Racismo e estímulo ao ódio na Band


Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, a Rede Bandeirantes sofreu duas merecidas punições da Justiça. A Band Bahia foi condenada a pagar R$ 60 mil por violação aos direitos humanos durante a transmissão do programa “Brasil Urgente”. Em reportagem exibida em 2012, a “repórter” Mirella Cunha humilhou o jovem Paulo Sérgio Souza, preso sob a acusação de estupro. Também no final de maio, o Ministério Público Federal determinou que a emissora exiba um vídeo sobre a diversidade religiosa. A decisão foi uma resposta às bravatas asquerosas de José Luiz Datena, que em 2010 afirmou que os ateus são criminosos. Embora leves, as duas punições ajudam a civilizar um pouco a programação da televisão brasileira, hoje palco das piores baixarias.

No caso de Mirella Cunha, a Band foi condenada pelo juiz Rodrigo Brito Pereira, da 11ª Vara Federal de Salvador, que considerou que “o direito de informação não é absoluto, vedando-se a divulgação de notícias falaciosas, que exponham indevidamente a intimidade ou acarretem danos à honra e à imagem dos indivíduos”. O juiz também criticou a postura racista e elitista da jornalista. “A ‘entrevista’ desbordou de ser um noticioso acerca de um possível estupro para um quadro trágico em que a ignorância do acusado passou a ser o principal alvo da repórter. Ao deixar de obter as notícias para ser a notícia a repórter Mirella Cunha em muito superou qualquer limite à ética e ao bom senso na atividade jornalística, essencial no Estado de Direito”.

Já no caso do reincidente José Luiz Datena, que constrói a sua fama e fortuna explorando preconceitos e difundido o ódio, o Ministério Público Federal decidiu que a emissora deverá exibir vídeos em defesa da liberdade religiosa nos intervalos do “Brasil Urgente”. Serão 72 exibições até novembro. “O Estado brasileiro é laico justamente para garantir que todos possam escolher entre ter ou não ter uma religião”, afirma o vídeo produzido pelo MPF. A campanha é uma resposta às agressões do apresentador, que atacou os ateus ao noticiar o assassinato de uma criança. “Ateu eu não quero assistindo o meu programa. O ateu não tem limites e por isso que faz esse tipo de crime... É por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais. São os caras do mal. O sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque não respeita limite nenhum”, esbravejou o sensacionalista irresponsável.

Diante desta barbaridade, que incita o ódio na sociedade, o Ministério Público Federal considerou que a Band desrespeitou a Constituição, que fixa o caráter laico do Estado brasileiro. O órgão também lembrou que a emissora privada explora uma concessão pública, sendo obrigada por lei a veicular conteúdo educativo e informativo que garanta o respeito aos valores éticos e à diversidade. As duas decisões recentes servem de estímulo a outras ações da sociedade civil organizada na Justiça contra as baixarias na tevê brasileira, hoje uma chocadeira de ovos da serpente fascista no país.

Comentários

  1. Diante desta barbaridade, que incita o ódio na sociedade, o Ministério Público Federal considerou que a Band desrespeitou a Constituição, que fixa o caráter laico do Estado brasileiro. O órgão também lembrou que a emissora privada explora uma concessão pública, sendo obrigada por lei a veicular conteúdo educativo e informativo que garanta o respeito aos valores éticos e à diversidade. As duas decisões recentes servem de estímulo a outras ações da sociedade civil organizada na Justiça contra as baixarias na tevê brasileira, hoje uma chocadeira de ovos da serpente fascista no país.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Socialismo

Unicef: 700 crianças palestinas são presas por forças israelenses

NAZIFASCISTAS BRASILEIROS