Aécio Neves chora diante do risco da prisão

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Por Altamiro Borges

Está marcada para a próxima terça-feira (20) a análise do pedido de prisão do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os advogados de defesa do grão-tucano até tentaram duas manobras para evitar a desgraça. Eles pediram para adiar o julgamento e para remeter o caso ao plenário do Supremo Tribunal Federal, mas foram derrotados. O ministro Marco Aurélio Mello manteve a data e reafirmou que a histórica decisão caberá à Primeira Turma do STF, formada pelo próprio e pelos ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Luís Roberto Barros e Alexandre de Moraes. A mídia venal, que fez campanha para o presidenciável do PSDB em 2014 e sempre o blindou, agora insinua que a sua prisão é quase certa.

O Estadão deste domingo (18) foi cruel: “Fechado em sua casa no Lago Sul, em Brasília, desde o dia 17 de maio, quando foi divulgado conteúdo do áudio que registrou o pedido de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista sob o argumento de que precisava de dinheiro para custear sua defesa na Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves tem dito a quem o visita que sua situação é ‘kafkiana’. Segundo aliados que estiveram com ele nos últimos dias, o tucano avalia que em condições normais de temperatura e pressão o pedido de prisão do procurador-geral Rodrigo Janot seria rejeitado. O senador avalia, porém, que no atual cenário tudo pode acontecer. Esse temor se cristalizou quando a Primeira Turma do STF manteve a prisão de sua irmã, Andrea Neves. Ao saber da decisão, Aécio se desesperou. O tucano não consegue conter o choro quando fala sobre Andrea”.

O jornal da oligarquia paulista confirma a versão ainda mais impiedosa da revista Veja, publicada no final de maio. “Desde o minuto em que soube das gravações [de Joesley Batista], Aécio alternou crises de choro, goles de uísque e conversas com advogados. Atendeu a poucas ligações e ignorou até mesmo telefonemas de assessores próximos. Recebeu em sua casa no Lago Sul apenas alguns senadores, como Tasso Jereissati (agora presidente interino do PSDB), e ministros de seu partido, como Aloysio Nunes. Aos que o visitaram, disse que seu único alento era o fato de a mulher, Letícia, e os filhos gêmeos não estarem em casa, no momento das buscas feitas pela Polícia Federal... Segundo os interlocutores do senador, sua principal angústia nesses dias era a prisão da irmã. Aécio mobilizou advogados e amigos em busca de um meio de libertá-la. No telefonema que deu ao ex-ministro do STF Carlos Velloso, chorou. ‘Ela é quase uma mãe para mim’, disse”.

A revista do esgoto ainda acrescentou no obituário intitulado “A queda de Aécio Neves”, assinado por Ana Clara Costa: “Trinta e um meses transcorreram entre o dia em que saiu consagrado com 51 milhões de votos da disputa perdida para Dilma Rousseff e a tarde em que, pela tela do ce­lular, enxergou o começo do seu fim. Ex-candidato à Presidência da República, governador de Minas duas vezes, ex-deputado federal e ex-secretário de Tancredo Neves, Aécio encerrou a pior semana de sua vida política na condição de senador afastado por ordem do STF, presidente de partido licenciado por seus pares, parlamentar ameaçado de ter o mandato cassado e cidadão impedido pela Justiça de deixar o país. Mais: teve o primo preso, viu a irmã sendo levada à cadeia e soube que ele próprio só não foi para trás das grades por obra e graça do sacrossanto foro privilegiado”.

Ameaças aos seus pares tucanos

Esta delicadíssima situação não significa que o velhaco tucano esteja apático e inerte, aguardando a ordem de prisão. Ele está em plena atividade. Como aponta a matéria do Estadão, “apesar de recluso, Aécio Neves tem se articulado em várias frentes para tentar impedir sua cassação no Senado, evitar a implosão completa de sua base política em Minas e reforçar sua defesa pública. Ele também tem atuado na vida partidária e foi um dos responsáveis pelo movimento que manteve o PSDB na base de Michel Temer, pelo menos por ora. Aécio também montou uma força-tarefa para impedir uma debandada de quadros do PSDB mineiro para outros partidos. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e o deputado federal Marcos Pestana (PSDB-MG) assumiram a linha de frente do grupo que por mais de dez anos foi majoritário na política de Minas”.

A reportagem confirma que a decisão da cúpula do PSDB de manter o apoio à quadrilha de Michel Temer – apesar do enorme desgaste nas suas bases –, decorreu das articulações de bastidores do mineiro. E, pelo jeito, elas não foram nada civilizadas. Segundo a coluna de fofocas de Lauro Jardim, publicada no jornal O Globo deste sábado (18), o senador teria ameaçado abrir o bico sobre as sujeiras de vários dirigentes do partido. “Não foi só companheirismo que fez os tucanos agirem para proteger Aécio Neves. A mais de um correligionário, ele lembrou que tem excelente memória sobre os últimos 20 anos do partido e de pecados de diferentes tamanhos de seus mais ilustres integrantes”. A conferir como será o desfecho desta trágica história.

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