sexta-feira, 20 de abril de 2018

Manuela recebe apoio de Wagner Moura em ato da sua pré-candidatura

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O ator e diretor Wagner Moura, que mora no Rio de Janeiro, enviou uma mensagem de vídeo para a pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila, na ocasião de lançamento de seu manifesto que ocorreu na última segunda-feira (16), em São Paulo. O ator declarou que tem muita admiração pela pré-candidata do PCdoB e afirmou que “ficaria muito feliz em viver num país governado por ela”.

Wagner Moura é um dos protagonistas do atual cinema brasileiro e também é conhecido internacionalmente como um dos grandes talentos do Brasil.
Wagner Moura contou que acompanha a trajetória parlamentar de Manuela, sobretudo quando ela estava em Brasília. “Uma mulher que começou muito cedo na política partidária. Recebeu muito cedo esse chamado. E é muito bonito ver como isso se manifesta nas suas ações, tanto como parlamentar, como tudo que você diz e faz”, frisou.
O ator destacou a atuação da pré-candidata do PCdoB na luta em defesa da liberdade do ex-presidente Lula e da democracia brasileira.
“Eu tenho acompanhado o seu protagonismo na defesa do direito do ex-presidente Lula se candidatar e na oposição ferrenha a perseguição política que o levou à prisão. Isso faz com que você cresça ainda mais aos olhos de quem sempre te admirou. Você é uma pessoa que com o seu carisma, sua inteligência, com o seu brilhantismo, você traz as pessoas, sobretudo as mais jovens, para dentro da política. Num movimento oposto à ordem hoje em dia, que é afastar as pessoas da política, dizer que a política é uma coisa ruim, que os partidos são ruins, que os políticos são ruins; um movimento que a mim, sempre me pareceu, perigosíssimo”, disse.
Wagner Moura realçou a importância da esquerda se reinventar e apresentar novos projetos que ressignifiquem a esquerda no mundo. “Sua figura, mais uma vez, representa isso de uma forma brilhante. Todo o meu apoio a você”.
Para Wagner Moura, foi significativo que o lançamento do manifesto tenha acontecido no Teatro Oficina em São Paulo, espaço de resistência e rebeldia. “Um palco sagrado para os artistas do Brasil. Artistas que têm sido, também, vítimas de todo tipo de ação difamatória, que você sabe muito bem o que é isso. O Palco do Teatro Oficina é um palco sagrado da resistência no Brasil. Que bonito que esse evento aconteça aí. Minha admiração por você, meu carinho. Boa sorte e conte comigo!”
Assista na íntegra:

A moda nazista chega ao Brasil

Modelos loiras, com semblante sisudo, trajando indumentária militar nos moldes da SS de Adolf Hitler. Com os símbolos, com tudo. O cenário é sombrio, pois é noite em Berlim.

Por Mauro Donato, no blog Diário do Centro do Mundo:



Essa é a nova coleção de inverno da grife Lança Perfume. Difícil acreditar? Dê uma conferida nas fotos.



Segundo a apresentação da coleção em seu site, ‘o projeto nasce sob a proposta de um verdadeiro laboratório fashion, refletindo as principais tendências de moda e comportamento (…) a LAB tem o objetivo de promover um olhar experimental (…) Inspirada pelo espírito livre nada padronizado que permeia toda a temporada da label, as peças carregam um mood esportivo e genderless, por meio de modelagens oversized, faixas e letrismo (…) Além do militarismo, outras referências aparecem’.

Bem, se outras referências aparecem, nada chamou mais a atenção do que essa veneração pelo regime genocida que desencadeou a Segunda Guerra Mundial.

Agora a LaModa (dona da marca Lança Perfume) faz contorcionismos para tentar justificar o injustificável diante da repercussão negativa e das pregações de boicote por parte de consumidores. O ‘look book’ e também as fotos da coleção já não estão disponíveis no site.

O DCM tentou ao longo de todo o dia contatar a empresa, bem como Henri Farias, o ‘style manager’ da coleção. Ninguém retornou. Farias, a julgar pelo seu perfil nas redes sociais, está na Alemanha. A LaModa emitiu apenas uma nota oficial de esclarecimento:

“A marca esclarece que a coleção foi criada a partir de subtemas que traduzem o contexto e a história da cidade (Berlim) utilizando elementos selecionados sob profunda e extensa pesquisa. Com a proposta, a marca procurou transmitir uma mensagem plural e elevada sobre a capital alemã e sua história, utilizando para tanto os mais variados elementos como: punk, a androginia, a arquitetura, as baladas eletrônicas pós queda do muro de Berlim, o próprio muro de Berlim, a luta pela liberdade, bem como códigos estéticos militares e imperiais.”

Profunda pesquisa? De marketing é que não foi, certo? Ou o público alvo era exatamente os simpatizantes do Führer? O crescimento da direita virou ‘nicho’?

E mensagem plural? Apologia ao nazismo é crime pela lei brasileira, faz tempo. E nem é necessário haver atos de violência ou incitação direta à violência para que o delito ocorra. O parágrafo 1º do artigo 20 da Lei 7.716/1989 prevê pena de reclusão de dois a cinco anos para quem ‘fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo’.

Veja as fotografias novamente. Reconhece os símbolos? A empresa (e alguns de seus defensores) alega que a Cruz de Ferro foi utilizada pela primeira vez no século 19 pelo Reino da Prússia, como uma condecoração militar. E que a Suástica é um símbolo budista milenar (de fato é, mas invertido).



Mas voltemos às fotos. O leitor consegue ver alguma modelo vestida como um monge? Ou enfiada numa farda da Prússia? Adolf Hitler apropriou-se de símbolos para construir seu partido, portanto cometeu simbologismo. A LaModa quer pular o período?

A temática da coleção está muito evidente e as tentativas de amenizar a questão só agravam ainda mais, tamanho o descaramento. O contexto e a mensagem da coleção estão ali, escancarados.

Atribui-se a Hitler a seguinte frase: “Toda propaganda tem que ser popular e acomodar-se à compreensão do menos inteligente dentre aqueles que se pretende atingir.”

Talvez a LaModa estivesse visando as pessoas que confundem Al Jazeera com Al Qaeda. Talvez seus consumidores sejam assumidamente nazifascistas. Só esqueceu que não estamos mais em 1939 e que nem todo mundo é burro.

Esse é o link do vídeo:

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https://www.facebook.com/lancaperfume/videos/10160251566750223/UzpfSTEwMDAwODE0NjYyNDAyMToyMDc3OTM3Mzg1ODIxMTI5/?q=lp%20lab

POR UM MUNDO COM MAIS INSPIRAÇÃO

FUNDADA EM 1986, A LA MODA COMEÇOU COM UM PEQUENO NEGÓCIO FAMILIAR E, HOJE, É REFERÊNCIA NO SEGMENTO FASHION

Fortalecendo os movimentos criativos de sua equipe de estilo, a Lança Perfume apresenta nesta temporada a inédita LAB Collection. Assim como a coleção conceito, e autoral traduzido em peças que unem a temática da estação com o já reconhecido DNA da label.

A linha nasce na coleção Winter 18 durante a passagem da Lança Perfume por Berlim – cidade inspiração da temporada. O streetstyle que toma conta da capital alemã, sua rica história e a noite berlinense são o ponto de partida da capsule, que chega para enaltecer a diversidade e a incomparável cultura urbana da cidade eu ropeia que nunca dorme.

como destaque: a alfaiataria e a predominância dos tons de verde e vermelho que sintetiza todo o conceito desta temporada, forte e atual. As icônicas noites eletrônicas da urbe dão origem ainda a peças atemporais, como a calça jogging elaborada sob uma estampa revisitada de ondas sonoras.

O resultado surpreende, trazendo para o mercado uma imagem de marca conceitual e, ainda assim, muito real, representado de forma enxuta em séries curtas, acessíveis e com a inconfundível assinatura da LP. A cada coleção será uma nova identidade, uma expressão condensada e marcante assinada por um novo elemento icônico.

http://www.lamoda.com.br/news/lanca-perfume-apresenta-lab-collection/

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Marco Aurélio pede inclusão na pauta do STF de ação do PCdoB sobre 2ª instãncia


Brasília, 19 - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que seja incluída na pauta do plenário da Corte uma ação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que quer barrar a possibilidade de prisão após a condenação em segunda instância.


fonte
https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2018/04/19/interna_politica,952898/marco-aurelio-pede-inclusao-na-pauta-do-stf-de-acao-do-pcdob-sobre-2.shtml

Na prática, o pedido de Marco Aurélio Mello aumenta a pressão sobre a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, responsável por definir a pauta das sessões plenárias do Supremo.

Cármen resiste a pautar outras duas ações - ajuizadas pelo Partido Ecológico Nacional (PEN) e pela OAB - que tratam do mesmo tema. A possibilidade de prisão após condenação em segunda instância é considerada um dos pilares da Operação Lava Jato.

O PCdoB entrou com a ação no Supremo depois que o PEN decidiu recuar da ação, diante da possibilidade de abrir caminho para beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba após ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Atalho

Termina nesta quinta-feira, 19, o prazo de cinco dias determinado pelo ministro Marco Aurélio Mello para suspender a ação do PEN. Os novos advogados que atuam na defesa do partido pediram um tempo para se inteirar do processo. Segundo o presidente nacional da sigla, Adilson Barroso, o partido busca um "atalho jurídico" para atrasar o máximo possível a retomada da discussão.

(Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Síria é a vítima da vez

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Nunca foi tão oportuno a máxima de que “quando não se reage ao arbítrio em algum momento todos nós seremos vítima dele”. Essa assertiva se aplica tanto a violência que se pratica contra a democracia brasileira, quanto a agressão que o império americano executa contra as demais nações, onde a Síria é simplesmente a vítima do momento.

Os “argumentos” para tentar explicar essa escalada de agressões contra a democracia e a soberania das nações são os mais exóticos e grotescos que se possa imaginar. Mas esses “argumentos” pouco importam, porque são meros pretextos.

A motivação real, o que de fato move a atual escalada da barbárie, é o assalto ao patrimônio das nações. É a lógica da pirataria contemporânea, baseada no saque dos recursos naturais estratégicos das nações agredidas, sendo os Estados Unidos o principal agressor, mas não o único.

Assim foi no Brasil quando eles cassaram a presidenta Dilma Rousseff para se apropriar do pré-sal, uma das mais exuberante reservas de petróleo de que se tem notícia. E já conseguiram esse intento.

A situação na Síria é idêntica. Querem o petróleo, o gás e o controle geopolítico da região. Para isso não tiveram nenhum pudor em financiar grupos fundamentalistas para tentar depor o presidente sírio, Bashar al-Assad, sob os mais pitorescos argumentos, cujo intento só não foi alcançado pela intervenção militar da Rússia em apoio ao governo sírio.

De igual forma agiram no Iraque. Destruíram uma nação próspera para assaltar suas reservas de petróleo. Depois do assalto consumado o mundo toma conhecimento que nenhuma das acusações ou suspeitas levantadas contra Saddam Hussein se sustentavam. Pouco importa, o objetivo já estava alcançado, o governo deposto e a nação destruída.

O roteiro é idêntico. Eles nem se dão ao trabalho de inovar. Com o apoio acrítico dos meios de comunicação eles estimulam e financiam grupos locais para fazer a cruzada contra o governo alvo de sua execução; depois fornecem uma pauta (corrupção, ditador, armas químicas, etc.) para a turba aliciada a dólares; e, finalmente, preparam o assalto final através de uma sistemática campanha nos seus meios de comunicação.

O desfecho desse enredo pode ser um golpe para trocar o governo e mudar a política - como aconteceu no Brasil; a fragmentação do país em várias republiquetas; ou a tomada do poder e o assassinato do representante do governo anterior, como aconteceu no Iraque e, tudo indica, eles estão tentando repetir na Síria dilacerada.


Eron Bezerra
Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

terça-feira, 17 de abril de 2018

R7 apaga antiga reportagem onde triplex é mostrado de forma suntuosa

O site R7 apagou reportagem datada de julho de 2017, onde o apartamento triplex atribuído por Moro a Lula é mostrado de forma suntuosa, porém, a matéria pode ser encontrada através do cache aqui

do site 247


00:28/00:50diariodocentrodomundo Video 2018-04-17_12-47

domingo, 15 de abril de 2018

Vídeo: Guerra Sagrada: De pé, imenso país, de pé para a Batalha Mortal

Guerra Sagrada: De pé, imenso país, de pé para a Batalha Mortal

A música Guerra Sagrada, também conhecida como "Dé pé, imenso país" é uma das mais famosas músicas da Grande Guerra Patriótica. A música foi composta por Aleksandr Aleksandrov, fundador da Orquestra Alexandrov, anteriormente conhecido como Coro e Banda do Exército Vermelho. A letra é do poeta soviético Vassili Lebediev-Kumátch.

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Reprodução
"Glória ao nosso grandioso povo, povo vencedor!" (frase de Stálin em cartaz veiculado durante a 2ª Guerra Mundial)"Glória ao nosso grandioso povo, povo vencedor!" (frase de Stálin em cartaz veiculado durante a 2ª Guerra Mundial)
As circunstâncias que levaram à música e à sua apressada apresentação são simples: a União Soviética fora invadida, em 22 de junho de 1941, pela Alemanha nazifascista, e a canção serviu como uma ode à resistência. Os versos foram terminados em 24 de junho de 1941 e Aleksandrov imediatamente compôs a música, em um caderno de notas, que foi repassado para os músicos aprenderem rapidamente as notas. A primeira apresentação se deu na estação de trem Bielorússia, quando foi cantada cinco vezes seguida, segundo testemunhas, para soldados que partiam para o fronte.

Há muitas versões estrangeiras da canção. Os alemães a conhecem por Der Heilige Krieg (com versos de Stephan Hermlin) e os húngaros como Fel, küzdelemre. A canção foi tocada em todas as paradas do Dia da Vitória, tanto na União Soviética quanto na Rússia atual.

Guerra Sagrada
A.V.Aleksandrov, V. Lebediev-Kumátch.

De pé, imenso país
De pé para a batalha mortal
Contra o obscuro fascista
E suas hordas bestiais
--
(Em coro 2x)
Deixe que nossa ira 
Nos arrebate como as ondas
Uma guerra popular está em marcha!
A Guerra Sagrada! 
--
Vamos repelir os estranguladores
De ideias nobres,
Estupradores, saqueadores,
Torturadores do gênero humano
--
(Em coro 2x)
Deixe que nossa ira 
Nos arrebate como as ondas
Uma guerra popular está em marcha!
A Guerra Sagrada! 
--
As asas escuras não ousarão 
Voar sobre a Pátria Mãe.
E seus vastos campos
O inimigo não ousará pisotear!
--
(Em coro 2x)
Deixe que nossa ira 
Nos arrebate como as ondas
Uma guerra popular está em marcha!
A Guerra Sagrada! 
--
Meteremos uma bala na testa,
do podre e imundo fascista.
Ergueremos um forte sepulcro,
para o lixo da humanidade!
--
(Em coro 2x)
Deixe que nossa ira 
Nos arrebate como as ondas
Uma guerra popular está em marcha!
A Guerra Sagrada!

Ouça duas versões da canção, em russo e em chinês: 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Ele, Carlos Marighella!







"Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista do Brasil  adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda"


Fonte: do site Memórias da ditadura


Sua vida
Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.
De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista do Brasil, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.
            Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação -- deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante.
Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas.
Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura.
Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.
Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.
Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.
Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.
Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.
Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1o de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo.
Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho,  enfrentar a ditadura.
O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política.
Na noite de 4 de novembro de 1969 – há exatos 30 anos -- surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury.
Resumo biográfico

1911 - No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs.

1929 - Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos.

1932 - Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo.

1936 - Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller.

1937 - Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo.

1939 - Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia.

1942 - Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul.

1943 - Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância.

1945 - Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada..

1946 - Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf.

1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos.

1948 - No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida.

1949/1954 - Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha "O Petróleo é nosso" e organiza a greve geral conhecida como "dos cem mil" em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954.

1955 - A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível.

1956/1959 - O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da "coexistência pacífica" pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional.

1960/1964 - A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil - PC do B.

1964 - Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto.

1965 - Escreve e publica o livro "Por que resisti à prisão", em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo.

1966 - Publica "A Crise Brasileira", onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses.

1967 - Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria - 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar.

1968 - Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodrée realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras.

1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Dilma, Manuela e Boulos vão ao exterior para atos contra a prisão de Lula

A ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, e os presidenciáveis do PCdoB, Manuela D’Avila, e do PSol, Guilherme Boulos, marcaram para os próximos dias uma viagem aos Estados Unidos e a países da Europa para denunciar o que os representantes dos três partidos  chamam de prisão política do ex-presidente Lula.

Dilma, Manuela e Boulos. Foto: AFP


DO ESTADÃO
A ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, e os presidenciáveis do PCdoB, Manuela D’Avila, e do PSol, Guilherme Boulos, marcaram para os próximos dias uma viagem aos Estados Unidos e a países da Europa para denunciar o que os representantes dos três partidos  chamam de prisão política do ex-presidente Lula.
Segundo a assessoria do PT, será uma viagem de duas semanas à Espanha e outros países a serem definidos, além dos EUA. Inicialmente, estão programados atos de repúdio à prisão do ex-presidente no Uruguai e na Argentina. A assessoria de Boulos disse que o presidenciável do Psol vai viajar separado de Dilma e Manuela. No roteiro está Portugal, Palestina, Inglaterra e França onde Boulos pretende denunciar o que ele chama de prisão ilegal de Lula. (Leonel Rocha)

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula em vídeo: "Não tenho medo do que está por vir"


  

“Os que nos perseguem podem fazer o que quiserem comigo, mas jamais conseguirão aprisionar nossos sonhos”, diz Lula, em vídeo divulgado pelo PT, após o discurso do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), antes de se entregar à Justiça.


Do Portal Vermelho
Acompanhado de uma animação, Lula relembra sua trajetória política e diz que não tem medo do que está por vir. “Enquanto me restar pelo menos um minuto de vida, esse minuto vai ser para lutar pela dignidade do nosso povo. E defender nossa honra.” 



Veja abaixo a íntegra da mensagem de Lula:

 
Meus amigos, minhas amigas,

Tenho pensado muito sobre o caminho que nossas vidas tomaram. O futuro, no fim das contas, não parece ser um lugar assim tão distante. Não que a nossa vida tenha sido fácil, longe disso.

Sentimos na pele o que passa um povo esquecido, mas sabemos que nenhum fardo é tão pesado que não se possa carregar. Quem sobrevive depois de passar por tanta dificuldade aprende, desde cedo, que a honra é o nosso bem mais valioso.

Ao longo do caminho, conheci muita gente que precisava apenas de uma oportunidade para andar com as próprias pernas e construir com dignidade a própria vida. Foi essa ideia de um Brasil mais justo, que embalou nossos melhores e mais generosos sonhos. Um país sem fome, com escola, casa e emprego para todos.

Olho para trás e vejo que poderíamos ter feito mais. Sempre é  possível fazer mais. Mas as oportunidades que criamos num país tão desigual e injusto parecem ainda maiores nos dias difíceis de hoje. 

Eu já fui preso uma vez, minha vida foi toda revirada, minha família foi perseguida e perdi minha eterna companheira.

Eu não tenho medo do que está por vir. Enquanto me restar pelo menos um minuto de vida, esse minuto vai ser para lutar pela dignidade do nosso povo. E defender a nossa honra.

A honra do menino que cruzou o país para vencer a fome e se tornou engraxate. Do adolescente que se tornou um jovem operário. Do homem que se tornou pai e lutou com todas as forças para representar o povo brasileiro. Nas tardes de incerteza da minha juventude nunca imaginei ser possível. Mas foi. Me tornei o presidente do povo brasileiro.

Quem me condenou sem provas sabe que sou inocente e que governei com honestidade. Os que nos perseguem podem fazer o que quiserem comigo, mas jamais poderão aprisionar os nossos sonhos.

Um beijo carinhoso do Lula."


Do Portal Vermelho

sábado, 7 de abril de 2018

"Lula não irá para o matadouro de cabeça baixa", afirma defesa

Lula não se escondeu ou fugiu. Se encontra em local certo e determinado notoriamente sabido pelos agentes e por qualquer cidadão brasileiro.


Do Portal Vermelho
Divulgação
  







Com a condenação num processo sem provas e a prisão decretada nesta quinta-feira (5), Sergio Moro e a grande mídia criaram um ambiente em que esperavam ver um homem derrotado se entregando e submetendo-se ao tribunal arbitrário.

Por Dayane Santos

“Não haverá resistência, mas ele não irá para o matadouro de cabeça baixa, por livre e espontânea vontade”, disse José Roberto Batochio, um dos advogados de defesa do ex-presidente Lula junto com Cristiano Zanin Martins.

Em seu despacho, Moro determinou a prisão do ex-presidente e determinou que ele se apresentasse à sede da Polícia Federal em Curitiba até as 17 horas. A expectativa era de que Lula se submeteria à determinação, assegurando aos holofotes das emissoras de TV, principalmente da Rede Globo, a sua rendição.

“Não é rebelião”, prossegue Batochio. “É um direito da pessoa preservar a sua liberdade e não contribuir para qualquer ato que possa suprimi-la. Sem violência, é claro”, reforçou o advogado.

O próprio Lula disse em entrevista que o “sonho de consumo” de Moro era prendê-lo, sendo este o seu objetivo político. Lula sempre denunciou os abusos e arbitrariedades do processo a qual foi submetido, demonstrando que sua condenação era resultado de uma perseguição com o objetivo de tirar o seu nome da disputa eleitoral.

Portanto, a decisão de Lula de não se entregar não se trata de resistência à lei. Lula não se escondeu ou fugiu. Se encontra em local certo e determinado notoriamente sabido pelos agentes e por qualquer cidadão brasileiro.

Por considerar ser vítima de uma decisão arbitrária, Lula se reserva ao direito de, simbolicamente, não reconhecer a decisão, o que não significa que resistirá à prisão caso os agentes da Polícia Federal o busquem no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo.

Assim como o processo de Lula não é jurídico, mas político, sua reação também não deve ser jurídica, mas política. A vigília iniciada por centenas de pessoas em frente à sede do sindicato, onde iniciou a sua trajetória política, é também uma trincheira de resistência política contra os abusos e irregularidades desse processo e em defesa da democracia.