quinta-feira, 14 de agosto de 2014

ARNALDO JABOR: UMA VEZ PATIFE, SEMPRE PATIFE

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Candidato à presidência Eduardo Campos morre aos 49 anos

Zero Hora

Avião que levava o político caiu em Santos na manhã desta quarta-feira


Candidato à presidência Eduardo Campos morre aos 49 anos Tadeu Vilani/Agencia RBS
Eduardo Campos morreu nesta quarta-feira, aos 49 anosFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
O candidato à presidência da República Eduardo Campos, que disputava as eleições pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), morreu na manhã desta quarta-feira, apósacidente de avião em Santos, no litoral de São Paulo. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do partido.
Além do candidato, também morreram no acidente aéreo em Santos Pedro Valadares Neto, ex-deputado e assessor particular do candidato; Carlos Augusto Percol Filho, assessor de imprensa; Marcelo de Lyra, cinegrafista, e Alexandre Gomes e Silva, fotógrafo. Os pilotos da aeronave Geraldo da Cunha e Marcos Martins também faleceram.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá, no litoral de São Paulo. "Quando se preparava para pouso, o avião arremeteu devido ao mau tempo", diz a nota. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave. Além disso, a Aeronáutica já iniciu investigações para apurar o que teria causado o acidente.
Um morador de Santos publicou um vídeo feito logo após o acidente:
Nesta terça-feira, Eduardo Campos deu entrevista ao Jornal Nacional. Na sabatina, o candidato foi questionado sobre suas principais promessas – como escola em tempo integral, passe livre para estudantes do ensino público, aumento dos investimentos em saúde para 10% das receitas da União e multiplicar por 10 o orçamento para segurança. Campos afirmou que só tinha uma promessa de campanha: "melhorar a vida do povo brasileiro".
Nascido em Recife (PE) em 1965, Eduardo Henrique Accioly Campos era neto de um dos mais influentes líderes da esquerda nacional, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Iniciou a militância política durante a faculdade de Economia, quando presidiu o diretório acadêmico do seu curso na Universidade Federal de Pernambuco. Ingressou no PSB em 1990, acompanhando o avô, com quem trabalhava. Elegeu-se deputado estadual neste mesmo ano.
No Twitter, a Rede Sustentabilidade, partido da vice Marina Silva, publicou uma mensagem lamentando a morte do candidato:
Jato com Eduardo Campos cai no litoral paulista, diz assessoria Tassio Ricardo/Arquivo Pessoal
Foto do local do acidente, feita logo após a queda do avião em que Eduardo Campos estava (Tassio Ricardo / Arquivo pessoal)
Em 1994, foi eleito deputado federal pela primeira vez (reelegeu-se em 1998 e 2002). Entre 1995 e 1998, esteve licenciado do mandato para trabalhar como secretário estadual de Governo e depois da Fazenda no governo de Miguel Arraes.

Uma das principais lideranças da base do governo Lula no Congresso, Campos foi chamado para comandar o Ministério de Ciência e Tecnologia e ficou no cargo entre 2004 e 2006. Em 2005, foi eleito presidente nacional do PSB.
Campos elegeu-se governador de Pernambuco em 2006. Conquistou a reeleição quatro anos depois. Em 2013, tendo em vista as eleições deste ano, o pernambucano, que era um dos principais aliados do PT em nível nacional, anunciou a aliança com o movimento Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, para lançar chapa independente e concorrer ao Planalto.
Confira as informações ao vivo sobre a morte de Eduardo Campos:

O jato caiu no bairro Boqueirão, na região central de Santos, veja em mapa:
Dilma Rousseff e Aécio Neves cancelam agenda e suspendem campanha
A presidente Dilma Rousseff decidiu suspender atividades de campanha por três dias ao ser informada da morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. A informação foi passada há pouco pelo comitê de campanha da presidente. Segundo a assessoria, na haverá atividades nós próximos três dias em Brasília e nenhum outro Estado.
Ainda não há definição sobre a participação da presidente no Jornal Nacional, da TV Globo, que estava programada para hoje, mas a agenda também deve ser cancelada. Dilma avalia ainda se fará algum tipo de pronunciamento, como presidente, sobre o acidente. 
O candidato ao governo do Estado de São Paulo, Alexandre Padilha (PT), lamentou a notícia sobre o falecimento do ex- governador Eduardo Campos.
– Infelizmente acabei de ser avisado. É uma tragédia. O ex-governador Eduardo Campos foi meu colega durante o governo do presidente Lula, conheço a esposa, os filhos, vou suspender qualquer outra agenda. Temos que dar conforto à família – disse, ao fazer uma visita de campanha em um hospital na Penha, zona leste de São Paulo.


http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/eleicoes-2014/noticia/2014/08/candidato-a-presidencia-eduardo-campos-morre-aos-49-anos-4574158.html

Polícia fecha laboratório de refino de drogas em Cláudio, MG

22/11/2013 08h54 - Atualizado em 22/11/2013 09h54


Cocaína e maconha foram encontradas em casa abandonada.
Ocorrência foi no Distrito de Monsenhor João Alexandre; ninguém foi preso.

Do G1 Centro-Oeste de Minas
Materiais apreendidos no laboratório  (Foto: Polícia Militar / Divulgação)Materiais apreendidos no laboratório
(Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Um laboratório de refino de drogas foi desarticulado na noite desta quinta-feira (21) emCláudio. De acordo com informações da Polícia Militar (PM), após denúncia anônima os militares foram até o local, que funcionava em uma casa abandonada no Distrito de Monsenhor João Alexandre. Lá foram apreendidos três balanças de precisão, embalagens com produtos químicos utilizados para o refino de drogas,  200g de pasta base de cocaína e aproximadamente 500g de maconha prensada.
Não tinha ninguém no local, mas populares contaram à polícia que havia uma movimentação estranha no imóvel, que foi alugado por duas pessoas há poucos dias. Todo material apreendido foi encaminhado para a delegacia. Os suspeitos foram identificados e estão sendo investigados. Segundo a PM, um deles é conhecido no meio polícial pela prática de crimes de tráfico de drogas e assaltos.
http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2013/11/policia-fecha-laboratorio-de-refino-de-drogas-em-claudio-mg.html

domingo, 10 de agosto de 2014

Sob a bandeira de Lênin



Do Portal Vermelho

Carlos Pompe *

EM 7 NOVEMBRO DE 1917 (25 DE OUTUBRO, PELO ANTIGO CALENDÁRIO

 RUSSO), FOI ABERTO, EM MOSCOU, O 2º CONGRESSO DOS SOVIETES E 

VLADIMIR LÊNIN, PRINCIPAL LÍDER DO PARTIDO BOLCHEVIQUE, FOI ELEITO 

PRESIDENTE DO CONSELHO DOS COMISSÁRIOS DO POVO. PELA PRIMEIRA

 VEZ, OS MARXISTAS ALCANÇAVAM O PODER.


Além das mudanças radicais que aconteceram no território russo e, depois, na União 

das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, mais tarde, nos países do Leste
 europeu e alguns da Ásia, a Revolução Russa influenciou o pensamento progressista de
 todo o mundo – mesmo onde nunca os revolucionários chegaram ao poder. Na esteira de
 seu sucesso, partidos foram fundados em inúmeros países, seguindo o modelo proposto 
por Lênin. Inclusive em nosso país, onde, apenas 5 anos após aquele evento, foi fundado 
o Partido Comunista do Brasil.

Assim como serviu de inspiração para as esquerdas de todos os continentes, a vitória dos 
bolcheviques também motivou a formação de uma santa aliança direitista que os fustigou 
militar, política, econômica e ideologicamente, dentro e fora de seus domínios, enquanto 
estiveram no poder. A União Soviética, que decorreu da Revolução Russa, deixou de existir
 em 1991 devido, principalmente, às contradições internas no país e no Partido ao longo de
 sua história. Também as outras experiências socialistas europeias deixaram de existir sem
 que isso fosse resultado de alguma invasão armada estrangeira. China, Vietnã, Coreia do 
Norte e Cuba – neste país latino-americano, revolucionários tomaram o poder em 1959 – 
continuam suas experiências de construção nacional tendo à frente partidos que se afirmam 
inspirados no leninismo.

As divergências que ocorreram dentro do Partido de Lênin, em especial após a sua morte
, também influenciaram o movimento progressista mundial. Uniões e dissensões ocorreram,
 e ocorrem, ao longo das décadas, em organizações onde suas lideranças reivindicam a
 fidelidade ao caminho indicado pelo líder da Revolução de 1917.

Neste novembro de 2013, o PCdoB realiza seu 13º Congresso afirmando sua opção por 
forjar um “partido de caráter leninista para a contemporaneidade”. Nas discussões realizadas
 pela militância, em reuniões ou na Tribuna de Debates, todos os manifestantes reafirmaram 
o leninismo, embora com visões diferentes de como ele deva ser aplicado à realidade atual.
 Mas não houve quem renunciasse ao legado de Lênin. Disse o presidente dos comunistas,
 Renato Rabelo: “O PCdoB – nesta fase de sua direção na quarta geração – conseguiu situar
 e determinar, num esforço baseado na teoria marxista-leninista, compreendendo a realidade
do atual período histórico, uma visão que embasa nosso pensamento tático e estratégico, 
definida no conceito: a acumulação estratégica de forças, cujo objetivo é a conquista da 
hegemonia dos trabalhadores e das camadas populares, configurado no poder estatal de 
caráter democrático-popular, visando à transição ao socialismo”.

No Brasil e no mundo, ocorrem inúmeras formas de luta e movimentos de resistência ao
 capitalismo. Mas as orientações das lutas populares são distintas e não há hegemonia
 clara de nenhuma corrente política organizada, declare-se ou não marxista. Mas neles 
atuam também os que marcham sob a bandeira de Lênin . 

Inspira-os as vitórias alcançadas mesmo em momentos tão adversos, como foi a invasão
 da União Soviética pelos nazistas, em 1941. A Revolução Bolchevique completava, então
, 24 anos. Em 7 de Novembro, com os exércitos nazistas às portas de Moscou, Stálin decide 
ficar na capital e resistir ao ataque dos invasores. Como observa o professor Miguel Trujillo, 
“para manter o moral do povo e dos soldados, Stálin decide realizar o desfile anual das tropas
 na Praça Vermelha. Mantido em segredo até o último minuto, os soldados que dele participam
 saem da Praça diretamente para o campo de batalha, onde com certeza grande parte deles 
perdeu a vida. Mas salvou a humanidade dos nazistas. A Batalha de Moscou foi a primeira
 grande derrota dos exércitos nazistas, e parou o avanço alemão na frente leste. A grande
 virada da II Guerra viria ano e pouco depois, com a Batalha de Stalingrado”.

Stálin faz um discurso, que pode ser visto no link abaixo (são 7 minutos de discurso, com 
legendas em espanhol, e 7 minutos de desfile das tropas e seus armamentos) conclamando:
 “Sob a bandeira de Lênin, adiante até a vitória!”
Sigamos.

http://www.youtube.com/watch?v=1j8xakBb3So

Segundo os historiadores, o inverno de 1941 foi o mais frio do século, até então. Fazia - 40º
 Celsius na praça vermelha.


* Jornalista e curioso do mundo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

PSDB, o partido com mais "fichas-sujas" (corruptos) do Brasil


PSDB, o partido com mais "fichas-sujas" (corruptos) do Brasil 

Miguel Baia Bargas

Até o PIG sabe – como mostra a reportagem abaixo publicada noUOL de sábado, dia 8  (2012, agora em 2014 a coisa só aumentou)–, mas finge que não sabe, repercute pouco e maquia a notícia. O PSDB, que a “grande imprensa” considera seus membros os bastiões brasileiros da moral, dos bons costumes e da anticorrupção, é o partido que tem mais pessoas fichas-sujas entre os candidatos a prefeito no Brasil.

O número deve aumentar, já que em 16 tribunais ainda há casos a serem julgados. Na divisão por partido, o PSDB é o que possui a maioria dos fichas-sujas, com 56 candidatos – o equivalente a 3,5% dos tucanos que disputam uma prefeitura; o PMDB vem logo atrás com 49; e o PT aparece na oitava posição, com 18 – 1% do total de seus postulantes a prefeito.

Como dizem por aí, FHC comprou a reeleição, comprou o PMDB, manipulou as pesquisas com o beneplácito da imprensa, mas escândalo é o “mensalão”. O “mensalão do PT”, claro. Porque o mensalão mineiro encabeçado por Eduardo Azeredo (PSDB/MG) e a privataria tucana não existem. É aquela velha máxima: “Se o PIG não repercutiu, a notícia não existe”.

Daniel Carvalho e Valmar Hupsel Filho

Os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) barraram até agora a candidatura a prefeito de 317 políticos com base na Lei da Ficha Limpa, mostra levantamento da Folha nos 26 Estados do País.

O número deve aumentar, já que em 16 tribunais ainda há casos a serem julgados. Entre esses fichas-sujas, 53 estão no Estado de São Paulo.

Na divisão por partido, o PSDB é o que possui a maior “bancada” de barrados, com 56 candidatos – o equivalente a 3,5% dos tucanos que disputam uma prefeitura. O PMDB vem logo atrás (49). O PT aparece na oitava posição, com 18 – 1% do total de seus postulantes a prefeito.

Todos os candidatos barrados pelos tribunais regionais podem recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A presidente do tribunal, Cármen Lúcia, já disse que não será possível julgar todos os casos antes das eleições, mas sim até o final do ano, antes da diplomação dos eleitos.

Os nomes barrados pelos TREs irão aparecer nas urnas eletrônicas, mas todos os seus votos serão consideradossub judice até uma eventual decisão no TSE.

Exemplo: se o ficha-suja tiver mais votos, mas seu recurso for rejeitado, assume o segundo colocado na eleição.

Entre os barrados, destacam-se o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP/PE) e a ex-governadora Rosinha Garotinho (PR/RJ).

Severino tenta se reeleger prefeito de João Alfredo (PE) e foi enquadrado na lei por ter renunciado ao mandato de deputado federal, em 2005, sob a acusação de ter recebido propina de um concessionário da Câmara.

Já Rosinha Garotinho, atual prefeita de Campos (RJ), teve o registro negado sob a acusação de abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação durante as eleições de 2008.

A maioria dos barrados foi enquadrara no item da Lei da Ficha Limpa que torna inelegível aqueles que tiveram contas públicas rejeitadas por tribunais de contas.

De iniciativa popular, a lei foi sancionada em 2010, mas só passa a valer na eleição deste ano. A lei ampliou o número de casos em que um candidato fica inelegível – cassados, condenados criminalmente por colegiado ou que renunciaram ao cargo para evitar a cassação.

“A lei anterior era permissiva demais”, disse Márlon Reis, juiz eleitoral e um dos autores da minuta da Ficha Limpa. Para André de Carvalho Ramos, procurador regional eleitoral de São Paulo, os próprios partidos vão evitar lançar fichas-sujas.
http://novobloglimpinhoecheiroso.wordpress.com/2012/09/08/adivinhe-qual-e-o-partido-lider-de-candidatos-com-fichas-sujas/

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Direito de resposta e crimes da mídia


Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

A exatos dois meses das eleições, a polêmica em torno do direito de resposta já apareceu nas páginas dos grandes jornais – em apenas dois dias, a Folha de S. Paulo publicou três matérias envolvendo o assunto. Apesar de contar com legislação específica para o período eleitoral, o tema segue sem regras definidas para que o benefício seja garantido a todos os cidadãos brasileiros.

Histórias como a do padre paulistano Júlio Lancellotti e a do ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que tiveram suas reputações colocadas em xeque mesmo considerados inocentes após os julgamentos de seus respectivos casos, mostram o quão prejudicial pode ser a falta de espaço e voz para que os cidadãos se defendam de ofensas, calúnias e difamações veiculadas na mídia.

Para Lancellotti, pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no tradicional bairro da Mooca, em São Paulo, “com a mesma rapidez que a imprensa constrói e consagra uma história ou um cidadão, ela os destrói”. O seu caso remete ao ano de 2007, quando a polícia civil de São Paulo abriu inquérito a fim de apurar uma denúncia de extorsão feita pelo padre: ele era forçado a pagar enormes quantias em dinheiro a um ex-detento da Fundação Casa sob ameaça de ser denunciado à imprensa por abuso sexual.

No dia 23 de maio de 2011, Anderson Batista e Conceição Eletério, casal responsável pelo esquema de extorsão, foram condenados pela Justiça a partir de imagens registradas em câmera que flagrou abordagem violenta ao padre. Mas para Lancellotti a repercussão deste fato nos meios de comunicação foi bem mais discreta que o “apedrejamento” promovido contra ele anteriormente, sem que pudesse fazer uso do direito de resposta.

“Quando denunciei o esquema e sofri acusações de pedofilia”, recorda Lancellotti, “a imprensa fez um acampamento em frente à minha casa e instalou um verdadeiro inferno”. Ele descreve os artifícios usados pelas equipes de reportagem, ansiosas por flagrá-lo em situação constrangedora:

“Chegaram a colocar um adesivo em cima da campainha de minha casa, de forma que ela não parasse de tocar e eu tivesse que sair, irritado, para desligá-la”, lembra, acrescentando que “também sacudiam o portão e jogavam restos de lanche”. Mesmo com sua absolvição, Lancellotti, conhecido por ser um histórico defensor dos moradores de rua, salienta que a cicatriz do “linchamento midiático” que sofreu é irreversível.

Em relação ao direito de resposta, ele afirma que, “para não ser injusto”, um ou outro veículo o procurou para escutá-lo, mas até mesmo cartas de personalidades renomadas brasileiras, em sua defesa, foram ignoradas pelos grandes jornais. “Quanto ao direito de resposta propriamente dito, acredito que é uma ilusão. Buscá-lo na Justiça é complicado e, até lá, a grande mídia publica o que ela quer e do jeito que bem entende”, dispara.

O caso do soteropolitano Orlando Silva, por sua vez, ilustra como a ausência do direito de resposta também atinge o mundo da política, no qual “os meios de comunicação guardam interesses próprios, tanto econômicos quanto ideológicos”. Em 19 outubro de 2011, a revista Veja publicou reportagem de capa acusando o então ministro do Esporte de receber propina, em plena garagem do Ministério, em Brasília, referente a um esquema de corrupção envolvendo uma organização não-governamental.

A única fonte da revista era João Ferreira Dias, ex-cabo da Polícia Militar com histórico de denúncias vazias contra figuras públicas, além de envolvimento em diversas ocorrências criminosas – em 2013, inclusive, foi preso por receptação em Samambaia, no Distrito Federal.

Ignorando a “ficha suja” da fonte e sem nenhuma evidência das acusações feitas, os grandes meios de comunicação amplificaram a denúncia da revista Veja, repercutindo ostensivamente o caso. A pressão resultou na derrubada

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

As banalidades na cobertura eleitoral


Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

Abandonada há muitos anos pelos pesquisadores, a Teoria Matemática da Comunicação, elaborada em 1948 pelo matemático americano Claude Shannon, voltou a ser aplicada recentemente em estudos sobre as trocas de informações em sistemas digitais. Basicamente, trata-se de mensurar a eficiência do processo de transmissão do valor ou significado de mensagens, quando submetido aos efeitos da entropia, redundância, ruídos e imprevisibilidades.

O assunto é parte central das preocupações de programadores e criadores de aplicativos, que precisam de um máximo de resultado com o menor dispêndio de energia e da capacidade de armazenagem ou manipulação de dados. No entanto, continua sendo um campo de conhecimento desprezado pelos estudiosos da comunicação jornalística, que hipoteticamente deveriam levar em conta a eficiência de suas mensagens, num ambiente cada vez mais afetado pelas probabilidades de interpretação correta do enunciado.

Em muitos congressos de jornalistas, como o recente encontro promovido em São Paulo pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o tema da precisão das informações é comumente situado no processo de coleta dos dados que irão compor uma reportagem. Por isso há sempre uma grande ênfase na organização de bancos de dados e em métodos para análise de valor das informações.

Associar o histórico de eventos semelhantes é tido como um dos métodos mais eficientes para a investigação jornalística. No entanto, quase sempre se ignora que tanto o fenômeno da entropia como seu contrário, a redundância, podem estar presentes na origem, ou seja, nos dados que o investigador vai buscar como sendo sua fonte primária.

Toda informação sofre alguma distorção ao ser retirada de sua origem e transposta para um novo contexto, e por isso se considera que não é a soma de informações que assegura a ordem orgânica do sistema, mas seu potencial de evitar a perversão produzida pela entropia. Por isso se ensina que evitar anomalias na ordem das informações pode ser mais importante do que coletar dados.

Material de campanha

O leitor habituado a abordagens diretas dos assuntos tratados diariamente pela imprensa deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com a análise do jornalismo brasileiro?

Essa questão é respondida de maneira direta e muito mais simples pelo colunista Janio de Freitas (ver aqui) ao analisar o barulho que faz a imprensa brasileira com o fato de que autoridades convocadas a depor na CPI da Petrobras receberam treinamento especial antes de responder as perguntas dos senadores.

O articulista da Folha de S.Paulo observa que perguntas de aliados em comissões de todo tipo são feitas para isso mesmo: para facilitar a vida do depoente e, se possível, neutralizar os ataques dos adversários. Para isso se fazem os ensaios que os profissionais de comunicação chamam de media training – é o mesmo processo pelo qual os assessores de um entrevistado o preparam para tirar proveito das perguntas dos jornalistas.

É claro que esse treinamento é feito com base nas questões que estão em evidência, e que muito provavelmente farão parte dos interrogatórios e debates para o qual se está preparando. Nas entrevistas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, por exemplo, é evidente o estilo recomendado por seus assessores, que criaram para ele o papel do administrador que está sendo constantemente surpreendido pelos fatos desagradáveis e prometendo que tudo será “rigorosamente apurado”.

No caso da Petrobras, como constata Janio de Freitas, o media training apenas mostra que os representantes da oposição não investigam nada – “apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo”.

Na opinião deste observador, é isso e algo mais: oposição e imprensa hegemônica se mesclam em perfeita simbiose, atuando em conjunto para criar constrangimentos ao grupo político que está no poder em Brasília.

O “manchetômetro” da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (citado aqui na sexta-feira, 1/8) demonstra o partidarismo predominante nos principais jornais de circulação nacional.

O jornalismo investigativo, se aplicado objetivamente no cotidiano com o mesmo entusiasmo que desperta nos alegres convescotes de acadêmicos e repórteres aposentados, com certeza ajudaria a imprensa a revelar os vícios da nossa República – em todas as instâncias. Mas o interesse não é investigar: é apenas produzir material de campanha.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A estranha denúncia contra Petrobras


http://pigimprensagolpista.blogspot.com.br/
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Falta sentido à mais recente denúncia sobre a Petrobras.

Não exatamente sobre a Petrobras, aliás. Sobre a CPI que investiga a compra da refinaria em Pasadena.

Segundo a Veja, um vídeo mostraria que os convocados tiveram acesso às perguntas. E teriam se preparado para elas.

A história contada pela Veja tem tons rocambolescos, e adjetivos furiosos. O vídeo, diz a revista, foi gravado por alguém com uma microcâmara escondida numa caneta.

Coisa de Bond. James Bond. Tanto mais que a motivação do autor, sempre segundo a Veja, permanece um mistério.

Bem, ajudar a campanha de Dilma certamente não foi a intenção do dono da caneta espiã.

A fragilidade do alegado escândalo se revela quando você sai da superfície e tenta entender a história.

Você pode perguntar: os convocados a depor tiveram acesso a perguntas de arquiinimigos do PSDB e do DEM?

Não.

Não tiveram.

Numa decisão bizarra para quem defendera a CPI com tanto ardor, tanto o PSDB quanto o DEM decidiram não indicar integrantes para a CPI da Petrobras.

Se tivessem feito, PSDB e DEM teriam absoluto controle sobre as perguntas consideradas cruciais para a compreensão do caso.

Mas abdicaram de participar da CPI, por algum estranho cálculo.

Examinemos agora as questões supostamente antecipadas.

Em qualquer sabatina, você se prepara exaustivamente para responder toda sorte de perguntas.

Isso se chama media training.

Muitas vezes, neste treinamento, há uma figura chamada de “advogado do diabo”. Ele faz a você as perguntas que seu pior inimigo faria.

É uma prática também comum para candidatos quando se preparam para um debate.

Que perguntas sobre o caso Pasadena não teriam sido previstas pelos convocados a depor em sua preparação para o depoimento?

É virtualmente impossível imaginar uma “pergunta surpresa” em situações como aquela.

Não é uma prova de vestibular, em que pode cair uma questão sobre a Revolução Russa ou outra sobre a Revolução Francesa.

Na CPI é um assunto só. E um treinamento competente deixa você preparado para a sabatina.

Um esforço genuíno de investigação jornalística se centraria não nas perguntas, mas nas respostas.

Elas foram inconvincentes? Trouxeram informações erradas? Se sim, quais são as falácias e onde está a verdade?

É um trabalho duro para jornalistas, muito mais árduo que bater bumbo em torno de um vídeo tirado de uma caneta.

Você só entende a opção pelo caminho fácil jornalístico à luz de, simplesmente, tentar gerar um escândalo à beira das eleições.

O objetivo, nestes casos, não é esclarecer o público e sim confundi-lo.

Não tem sido fácil transformar Pasadena num novo Mensalão, ou coisa do gênero.

Empresários e executivos acima de qualquer suspeita como Fabio Barbosa, Jorge Gerdau e Claudio Haddad faziam parte do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra e a chancelaram.

Por que ninguém os entrevista sobre o assunto?

Porque não interessa. Porque não ajudaria naquilo que se deseja: inventar um mar de lama.