terça-feira, 2 de setembro de 2014

Marina diz que bíblia é referência como a arte ou a cultura

Candidata do PSB afirma que informações divulgadas que ela consulta livro antes de decisões é feita por 'pessoas de má-fé'
Do UOL (pig)

A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) disse hoje que a informação divulgada na imprensa de que ela consulta a bíblia antes de tomar decisões importantes faz parte de uma estratégia de "pessoas de má-fé" para rotulá-la como fundamentalista. De acordo com Marina, a bíblia é uma referência para o ser humano assim como é a arte e a literatura. "Uma pessoa que crê tem na bíblia uma referência, assim como tem como referência a arte, a literatura. Às vezes as pessoas podem ter um insight (ideia) assistindo um filme", disse, durante entrevista ao Jornal da Globo exibida na madrugada desta terça-feira.
As declarações de Marina se referem a uma matéria no jornal Folha de S.Paulo desta segunda-feira que afirma que a candidata costuma recorrer a versículos da bíblia em momentos decisórios difíceis. Marina disse que o ser humano tem naturalmente uma subjetividade e que isso é importante para o desenvolvimento das sociedades.
"As pessoas tomam decisões que levam em conta vários aspectos", disse. "O ser humano não é uma unidade pura de alguma coisa, somos seres subjetivos e a subjetividade é uma riqueza interior para qualquer ser humano", afirmou. "Isso (informações da matéria) é uma forma que as pessoas foram construindo para tentar passar a imagem que eu sou fundamentalista, coisas de pessoas de má-fé", disse.
Na entrevista, Marina Silva voltou a explicar que a mudança no seu programa de governo em relação ao casamento de pessoas do mesmo sexo e à energia nuclear se deve a um erro de processo na elaboração do documento. Ela também disse que defende os direitos civis de todos os brasileiros e que repudia qualquer forma de preconceito.
Na área econômica, a candidata do PSB afirmou que, caso seja eleita, vai recuperar o tripé macroeconômico - superávit fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação - para retomar a confiança do investidor no País. Além disso, Marina afirmou que tem um compromisso de não aumentar impostos e que os recursos para a ampliação de programas sociais virão do espaço fiscal adquirido quando o País voltar a crescer.
Energia. Marina disse também que espera que o governo federal realize um reajuste dos preços administrados como uma medida de política de País, deixando de lado o aspecto eleitoral sobre essa questão. "Eu espero que os preços administrados possam ser corrigidos pelo próprio governo", disse a candidata quando perguntada se irá aumentar o preço da gasolina para beneficiar o setor sucroalcooleiro. "Quero que se tenha visão de País, não uma visão apenas voltada para as eleições", afirmou, na entrevista exibida na madrugada desta terça-feira. 
Marina defendeu as diretrizes energéticas que constam no seu programa de governo e falou que não vai ignorar os recursos provenientes do petróleo da camada pré-sal. No entanto, segundo ela, o País precisa avançar além do combustível fóssil e estimular o desenvolvimento de fontes de energia renovável, a exemplo da energia eólica e de biomassa. "Vamos explorar os recursos do pré-sal, mas vamos dar um passo a frente", disse.
Segundo a candidata, os países desenvolvidos desenvolvem suas matrizes energéticas na direção de fontes menos poluentes, mas sem prescindir do petróleo, recurso que ainda não tem um substituto na mesma escala. Marina disse que os recursos do pré-sal são importantes para serem utilizados em áreas prioritárias do País, como educação, saúde e inovação.
A candidata não descartou projetos de hidrelétricas na região amazônica, onde está o maior potencial desse tipo de energia no Brasil. “Se os projetos têm viabilidade econômica, ambiental e social é preciso avançar com eles”, disse. “Mas é preciso investir também em fontes renováveis de energia”, alertou Marina Silva. Ela também afirmou que o País precisa das termoelétricas como fonte de energia auxiliar na matriz brasileira. 

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/eleicoes/story.aspx?cp-documentid=265036057

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CUBA TERÁ UNIÃO HOMOSSEXUAL PERMITIDA POR LEI




Matéria de agosto de 2013

Blog Thonny Hawany

Por Thonny Hawany

Cuba se prepara para definir os direitos de lésbicas, de gays, de bissexuais e de transexuais em seu território, segundo informou à imprensa a sexóloga Mariela Castro, filha do presidente de Cuba, Raúl Castro. Essa é uma notícia que recebo com muita alegria. A Ilha de Fidel, caso sejam confirmadas as palavras de Mariela, surpreenderá o mundo positivamente e em matéria de Direitos Humanos.



Para Mariela Castro, a discriminação não combina com os interesses da Revolução Cubana, tanto por isso, será desenvolvido um trabalho que "demonstra a vontade política do governo cubano para enfrentar a homofobia como forma de discriminação, algo incoerente com o projeto emancipador da Revolução Cubana".



Sobre a possibilidade de os Estados Unidos criticarem a atitude do governo de Cuba na rede mundial de computadores pelo feito, segundo anunciou a sexóloga Mariela, considero pouco provável haja vista ter a Secretária de Estado Americano, Hillary Clinton, anunciado em Genebra, no mês de dezembro, por ocasião das comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, a criação de fundo para auxiliar países a descriminarem a homossexualidade dentre outras ações positivas anunciadas no mesmo pacote. Espero que, apesar dos entraves políticos e econômicos existentes entre Cuba e o EUA, este se posicione favoravelmente à humana e louvável atitude daquela. Seria a mais digna atitude de uma país que efetivamente entreou na briga contra a homofobia mundial.





Conforme Mariela, será encaminhada à Assembleia Nacional do Poder Popular um projeto de lei que reconhecerá a união livre entre pessoas do mesmo sexo. A modalidade de união denominada de livre deve ser semelhante ao que conhecemos por união estável, visto que no texto do projeto encaminhado ao Congresso não consta a palavra casamento. Isso já representa um gigantesco passo para os irmãos e irmãs lésbicas, gays, bissexuais e transexuais da Ilha de Fidel Castro. Com a decisão, se favorável, haverá mudanças no Código da Família de Cuba.



Mariela acredita que esse passo significa o primeiro na adoção do que ela mesma chamou de “política de não-discriminação”. Resta então esperarmos para ver o posicionamento do Partido Comunista que se reunirá em conferência .



Cabe salientar que Mariela Castro dirige o Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba e que sua luta em favor da aprovação de direitos aos homossexuais não é de hoje. Sua luta vem de longa data e tem ecoado por todos os continentes.



Em face do exposto, podemos afirmar que o mundo olhará diferente para Cuba a partir da concretude dessa decisão. Tratar seu povo com humanidade, com igualdade, com liberdade e respeitar a sua dignidade é o maior de todos os passos para o progresso em todos os aspectos. Estou de olho e deverei acompanhar o progresso desse feito histórico, não só para Cuba, mas para o mundo.



FONTES: Agência Brasil e O Diário de Cuba

www.blogdocarlosmaia.blogspot.com Carlos Maia

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Marina trará recessão e desemprego


Por Umberto Martins, no siteVermelho:

O programa de governo da presidenciável Marina Silva, lançado sexta-feira, 29, soou como música aos ouvidos da oligarquia financeira que comanda a economia brasileira e anda meio ansiosa para derrotar a presidenta Dilma, mas desiludida com o desempenho do tucano Aécio.

A ex-senadora, que concorre pelo PSB (partido com o qual até agora não tinha nenhuma identidade), promete rigor na aplicação do tripé neoliberal que orienta a política econômica, configurada no superávit fiscal, câmbio flutuante e juros altos a pretexto de manter a inflação na meta.

Ajuste fiscal

A plataforma vem sendo comparada à famosa Carta aos Brasileiros de junho de 2002, na qual o ex-presidente Lula, em nome da governabilidade, se comprometeu a respeitar os contratos e manter os fundamentos da política conservadora adotada pelo tucano FHC por orientação do FMI. As condições hoje são outras e as consequências da radicalização do tripé certamente serão mais dramáticas.

Marina, a exemplo do candidato do PSDB, Aécio Neves, está acenando ao poderoso e venerável "mercado" com um ajuste fiscal. Isto não vai resolver os problemas da economia e encaminhar o Brasil para a rota do crescimento sustentável. Embora esta seja a promessa, a experiência aqui e lá fora mostra que os resultados concretos são bem outros.

O exemplo mais recente e presente que temos de ajuste fiscal vem da Europa, traduzido principalmente, embora não só, nas receitas ditadas pelo FMI (em parceria com o Banco Central Europeu e a cúpula da União Europeia - a troika) aos países assolados pela crise da dívida externa, como é o caso da Grécia, Portugal, Irlanda e Chipre.

Recessão e desemprego em massa

Invariavelmente esses ajustes significam recessão econômica, desemprego em massa, cortes dramáticos dos gastos públicos, com demissões de funcionários, e degradação dos serviços públicos, destacadamente em saúde e educação, redução de direitos sociais, retrocesso e sofrimento para os povos.

Também na Europa os governos neoliberais garantiram que esta era a receita para sair da crise, mas o que se seguiu de fato foi o aprofundamento da recessão, uma situação que o economista Bradford DeLong, que foi vice-secretário assistente do Tesouro dos EUA, caracterizou como Grande Depressão.

No Brasil, que já vivenciou coisa parecida na sequência da crise da dívida externa, os efeitos de um novo ajuste fiscal não seriam diferentes. É preciso compreender que se tais ajustes não servem aos interesses da maioria da sociedade e, além disto, obstruem o desenvolvimento nacional, por outro lado eles favorecem os rentistas, parasitas da dívida pública, assegurando-lhes a valorização do capital. Por isto, e só por isto, são defendidos com tanta ênfase pelos economistas e pela mídia a soldo do sistema.

Estado mínimo

Mas não é só com o ajuste fiscal que Marina procura agradar sua nova santidade, o mercado financeiro (que agora parece estar curtindo um relacionamento sério com os evangélicos. O pastor Everaldo, que não tem a mínima chance de se eleger, quer entregar tudo aos grandes capitalistas, inclusive as últimas joias da coroa: Petrobras, BB e CEF).

A candidata do PSB promete independência para o Banco Central, medida de caráter neoliberal que sempre foi condenada pelas forças de esquerda no Brasil e que deixa a autoridade monetária totalmente nas mãos do mercado financeiro. Promete também reduzir o papel e a participação do Estado e dos bancos públicos na economia, ampliando consequentemente o espaço da iniciativa privada.

Contradições e demagogia

Marina lança uma vela a Deus e outra ao demônio ao levantar algumas bandeiras progressistas dos movimentos sociais - como o fim do fator previdenciário e a vinculação de 10% da Receita Corrente Bruta da União ao financiamento da saúde.

Mas aqui adentramos o terreno das contradições e da demagogia. Sabe-se que propostas como o fim do fim do fator previdenciário, 10% da receita da União para a saúde, mais verbas para os municípios, entre outras, não combinam com o ajuste fiscal prometido ao sistema financeiro.

A conta simplesmente não fecha, conforme observou o jornalista José Paulo Kupfer. "Fica a impressão de que, se papel aceita tudo, papel com programas eleitorais aceitam ainda mais. Diante da austeridade fiscal proposta, nem mesmo um crescimento em escala chinesa desde o início de seu governo permitiria fechar a conta".

Economistas de esquerda e lideranças dos movimentos sociais entendem que para contemplar as demandas da classe trabalhadora e do povo será preciso mudar a atual política econômica baseada no tripé neoliberal (câmbio flutuante, superávit fiscal e juros altos) e não aprofundá-la como promete Marina para deleite do sistema financeiro.

A mudança da política econômica defendida pelos movimentos sociais (fim do superávit fiscal primário, controle do câmbio, redução da taxa de juros e taxação das remessas de lucros) impõe limites, senão prejuízos, a banqueiros, rentistas e multinacionais, ou seja, contraria interesses de classe e justamente os poderosos interesses que Marina promete satisfazer.

O programa da presidenciável pelo PSB vai em sentido diametralmente oposto aos interesses do povo brasileiro. É música para os ouvidos da oligarquia financeira nacional e internacional. Perguntar não ofende: será que o presidente do Partido Socialista Brasileiro, Roberto Amaral, concorda com a política econômica neoliberal proposta por Marina?

O pacote reacionário de Marina Silva



Nada é mais antigo e reacionário nessa campanha eleitoral do que as propostas de Marina Silva, do PSB, para “uma nova política”. São seis pontos apresentados no primeiro capítulo do programa de governo divulgado sexta-feira. Cinco deles formam um conjunto de retrocessos democráticos e casuísmos. A agenda da direita está toda lá, do voto distrital ao financiamento privado de campanhas. O sexto ponto, em contradição, copia propostas do PT.

Marina “inova” a agenda da direita com a proposta de só realizar eleições a cada cinco anos, para todos os cargos de uma vez. Nem a ditadura militar calou a voz das urnas por períodos tão longos. É uma ideia típica de quem tem um conceito “gerencial” do Estado e do processo democrático. É como dizer: “Não perturbem o país com eleições de dois em dois anos; isso atrapalha o governo dos bons e dos eficientes”.

As propostas reacionárias da “nova politica” vêm embrulhadas num texto de chavões “modernos”: “Estado e Democracia de Alta Intensidade”. Democracia não combina com adjetivos. Houve um tempo em que o Brasil era uma “democracia relativa”, e não passava de uma ditadura. Democracia é algo substantivo; ou se pratica ou não se pratica. No Brasil, custou vidas, lágrimas e luta. Não é pra brincar.

Assim como o título, o texto é vazado em embromation castiço. Aqui vão as seis propostas da candidata, traduzidas para o mundo real:

Proposta 1: “Unificação do calendário geral das eleições, o fim da reeleição e a adoção dos mandatos de 5 anos”.

Tradução: Fazer menos eleições (e não perturbar o governo dos bons)

Durante 5 anos o eleitorado simplesmente não se pronuncia sobre nada. E de uma só vez troca o executivo em todos os níveis (pois não há reeleição), ao mesmo tempo em que elege vereador, deputado estadual, deputado federal e senador. Nem na ditadura o Brasil passou cinco anos seguidos sem ter eleições em algum nível; sem ouvir a voz das urnas.

A fórmula Marina implica necessariamente em alguma prorrogação de mandatos (dos atuais prefeitos e vereadores, ou dos parlamentares governadores e presidente eleitos este ano). Só a ditadura fez isso, ao prorrogar por dois anos os mandatos de prefeitos e vereadores, quando adiou as eleições municipais de 1980.

O fim da reeleição é hoje uma bandeira do PSDB, que a implantou corrompendo o Congresso em 1997. O argumento para extingui-la é que o governante cuidaria apenas da administração, sem desvirtuá-la com o propósito de buscar a reeleição. E o que o impediria de “desvirtuá-la” para eleger o sucessor? Marketagem reversa de tucano. Demagogia de sonhático.

Proposta 2: “Fortalecimento dos mecanismos de transparência nas doações para campanhas eleitorais”.

Tradução: Financiamento privado de campanhas (inclusive por empresas)

O documento original da campanha (as “Diretrizes” do PSB) dizia que tais mecanismos seriam necessários para “baratear as campanhas”. A expressão grosseira saiu do texto, mas o caráter da proposta não mudou: Marina é contra o financiamento público de campanhas, uma proposta do PT, e a favor das doações de empresas.

O financiamento público de campanha é a proposta mais radical e eficaz para reduzir a influência do poder econômico no processo eleitoral. Marina rejeita doações da indústria bélica e de bebidas, mas não vê problema em ser financiada por um grande banco e por uma indústria de cosméticos com interesses diretos na administração federal.

Em abril deste ano, seis ministros do STF (a maioria) votaram favoravelmente à proibição de doações de empresas. Mesmo com o placar definido, o julgamento foi suspenso por um pedido de vistas de Gilmar Mendes, ministro indicado pelo PSDB, partido que é contra a proibição e contra o financiamento público. O vice de Marina, Beto Albuquerque, também se manifestou em abril contra a proibição.

Ao longo da última década, o TSE vem apertando os mecanismos de controle das campanhas, com as prestações de contas antecipadas e REGISTRO on-line de doações. São esses mecanismos que ameaçam o registro da candidatura do PSB, por não ter declarado à Justiça Eleitoral o uso (Por empréstimo? Doação irregular? Aluguel no fiado?) do avião que caiu em Santos. Antes de propor “mais transparência” seria melhor esclarecer esse caso.

Proposta 3: “Novos critérios na ordem dos eleitos para cargos proporcionais, buscando aproximação da “Verdade Eleitoral”, conceito segundo o qual os candidatos mais votados são os eleitos”.

Tradução: Adotar o Voto Distrital Puro (e despolitizar o Legislativo)

“Verdade Eleitoral” é o nome falso para voto distrital puro, que o programa de Marina não tem coragem de mencionar.

O voto distrital é o único sistema que permite a eleição do candidato mais votado, sem levar em conta a votação de seu partido ou coligação. É o modelo do “ganhador leva tudo”, típico da cultura política dos EUA e matriz de seu Congresso paroquial e reacionário, com representantes altamente vulneráveis ao poder econômico.

É uma proposta francamente despolitizadora, defendida no Brasil pelo PSDB e pela direita. Um retrocesso que rebaixa a disputa politica geral ao nível das questões locais.

O programa da candidata sequer apresenta o argumento (legítimo) dos que defendem o voto distrital: este modelo supostamente aproxima representantes de representados, o que não ocorreria com o voto proporcional, adotado no Brasil..

Proposta 4: “Inscrição de candidaturas avulsas aos cargos proporcionais, mediante requisitos a definir”.

Tradução: Enfraquecer os partidos (e fortalecer candidatos antipolíticos).

Na versão original do programa, as “Diretrizes” do PSB, não estava limitada às eleições proporcionais. Houve um recuo aí. O argumento a favor da candidatura avulsa é “quebrar o monopólio dos partidos na representação política”.

Idealmente, permite a eleição de candidatos apoiados por movimentos e setores sociais. Na prática, favorece candidatos com alta exposição pública, grande poder econômico, ou representantes de “causas”, que hoje se elegem dentro da estrutura partidária. A diferença é que seus votos não contribuiriam mais para a formação do quociente eleitoral dos partidos, não somariam para eleger candidatos menos votados.

A candidatura avulsa existe na maioria dos países, normalmente limitada ao Legislativo. Não é uma ideia antidemocrática em si, mas é uma resposta enganosa e despolitizada à questão da representatividade do Legislativo.

Proposta 5: “Redefinir o tempo de propaganda eleitoral com base em novos critérios, visando a melhorar a representatividade da sociedade brasileira nos parlamentos”.

Tradução: Tratar igualmente os desiguais (e valorizar o mercado de TV).

O critério hoje é: parte do tempo de propaganda eleitoral é distribuída igualmente entre os partidos com funcionamento na Câmara. Ao tempo mínimo de cada um acrescenta-se um tempo proporcional ao tamanho das bancadas e coligações.

Pode-se rediscutir a proporção entre o tempo mínimo e o tempo proporcional ao tamanho das bancadas, mas não há critério mais democrático do que o vigente.

Mudar o critério só pode levar a dois caminhos:

1) Distribuir todo o tempo de acordo com o tamanho das bancadas.

2) Distribuir o tempo em fatias iguais, desde o PPL até o PMDB.

Ambos são menos democráticos que o critério atual, e nenhum deles nos levaria a “melhorar a representatividade da sociedade brasileira nos parlamentos”.

É lícito supor que Marina se incline pelo segundo caminho. Nesse caso, estaria igualando os desiguais, desrespeitando a representatividade conquistada por cada partido nas urnas. O PT, que é o alvo implícito da proposta, já foi um partido pequeno, com pouco tempo de TV, da mesma forma que DEM e PSDB foram grandes um dia. Quem definiu o tamanho das bancadas atuais foi o eleitor.

Na prática, a proposta beneficiaria as pequenas legendas, tanto as ideológicas quanto as legendas de aluguel, que teriam seu capital muito valorizado.

Em Português dos tempos da luta contra a ditadura: é um casuísmo.

Proposta 6: “Permitir a convocação de plebiscitos e referendos pelo povo e facilitar a iniciativa popular de leis, mediante a redução de assinaturas necessárias e da possibilidade de REGISTRO das assinaturas eletrônicas.”

Tradução: Enfeitar o pacote conservador (com propostas copiadas do PT)

Plebiscitos e referendos são instrumentos históricos da democracia, previstos na Constituição, porém raramente praticados no Brasil. Hoje, quem tem poder convocá-los é o Congresso. A ideia de convocá-los por iniciativa popular consta do programa do PT desde os tempos em que Marina era filiada ao partido. O PT também propõe incentivar a proposição de leis por iniciativa popular.

Na campanha de 2010, Marina Silva recorreu ao plebiscito para se livrar de questões embaraçosas, como a descriminalização do aborto. Cuidado: plebiscito não é Doril, que se toma pra qualquer dor-de-cabeça. É para decidir sobre grandes questões nacionais, e não para lavar as mãos do governante que não tem coragem de assumir suas posições.

Itaú é o banco que mais demite


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A estreita relação da candidata Marina Silva com o banco Itaú tem chamado até mais atenção do que suas polêmicas propostas, como a de interromper a exploração do pré-sal ou reduzir drasticamente o papel do Estado na economia. Vale, pois, saber mais sobre o comportamento desse banco.

Para se ter ideia do papel do Itaú na campanha de Marina Silva, no dia 26 de agosto a equipe dela participou de reunião com um grupo de investidores brasileiros e estrangeiros e o evento foi bancado pelo Itau BBA, braço de investimentos do banco Itaú.

O Itaú, como se sabe, tem entre seus proprietários Maria Alice Setubal, a Neca, que produziu o programa de governo de Marina.

Questionado pela imprensa por ter feito o evento para promover Marina, o Itaú declarou que promoveu eventos parecidos com Eduardo Campos e Aécio Neves, mas não para Dilma Rousseff, o que mostra que não é Neca Setubal que está na campanha de Marina, mas o banco dela.

Diante disso, o Blog resolveu saber mais sobre o Itaú. Para tanto, foi ouvir a presidente do Sindicato dos bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, baiana de Nova Soure. Juvandia chegou a São Paulo em 1990, cursou e se formou em direito e é pós-graduada em política e relações internacionais.

Recentemente, Juvandia foi reeleita presidente do sindicato com 82,11% dos votos válidos. Esse apoio expressivo a credencia a expressar o sentimento da categoria sobre a eleição presidencial.

Confira, abaixo, trechos da entrevista

Os bancários já têm uma preferência eleitoral majoritária e coesa ou esse é um assunto que ainda está sendo discutido pela categoria?

Os bancários de SP e os do Brasil inteiro mantêm a conferência nacional dos bancários e obviamente nós discutimos a eleição porque se trata do futuro do Brasil. Uma categoria como a dos bancários não pode se omitir, mas estou lhe dizendo da posição das pessoas e não uma posição oficial do sindicato, que não se pronuncia oficialmente sobre eleições.

Nós, bancários, fizemos, enquanto categoria profissional, reflexão do que estava em jogo, quais são os projetos que estão colocados e qual seria a nossa posição, e ela é a de apoiar a reeleição da presidenta Dilma. Por que? Porque antes dela e do presidente Lula o país estava submetido a um projeto neoliberal que estava piorando a vida do trabalhador, com desemprego, privatizações, inflação mais alta…

Nós tivemos, nos últimos 12 anos, um governo que promoveu uma política de aumento do nível de emprego, do valor dos salários e de inclusão social. Uma Política que consideramos benéfica ao trabalhador brasileiro porque, ao longo desse período, nossa categoria teve aumentos reais de salário e recuperação do nível de emprego.

Na década de 1990, nós não podíamos nem fazer greve por conta do desemprego alto. Com Lula e Dilma, tudo mudou.

Recentemente, você se reelegeu presidente do Sindicato dos Bancários de SP. Na sua campanha à reeleição, o tema sucessão presidencial constou de sua plataforma? Ou seja: quando você fala na sua posição política pessoal, o apoio à sua reeleição significa que a categoria bancária concorda com ela?

Nossa chapa foi reeleita com 82% dos votos. Então, a categoria bancária nos conhece, sabe das nossas posições políticas.

Qual é o contingente de bancários paulistas sindicalizados?

Nós temos 130 mil bancários, em São Paulo. Sindicalizados, incluindo aposentados etc., são mais de 60 mil. E se não fossem as demissões no setor nós teríamos muito mais associados ao sindicato. A rotatividade no setor impede que cresça mais o contingente de trabalhadores sindicalizados.

Você já me respondeu qual é a sua posição política e disse que tal posição é compartilhada ao menos pelos 82% da categoria que votaram em sua candidatura. Agora, estamos vendo uma ascensão muito forte da candidatura Marina Silva. Como os bancários enxergam a possibilidade de ela se eleger presidente?

Entendemos que o projeto de Marina não tem nem os mesmos compromissos do projeto de Dilma e tampouco condições políticas de implementar suas propostas, ainda que nós discordemos de grande parte dessas propostas.

Qual é a nossa crítica às outras candidaturas com chances na eleição? É o que essas candidaturas representam. No caso de Marina, inclusive, falta força política para realizar tanto o que apoiamos quanto o que não apoiamos em suas propostas.

Que medidas a Marina poderia tomar que você considera que seriam danosas? Por exemplo, a anunciada independência do Banco Central. Como é que os bancários veem uma medida dessas, que teria tanto impacto no setor de vocês?

Historicamente (desde 1992), os bancários têm uma posição contrária à autonomia do Banco Central. O governo tem que fazer política econômica e a autonomia retira dele essa possibilidade.

A independência do BC interfere no emprego ao interferir na política industrial, na política de câmbio. Aliás, nem nos Estados Unidos você tem um Banco Central independente.

O que você acha de Marina ter o banco Itaú dentro de sua campanha?

Acho que é o Itau que está na campanha de Marina, não só a sua dona. Todos têm lido as críticas públicas que o Itaú, enquanto instituição, faz ao governo e à política econômica da presidente Dilma.

Já faz mais de um ano que o economista-chefe do Itaú tem feito críticas à política econômica e tem oferecido “soluções” que propõem desemprego e recessão para combater a inflação, por exemplo.

Os bancos ganham com políticas de combate a inflação nos moldes que o itaú propõe porque essas políticas se baseiam quase exclusivamente em aumentar os juros que esses bancos cobram.

O Itaú foi multado pesadamente por sonegação de impostos e com a anuência do governo Dilma. Você acha que essa multa tem alguma relação com a posição política que o banco adotou?

Não sei se foi só por isso, mas é claro que a multa pesou. Mas é, também, porque o banco não gosta da política econômica de Dilma. Sobretudo a forte redução da taxa Selic até o ano passado, mesmo que depois tenha subido.

Por que o governo multou o Itaú em 18 bilhões de reais?

Por causa da fusão com o Unibanco. Nesse processo de fusão, em resumo, tem sonegação, tem cálculo errado dos impostos a pagar, mas cabe recurso da multa.

Um banco como o Itaú, que está tendo tanta influência na campanha eleitoral, que está bancando Marina Silva, como é que essa instituição se relaciona com os trabalhadores que contrata?

O banco que mais tem dado problema ao sindicato dos bancários nos últimos anos tem sido o Itaú por conta do grande número de demissões que fez. Se a gente olhar os últimos três anos, o Itaú eliminou 17 mil postos de trabalho. Em 2004, tinha 104 mil trabalhadores e tem hoje 87 mil. Isso apesar de o lucro que teve no primeiro semestre ter crescido 33% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o banco que mais demitiu.

Essa conduta do Itaú de demitir tanto é só dele ou é do sistema bancário?

Se você olhar os últimos anos, o Itaú foi o banco mais agressivo em termos de demissões. Repito: é o banco com o qual o sindicato mais teve problemas. E, depois do Itaú, o banco que mais demitiu foi o Santander.

A corrida ao Planalto no meio do tsunami


Por Anna Beatriz Anjos e Glauco Faria, na revista Fórum:

Nesta semana, o que já se prenunciava tomou forma. Se o Instituto Datafolha, antes mesmo da oficialização da candidatura de Marina Silva (PSB), apontava para seu crescimento nas intenções de voto no dia 18 de agosto, a pesquisa do Ibope divulgada na terça (26) veio evidenciar sua força eleitoral. Com menos de uma semana de campanha, a ex-senadora atingiu 29% de intenções de voto e conseguiu ultrapassar Aécio Neves (PSDB), que apareceu com 19%, além de praticamente se equiparar a Dilma Rousseff (PT), que ficou com 34%. Outro levantamento, realizado pelo Instituto MDA e encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), reiterou o cenário.

Mas foi na sexta-feira (29) que os percentuais de Marina se mostraram ainda mais impactantes. O Datafolha indicava um empate entre a pessebista e Dilma, que têm 34 pontos, e uma queda mais acentuada de Aécio, que despencou para 15. Em um possível segundo turno, a pessebista superaria a petista por 50% a 40%. Pela primeira vez desde 1989 o PSDB está próximo de ficar de fora das duas primeiras colocações na disputa presidencial.

Irreversível ou não, a ascensão da ex-ministra de Lula é ameaçadora para todos os seus rivais, mas é devastadora para Aécio. Enquanto Dilma oscilou dois pontos, dentro da margem de erro, o peessedebista perdeu cinco, um quarto do seu potencial eleitorado em 11 dias. A candidata conquistou também parte dos brancos e nulos, que antes contabilizavam 8%, e agora são 7%; e os indecisos, que passaram de 9% para 7% das intenções de voto. Marina influenciou, ainda, o desempenho dos demais presidenciáveis, que, somados, perderam dois pontos.

A má notícia para Aécio é que o levantamento do MDA/CNT mostra que sua derrocada ainda pode continuar. Aproximadamente três quartos dos eleitores de Dilma (76,9%) e de Marina (74,1%) afirmam ter seu voto definido, índice que baixa entre os eleitores de Aécio (64,2%). Ele é apontado ainda como terceira possível opção entre os indecisos, que cogitam votar na ex-senadora (28,8%), na atual presidente (22,6%), com o tucano aparecendo em seguida, (20,7%).

“Muito do voto do Aécio é um voto anti-PT, anti-Dilma. Ela capta voto tanto dos descrentes, quanto dos antipetistas de maneira geral, inclusive dos tucanos convictos”, aponta Benedito Tadeu César, cientista político e diretor do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais. “Além disso, ao apresentar seu esboço de governo, até para diminuir a resistência do empresariado ela está se aproximando do ideário do PSDB. Então, é natural que uma boa parcela desse eleitorado, quando vê que seu candidato tem pouca chance, migre para ela”, finaliza.

Para o analista, a campanha do PSDB precisa trabalhar para tentar desconstruir a candidatura de Marina. “Tem que fazer isso de maneira muito bem feita, senão ela pode se tornar vítima, tanto pela morte de Eduardo Campos, como por sua postura histórica”, avalia. Ainda de acordo com César, a campanha de Aécio tem realizado pouco nesse sentido – concentra seus esforços em combater o PT.

Segundo Denilde Holzhacker, cientista política e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a bandeira da mudança empunhada por Aécio não o torna uma alternativa à política partidária, da qual parcela do eleitorado se mostra tão descrente. “Ele até estava conseguindo, mas quando surgiu a questão da pista de Cláudio, passou a ser como todos os outros”, analisa. A cientista política acredita que, a partir momento em que as suspeitas começaram a ser levantadas, público passou a enxergar o tucano de outra maneira. “Ele não consegue ter credibilidade junto a esse eleitor que busca a mudança”, explica.

A grande diferença entre o tucano e Marina, nesse sentido, é que a criadora da Rede de Sustentabilidade parece estar acima de instituições ou estruturas partidárias, enquanto o neto de Tancredo ainda é visto como um político tradicional. “A ‘solução’ que o eleitorado está encontrando é apostar em um novo messias. Já ocorreu isto com Jânio Quadros, depois do ciclo varguista-juscelinista e do desenvolvimento e ascensão social ocorridos no período e do ‘mãe de lama’. Ocorreu também com Collor de Mello, depois da ditadura e da inflação desenfreada do governo Sarney. Tanto Jânio quanto Collor eram ‘salvadores da Pátria’ e iam acabar com a corrupção e governar com os ‘bons’”, comenta César.

Eleições de 2002: uma esperança para Aécio (e Dilma)?

Matéria da revista Época do dia 18 de agosto dizia que alguns líderes tucanos começavam a comparar as dificuldades encontradas por Aécio Neves nas atuais eleições com aquelas enfrentadas por José Serra em 2002. Diante de uma situação inédita como a que lançou Marina Silva à presidência, encontrar algumas referências é importante, mas é preciso ressaltar as semelhanças e diferenças entre os dois cenários.

Em 2002, José Serra defendia um governo impopular, o de Fernando Henrique Cardoso, que, logo após assumir seu segundo mandato em 1999, promoveu uma desvalorização cambial que afetou duramente a economia – elevou as taxas de juros em março do mesmo ano ao seu maior patamar histórico, 45%. E a taxa de desemprego, que chegou ao maior índice medido pelo IBGE em novembro de 1999, 8%, era a principal preocupação que rondava a cabeça dos brasileiros.

Serra fez uma campanha descolada do então presidente, apostando nos próprios méritos como ministro da Saúde, ou seja, algo muito distinto do que enfrenta Aécio hoje. A semelhança ocorre justamente quando se lembra que, em um dado momento da corrida ao Planalto, o candidato do PPS, Ciro Gomes, ultrapassou o tucano, apresentando quase o dobro de suas intenções de voto e se aproximando do então líder das pesquisas, Lula.

A “onda Ciro Gomes” teve início em junho, quando ele conseguiu sair de um patamar de 11%, em pesquisa Datafolha realizada no dia 7 de junho, para 28% em 30 de julho. Àquela altura, ficou em segundo lugar, 5% atrás de Lula e derrotando o petista na simulação do segundo turno, por 48% a 44%. No entanto, a partir do início do horário eleitoral gratuito, a candidatura do ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda do governo Itamar desmontou.

Como mostra este artigo do doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Yan Carreirão, “dentre os principais motivos para a queda, pode-se salientar: a campanha negativa de Serra (no 1º debate, em 4 de agosto e desde o início do HPEG, em 20 de agosto), mostrando afirmações de Ciro que não corresponderiam à verdade (o salário mínimo quando Ciro foi Ministro da Fazenda, em 1994, não teria sido de US$ 100 e Ciro não teria cursado apenas escola pública, como afirmava), de modo a associá-lo a uma imagem de mentiroso. A propaganda de Serra mostrava também declaração de Ciro chamando eleitores de ‘burros’, tentando associá-lo à imagem de destemperado; da mesma forma, houve declarações infelizes do candidato, especialmente quanto ao papel de Patrícia Pilar em sua campanha. Tudo isso contribuiu para minar sua credibilidade junto a parcela do eleitorado”.

A campanha negativa de Serra e o próprio comportamento de Ciro a receber os ataques levou sua candidatura ao patamar de 11,79% dos votos válidos nas urnas, menos da metade da votação do peessedebista e atrás também de Anthony Garotinho. Por enquanto, críticas a Marina Silva são pontuais, com a presidenta Dilma respondendo a declarações da pessebista e Aécio apelando para a falta de experiência administrativa. O jogo pesado fica a cargo das redes sociais, onde perfis e páginas conservadoras acusam Marina de ser “petista”, associando-a às figuras de Lula e Dilma. Adversários em geral abordam ainda temáticas como a questão do uso do jatinho da campanha do PSB, suas propostas ortodoxas para a economia ou o seu suposto fundamentalismo religioso. Nada, por enquanto, pegou.

A imagem, as contradições e o programa de Marina

Apesar de forte e bem construída, a imagem de Marina pode ser desgastada por meio das contradições de sua candidatura. Seu passado de luta pelas causas ambientais entra em confronto com seu vice, Beto Albuquerque (PSB), ligado ao agronegócio, e um dos pilares de seu discurso é a intenção de “unir o Brasil”, conversar com pessoas e não com partidos, e trazer para sua administração “os melhores” de cada legenda. Vale lembrar que, quando ministra de Lula, Marina era conhecida justamente pela falta de disposição para o diálogo.

Há ainda outros pontos a serem atacados pelos rivais. “Uma de suas fragilidades é a falta de experiência administrativa, [de conhecimento da] máquina pública”, indica Denilde Holzhacker. “Outro problema é a base. Ela começou com o PSB de forma complicada. Vai ter que articular mais do que fez até agora”, considera.

Antes mesmo da ex-senadora assumir oficialmente sua candidatura à presidência choveram críticas e questionamentos a seu respeito. Ela poderia representar entraves ao desenvolvimento econômico por conta das posturas adotadas quando esteve no governo Lula, também enfrentaria desconfiança por parte do agronegócio e mesmo de setores da elite econômica, que só enxergaria nela uma escada para garantir a existência de um segundo turno entre Dilma e Aécio. Além disso, suas posições religiosas seriam um obstáculo a mais para questões que encontram dificuldade para serem sequer debatidas no âmbito da política nacional, como os direitos da população LGBT e o combate à homofobia.

Em seu programa de governo divulgado na sexta-feira (29), a candidata parceia buscar responder a todos os questionamentos e ataques, surpreendendo pela assertividade. Entre os principais pontos estavam o apoio a propostas em defesa do casamento civil igualitário; articulação no Legislativo em prol da votação do PLC 122/06, que criminaliza a homofobia; compromisso com a aprovação do projeto de lei da Identidade de Gênero Brasileira que regulamenta o direito ao reconhecimento da identidade de gênero das pessoas trans e eliminação de obstáculos à adoção de crianças por casais homoafetivos.

Contudo, na manhã deste sábado (30), a candidata divulgou uma “nota de esclarecimento” fazendo referência somente ao capítulo LGBT. “Em razão de falha processual na editoração, a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos distribuídos aos veículos de comunicação incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT”, diz o texto, divulgando novos pontos a respeito do tema.”

Na “correção”, aparecem questões como “garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo”, quando o trecho divulgado ontem dizia: “Defesa do casamento civil igualitário, com vistas à aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil”. O termo “casamento” some na nova versão.

Em geral, os itens se tornam menos específicos. Naquilo que era uma referência direta ao kit do programa Escola sem Homofobia, que o governo Dilma desistiu de distribuir após pressão da bancada evangélica, o texto divulgado ontem defendia o combate ao “bullying, à homofobia e ao preconceito no Plano Nacional de Educação, desenvolvendo material didático destinado a conscientizar sobre a diversidade de orientação sexual e às novas formas de família”. A versão corrigida é genérica e diz: “Incluir o combate ao bullying, à homofobia e ao preconceito no Plano Nacional de Educação”, sem citar a elaboração de material didático.

Também consta no programa um aceno vivo ao mercado financeiro, como na crítica à ampliação da participação dos bancos públicos na concessão de crédito no Brasil, efetivada nos governos do PT. “Os subsídios ao crédito agropecuário e aos programas de habitação popular deverão continuar, mas com maior participação dos bancos privados, evitando subsídios não computados e ineficiências na alocação”, diz trecho do programa.

Para José Paulo Kupfer, em análise feita no jornal O Estado de S.Paulo, “há, nos pontos principais da política macroeconômica, uma clara convergência entre o exposto no programa de governo de Marina Silva e as diretrizes defendidas por Aécio Neves, que replicam ações empreendidas sobretudo no segundo mandato de FHC e formam o atual ideário econômico do PSDB”. Ele questiona como será possível conciliar as ações de princípios liberais com propostas na área social que exigem gastos públicos, como aumento de investimentos em Saúde e Educação e aumento do número de beneficiários do Bolsa Família. “Fica a impressão de que, se papel aceita tudo, papel com programas eleitorais aceitam ainda mais. Diante da austeridade fiscal proposta, nem mesmo um crescimento em escala chinesa desde o início de seu governo permitiria fechar a conta”. São contradições que Marina terá que responder no debate que promete esquentar nos próximos dias.

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As impressões do primeiro debate

Esta semana trouxe outro elemento para acirrar os ânimos da corrida ao Palácio do Planalto: o primeiro debate entre os candidatos. Promovido pela TV Bandeirantes, na última terça-feira (26), o evento confrontou, durante três horas, os sete concorrentes cujos partidos têm representação no Congresso Nacional: além de Dilma, Aécio e Marina, participaram Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (Psol), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB).

A grande surpresa da noite foi Eduardo Jorge. Nas pesquisas, ele não emplaca: tanto o Ibope, quanto o Instituto MDA e o Datadolha revelam que ele não atinge nem 1% das intenções de voto. Mas, na afronta aos outros presidenciáveis, levantou temas polêmicos, como o aborto: “O senhor concorda com que 800 mil mulheres sejam tratadas como criminosas por interromper a gravidez?”, perguntou a Aécio Neves em um dos confrontos diretos. Seu comportamento irreverente – chegou até a ser comparado a Plínio de Arruda Sampaio, o showman das eleições de 2010 – o transformou em memes pela internet. Sua página no Facebook, que antes do debate era curtida por cerca de duas mil pessoas, ganhou mais de 20 mil fãs.

Embora tenha roubado a cena, quem se saiu melhor para o eleitor não foi Jorge. “Quem surpreendeu foi a Marina. Ela deu respostas mais incisivas, contundentes”, avalia Denilde Holzhacker, referindo-se às ofensivas de Silva em relação a seus oponentes, sobretudo, à Dilma. Na tentativa de desqualificar o discurso da petista, ela criticou a forma com que descreve a realidade brasileira: “Esse Brasil colorido e cinematográfico de que a presidenta fala não existe. Há descrença na política. Não existe mudança política, que virou troca de ministros e de tempo de televisão. Nós vivemos uma situação de penúria na saúde e na educação”.

Marina atacou ainda o método de gestão da presidenta, chamando-a de “gerente”. “Um dos graves problemas da gerência é ver o Estado refém, um toma-la-dá-cá de favores”, declarou. Aos olhos do eleitor, essa postura de ataque pareceu coerente.

Dilma Rousseff adotou postura mais defensiva. “Ela estará sempre em desvantagem nos debates. Pelo fato de ser governo, é alvo de todos. Tem que enfrentar os outros seis, não tem nenhum aliado, são todos contra”, considera Benedito Tadeu César. Para ele, no entanto, a presidenta estava munida de números e conseguiu expor os feitos de seu governo. “Ela não é uma figura simpática. Dentro das circunstâncias, se saiu muito bem. Não cometeu nenhuma gafe. A resposta da Petrobras me pareceu boa”, explica, aludindo ao embate com Aécio Neves.

Já o tucano, apesar da capacidade retórica e de articulação, poderia ter sido mais direto em suas propostas. “Dos três, Aécio foi o candidato que mais decepcionou”, destaca Holzhacker. “Justamente porque ele precisava ter uma postura mais parecida com a da Marina, assumindo o discurso de que é a liderança mais apta a conduzir o país.” Segundo a cientista política afirma, o peessedebista acertou em alguns momentos, como na defesa do governo de Fernando Henrique Cardoso. Ainda assim, faltou contundência. “Não tenho certeza se o eleitor conseguiu captar o que ele será como presidente”, pontua.

sábado, 30 de agosto de 2014

Dilma na Bahia recebendo apoio do Oludum e da população negra

Educação é a principal ferramenta do governo para valorização da população negra

EDUCAÇÃO É A PRINCIPAL FERRAMENTA DO GOVERNO PARA VALORIZAÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA

Durante visita à sede do Olodum, no Pelourinho, a presidente Dilma Rousseff falou sobre as políticas de afirmação para a população negra criadas pelo governo federal nos últimos 12 anos. Em seu discurso, Dilma destacou que o Brasil, em 2010, reconheceu que era dominantemente de origem afrodescendente quando o brasileiro pode se declarar negro no censo.
“Isso é uma prova de orgulho. Esta conquista é uma conquista eminentemente dos movimentos negros. É uma conquista da afirmação dos movimentos negros.” disse a presidenta no fim da tarde desta sexta-feira (29), na Bahia.
A população afrodescendente é beneficiada, sobretudo, por ações no campo da educação. A Lei de Cotas nas Universidades e o Pronatec – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego estão abrindo as portas de um futuro melhor para uma parte do povo brasileiro que estava esquecido antes dos governos Lula e Dilma.
Hoje, 65% dos alunos do Pronatec são negros; cerca de 55% são mulheres; e 60% são jovens. “Há uma determinação das pessoas negras em estudar, em aproveitar as oportunidades, em avançar e ir atrás”, ressaltou a presidenta.
CotasA Lei de Cotas para o Ensino Superior foi aprovada em agosto de 2012 e destina 50% das vagas nas universidades federais para quem cursou integralmente o ensino médio em escolas públicas. Na prática, as vagas são distribuídas entre negros, pardos e indígenas, de acordo com a composição étnica da população em cada estado.
“A educação é a forma principal de inclusão social, além da renda. Ao estabelecer que tem de ter 50% de pobres e negros (nas universidades) e garantir que aqueles que são da escola pública tenham direito a esta cota, a educação muda o perfil da universidade brasileira, que era eminentemente branca. A universidade tem que refletir a cor do Brasil, que é o negro, o índio e o branco”, afirmou Dilma.
A quantidade de universitários pardos, entre 18 e 24 anos, saltou de 2,2%, em 1997, para 11% em 2012. Já a de negros pulou de 1,8% para 8,8%, nos mesmos anos avaliados. Os números são do Ministério da Educação (MEC), divulgados no ano passado.
Este ano, a presidenta Dilma Rousseff promulgou a lei que reserva aos negros 20% das vagas nos concursos públicos federais. A lei assegura o mérito como condição necessária para o ingresso no serviço público federal. Os candidatos negros deverão ser aprovados segundo os critérios de edital, alcançando a pontuação estabelecida e outros requisitos. Apenas a ordem de classificação será alterada, privilegiando os candidatos negros.
“Os 20% é só para negros. Esta legislação é um instrumento para esta ação afirmativa em relação à população negra”, avalia Dilma Rousseff.
DesafiosDilma Rousseff disse que quer acabar com a violência contra a jovens negros e o racismo dentro do futebol. “Temos que acabar a morte sistemática de jovens negros. (…) E o racismo no futebol está virando uma praga, esta é outra esfera que nós teremos que atuar”, disse a presidenta.
O programa Juventude Viva é uma das iniciativas governamentais que tem este desafio. No segundo mandato, a iniciativa terá especial atenção. “De especial importância para o futuro de nosso Brasil, é o enfrentamento da violência contra jovens negros e para isso fortaleceremos e ampliaremos o Programa Juventude Viva”, registra o Programa de Governo.