Socorro Gomes: “o pior holocausto da história da humanidade”


Em nota divulgada nesta sexta-feira (5), a presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, presta solidariedade ao povo japonês em memória aos 66 anos do ataque nuclear de Hiroshima e Nagasaki. Socorro define episódio como “o mais fulminante, o pior holocausto de toda a história da humanidade”.


O texto revela ainda que segundo relatos de historiadores de diversas nacionalidades, a enorme carnificina contra os japoneses incluía novos ataques. “Outras bombas seriam lançadas ainda em agosto e nos dois meses seguintes, conforme revela a tenebrosa agenda do governo dos Estados Unidos”.

Ainda segundo a presidente do Conselho Mundial da Paz, calcula-se que existam ainda hoje cerca de 23 mil ogivas nucleares apontadas para todas as partes do planeta. Ela reforça a exigência da entidade internacional para “o imediato desmantelamento das armas nucleares, estejam elas onde estiverem”.

Leia abaixo a íntegra da nota:


Querido povo japonês,

O Conselho Mundial da Paz vem reforçar sua solidariedade a este povo que sofreu o mais fulminante, o pior Holocausto de toda a história da Humanidade. O mundo nunca tinha visto antes um genocídio como aquele cometido há 66 anos em Hiroshima e Nagasaki. E, uma vez mais, juntamos nossas vozes para exigir o imediato fim das armas nucleares.

A Conferência Mundial Contra as Bombas Atômica e de Hidrogênio que ora se realiza tem grande importância para a conscientização de todos os povos da Terra sobre o risco das armas nucleares. Sabemos muito bem que uma terceira guerra global significará o fim da Humanidade. Todas as guerras são perversas e indesejáveis, mas o uso de armas desse tipo é ainda mais perverso e envergonham o ser humano.

Às 8h15 da manhã do dia 6 de agosto de 1945, quando foi lançada a bomba tristemente batizada de “Little Boy” sobre a cidade de Hiroshima, o mundo fixou estarrecido. Ninguém imaginava que o ser humano seria capaz de tamanha maldade. E às 11h01 do dia 9 daquele mesmo mês, o mais incrível ainda ocorreria, pois uma nova bomba era lançada sobre a cidade de Nagasaki, matando de novo milhares e milhares de homens, mulheres, crianças, idosos e destruindo o que houvesse ao redor.

A primeira bomba era de urânio-235, a outra de plutônio-239. Ficou evidente que os Estados Unidos, sob o mando do então presidente Harry Truman e orientação científica de Robert Opppenheimer, queriam testar os dois petardos altamente letais e escolherem populações civis japonesas como cobaias de seus experimentos sanguinários. Mais de 200 mil pessoas morreram. A metade deles nos mesmos instantes em que as bombas explodiram, em dois massacres nunca antes sequer imaginados.

Segundo relatos de historiadores de diversas nacionalidades, a enorme carnificina não pararia ali. Outras bombas seriam lançadas ainda em agosto e nos dois meses seguintes, conforme revela a tenebrosa agenda do governo dos Estados Unidos. A interferência da antiga União Soviética, pela via diplomática, levou o Japão a se render com dignidade e evitou uma catástrofe que talvez ninguém de nós estivesse vivo para protestar nesse momento de dor.

As potências imperialistas, especialmente os Estados Unidos e outros membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) têm aumentado seus investimentos na corrida armamentista. São 850 bases militares espalhadas pelo mundo, muitas das quais escondem armas nucleares e químicas, numa constante ameaça a toda a Humanidade. A permanência de tropas estrangeiras em países como Iraque e Afeganistão e as agressões contra a Líbia, Síria e outros países do Oriente Médio e da África são ações que não podemos mais tolerar.

Com grande pesar, neste momento de solidariedade global, o Conselho Mundial da Paz exige o imediato desmantelamento das armas nucleares, estejam elas onde estiverem. Calcula-se que hoje existam cerca de 23 mil ogivas nucleares apontadas para todas as partes do mundo, uma ameaça inaceitável. Estaremos, assim, cumprindo o que determina a resolução da Organização das Nações Unidas de janeiro de 1946, que determina o fim das armas nucleares, mas que não é cumprida.

São Paulo, Brasil, agosto de 2011

Socorro Gomes
Presidente do Conselho Mundial da Paz

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