fatos da violência provocados pelos "mãozinhas brancas" que "em 2007 incendiaram palmeiras e a saia de Waraira Repano".

Há um mês, no passado 20 de fevereiro, um dos membros da organização de ultra-dereita Javu, arrancou um marca-passo de um senhor que qualificou de “pouco democrático” o protesto que mantiveram durante quatro dias à frente da Embaixada de Cuba, em Caracas.

A agressão mais recente desses grupos de choque foi o dano causado aos bens patrimoniais da cidade, em espaços resgatados e devolvidos ao povo, como a Plaza O'Leary e a Diego Ibarra, onde mancharam com pintura suas fontes.

Bourdie refere-se ao "monopólio da difamação legítima" que exercem os meios de comunicação. Nos diferentes processos eleitorais venezuelanos este mecanismo afinou suas estratégias e impôs com a sua força simbólica a defesa dos interesses com o punho da direita.

Fonte: Agência Venezuelana de Notícias
Tradução da Redação do Vermelho 

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=7&id_noticia=209205

Comentários

  1. A violência simbólica já foi um recurso utilizado pela hegemonia midiática em defesa dos seus interesses para desestabilizar e preparar o ambiente para o golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez, em 11 de abril de 2002.

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