sexta-feira, 1 de março de 2013

Ódio: Evangélicos quebram imagens de umbanda no Ri

Evangélicos quebram imagens de umbanda no Rio
Quatro integrantes da igreja evangélica Nova Geração de Jesus Cristo foram presos, acusados de invadir ontem à noite um centro de umbanda no Catete, zona sul do Rio de Janeiro, e quebrar cerca de 30 imagens religiosas, prateleiras e um ventilador (foto). O caso foi registrado na 9ª DP (Catete).

Segundo uma das dirigentes do Centro Espírita Cruz de Oxalá, a advogada Cristina Maria Costa Moreira, 45, cerca de 50 pessoas aguardavam em fila a abertura do atendimento ao público, às 19h, quando Alessandro Brás Cabral dos Santos, Afonso Henrique Alves Lobato, Raimundo Nonato e uma jovem identificada apenas como Dominique chegaram ao local. De acordo com Moreira, eles ofenderam os presentes e forçaram a entrada na casa.

"Eles chegaram dizendo que queriam ver onde estava o demônio e foram direto para o terreiro", conta Celso Quadros, 52, outro dirigente do centro espírita. "Quebraram tudo, inclusive imagens que temos há 40 anos".

A advogada Sílvia Santana, 33, que estava na fila, disse que os evangélicos disseram estar agindo "em nome de Jesus" e acusaram os presentes de "adorar o demônio".


Quatro integrantes da igreja evangélica Nova Geração de Jesus Cristo foram presos, acusados de invadir ontem à noite um centro de umbanda no Catete, zona sul do Rio de Janeiro, e quebrar cerca de 30 imagens religiosas, prateleiras e um ventilador (foto). O caso foi registrado na 9ª DP (Catete).

Segundo uma das dirigentes do Centro Espírita Cruz de Oxalá, a advogada Cristina Maria Costa Moreira, 45, cerca de 50 pessoas aguardavam em fila a abertura do atendimento ao público, às 19h, quando Alessandro Brás Cabral dos Santos, Afonso Henrique Alves Lobato, Raimundo Nonato e uma jovem identificada apenas como Dominique chegaram ao local. De acordo com Moreira, eles ofenderam os presentes e forçaram a entrada na casa.

"Eles chegaram dizendo que queriam ver onde estava o demônio e foram direto para o terreiro", conta Celso Quadros, 52, outro dirigente do centro espírita. "Quebraram tudo, inclusive imagens que temos há 40 anos".

A advogada Sílvia Santana, 33, que estava na fila, disse que os evangélicos disseram estar agindo "em nome de Jesus" e acusaram os presentes de "adorar o demônio".

Estudantes protestam contra Aécio e FHC e são agredidos




Jovens fizeram uma manifestação ao final do ato de lançamento da candidatura de Aécio Neves a presidência da República em BH na última segunda-feira, 25. O palestrante e estrela da noite foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

Do Portal Vermelho


O nostálgico FHC para relembrar seus tempos de presidente recebeu os jovens manifestantes com pancadaria. A União da Juventude Socialista – UJS, Levante Popular da Juventude, Juventude da CTB e da CUT e Movimento Mudança participaram da atividade.

A atividade aconteceu em um luxuoso hotel de Belo Horizonte e contou também com a presença do governador de Minas, o tucano Antônio Anastasia. Contudo, era flagrante a ausência de figurões nacionais do PSDB , o que demostra a falta de força do presidenciável dentro de seu próprio partido. 

Aécio Neves – que em seus governos aumentou a dívida pública do estado em 17%, teve o pior desempenho do PIB dos últimos 30 anos, sucateou os serviços públicos e aumentou as desigualdades regionais – agora quer requentar a herança maldita de FHC e relançá-la com ares de moderno. De moderno Aécio e FHC não tem nada.

A manifestação dos jovens teve o objetivo de demonstrar para os tucanos que em Minas a possível campanha de Aécio não será sem obstáculos. “Diversas organizações de juventude de Minas já estão se articulando para realizar um grande movimento de denúncia da situação em que Minas se encontra. Divulgaremos dentro e fora do estado”, disse Rafael Leal, presidente da União Estadual dos Estudantes e militante da União da Juventude Socialista – UJS.

Os jovens carregavam cartazes com dizeres como “Aécio, soletra a palavra POVO!”, “FHC quebrou o Brasil e Aécio quebrou Minas” e “Tucanos não tem moral para falar do Brasil” entre outros, quando seguranças particulares dos tucanos começaram a rasgar os cartazes e agredir os manifestantes. “Nosso protesto é político e pacífico, mas os tucanos preferiram a violência. Espero que FHC tenha matado a saudade dos seus governos truculentos”, relatou o presidente da UJS-BH, Péricles Francisco. 

Jovens estudantes e trabalhadores estão preparando uma jornada de atividades e manifestações para o mês de março e abril em Minas. “Este foi só o começo. A partir de agora somos presença confirmada em todos os atos públicos de Aécio e Anastasia em Minas. Chega de descaso com o povo mineiro”, afirmou a diretora da UNE e militante da UJS, Luiza Lafetá.
 
Vermelho Minas 

http://www.vermelho.org.br/mg/noticia.php?id_noticia=207088&id_secao=76

Twitter: @vermelhominas

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Jesus Cristo negro...uma possibilidade?






"A Bíblia diz, no capítulo 2 do Livro de Gênesis, que Deus formou o homem à sua imagem e semelhança e o colocou em um local conhecido como 'Jardim do Éden' para a sua sobrevivência. Segundo as Escrituras, o Éden era banhado por um rio que possuía quatro afluentes e um deles era o Eufrates. Este rio está localizado no país atualmente conhecido como Iraque, que fica no Oriente Médio. Dessa maneira, como o senhor explica a imagem branca de Adão, divulgada ao longo dos séculos?"

Conceito:
A raça sob o ponto de vista da semiótica da palavra origina-se da palavra do latim, ratio, que significa sorte, categoria, espécie (MUNAMNGA, 2003, p.01). Porém, sua utilização para designar a categorizar espécies humanas não é uma meraoperação semiótica, este conceito a nosso ver tem um sentido que vai para além da lingüística, ele é Histórico, é ideológico, e social. Porém, reconhecidamente, a utilização da cor da pela para a categorização dos diferentes povos do planeta, esta fortemente relacionada ao período medieval, e a intenção da igreja católica, mais importante instituição do período, em definir a sua relação com o restante do mundo interior e exterior a partir de uma referência: branca,cristã, ocidental. Esta tendência de certa forma foi bastante influenciada pela ocupação da Península Ibérica pelos mouros ao longo deste período, bem como, pelo processo de expulsão destes e retomada dos territórios cristãos por meio das cruzadas. Neste
processo foi instituído pela igreja católica – fundamentada num discurso teológico - um processo de “demonização” destes povos, bem como, de todos aqueles pertencentes a mesma origem – declarados como inimigos dos cristãos – portanto amigos do demônio.

E neste período que assistiremos uma a demonização dos africanos como sinônimo do anticristo, bem como, uma categorização das populações humanas fundadas na cor da pele dos indivíduos.

Para os racistas, que não têm mais como provar que a aparência de Jesus é caucasiana (branca) e européia, isto é uma infame oportunidade para afirmarem a negritude de Jesus, hipocritamente, dando a entender que Ele não era belo, justamente por causa de sua pele escura, ou seja, para Jesus ser negro, Ele tem que ser necessariamente feio.

Bem, nós sabemos que as religiões chamadas 'cristãs', que não apresentam a Bíblia como fonte de pesquisa livre para todos, não se interessam em apresentar o caráter fiel de Jesus, pelo contrário, manipulam os povos em nome do seu Cristo, produto de seus interesses. Por causa disso, inúmeros povos foram discriminados, por não terem 'nenhuma semelhança racial' com os personagens bíblicos apresentados pelos seus dominadores (visto que reigião tambem tambem consiste em poder o que voce faz com ele é que consiste a balança)


Anjos louros, profetas pálidos como a neve, Cristo branco e até mesmo um Deus Pai, na forma humana, europeu, que a igreja católica fez questão de representar, a fim de garantir o poder da raça branca, ignorando a afirmação bíblica de que Deus Pai é Espírito, e de que ninguém jamais o viu. No início do ano 2003, a Rede Globo de Televisão apresentou uma reportagem feita no Sul do Brasil, sobre uma imagem negra, de Maria, mãe de Jesus, que veio da Itália, há quase um século atrás.

"Ao chegar na comunidade eclesiástica do lugar, o povo da igreja não conseguiu aceitar uma mãe africana de Jesus e, assim, exigiram que a imagem fosse pintada de branca. Este fato mostra como o povo brasileiro é doente, no que diz respeito a sua auto-estima: é o negro querendo ser quase branco, mas mantendo sua virilidade(homens) e curvas sedutoras(mulheres) e o quase branco querendo ser branco e louro, mas sem perder a característica de sua pele miscigenada e, invejando a virilidade do homem negro e a sensualidade das mulheres negras. Baseado no texto bíblico de Isaias 53:2 podemos afirmar que Jesus era uma pessoa simples, do povo, alguém que não se podia distinguir dentre as multidões."

Por isso, quando a elite religiosa israelita alistou alguns a fim de apedrejá-lo, Ele entrou no meio do povo e ninguém mais o podia perseguir. Jesus era e é, de fato, o Deus que se fez carne, (segundo o que o ele é apresentado no evangelho de João, capitulo 1), experimentou a realidade da humanidade de sua própria criação. Isto, de fato, é revolucionário, na história e no conceito comum de divindade. Depois de ser tentado em tudo, experimentado todo tipo de sofrimento e humilhações, escolheu morrer nossa morte e por último, demonstrou em sua ressurreição um caminho possível, para vencermos tanto as vicissitudes da vida, como a própria morte, que inviabilizava todo e qualquer projeto humano.

A Semana Santa é uma tradição judaico cristã que celebra a Paixão, a Morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

A Semana Santa se inicia Domingo de Ramos, onde se faz memória da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e tem seu término com a ressurreição de Jesus Cristo, que ocorre no domingo de Páscoa.

Os dias da Semana Santa Domingo de Ramos.
Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Jesus é recebido em Jerusalém como um rei, mas os mesmos que o receberam com festa o condenaram à morte. Jesus é recebido com ramos de palmeiras. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração. Segundo os evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos e entrou na cidade como um rei, mas sentado num jumentinho - o simbolo da humildade - e foi aclamado pela população como o Messias, o rei de Israel. A multidão o aclamava: "Hosana ao Filho de Davi!" Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição. A Páscoa Cristã celebra então a Ressurreição de Jesus Cristo.

A 'Igreja Católica', durante séculos, vem apresentando a todos a figura de um 'Cristo', branco, loiro e de alhos azuis. Essa é a verdadeira face de um judeu daquela época?

A BBC de Londres já fez um grande documentário que sugere a possível aparência negra do 'Senhor Jesus Cristo'. É interessante que há quase dois milênios os crentes etíopes já o representavam com pele escura. A Bíblia também afirma que os pais de Jesus, fugindo da perseguição do Rei Heródes, levaram Jesus para o Egito, a fim de o esconderem até que a ira do rei se abrandasse. Todos sabem que o Egito é um país africano cujo povo jamais foi branco, por isso, como seria possível Jesus e sua família se esconderem com segurança num país de negros, se fossem brancos de olhos azuis? Um Cristo branco, de cabelos lisos e olhos azuis, era exatamente o que representava o catolicismo romano em sua origem. Na verdade, era essencial mostrar um Cristo branco, semelhante ao povo dominador de todos os demais povos.

Mais tarde, a Igreja Católica, influenciada pelo poder e pela cor dos cabelos louros dos invasores bárbaros, teve que adequar a imagem do 'Cristo' à imagem de seus novos parceiros. Na verdade, se quisermos conhecer mais a respeito de como era o Cristo, o lugar mais adequado, é percorrer cada caminho estreito e apertado através das páginas da Bíblia.

Ali, não só o veremos fisicamente, mas também sob diversos aspectos, tais como: espiritual, moral, ético, humano, divino e etc... Ali, sim, descobriremos que a (fealdade) feiúra de Jesus, se traduz numa beleza indizivelmente maravilhosa e sem dúvida alguma, inigualável.

A Bíblia afirma que Jesus não tinha nenhuma beleza para que o desejássemos... O texto do profeta Isaias diz exatamente assim: 'Porque ele crescera diante de Deus como uma planta vulnerável, e como uma raiz tirada de uma terra seca. Não tem formosura nem esplendor; e quando o vemos, não tinha uma boa aparência, para que o desejássemos'(Isaias 53:2).(Pr.Selmo Ricardo Reis')
ISAÍAS 53

1 - Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?

2 - Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e olhando nós para ele, nenhuma beleza viamos, para que o desejássemos.

3 - Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

4 - Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossa enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.
5 - Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados.

6 - Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

7 - Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.

8 - Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes e pela transgressão do meu povo foi ele atingido.

9 - E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico, na sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na sua boca.

Aguns devem perguntar e o que importa a cor de Jesus Cristo?

A questão que separa as interpretações e utilizações do texto bíblico a serviço do racismo da segregação, da intolerância, da violência e da opressão é a ação dos homens, estes mesmos também podem promover ações de reconhecimento e valorização da vida e da humanidade – este é o convite que fazemos neste ensaio. A apropriação do “signo de Cam” é uma síntese nos permite perante o leitor conduzir uma reflexão, sobre um discurso que buscava e ainda busca fundamentar a condição de inferioridade do negro”.

Um afro abraço e boa pascoa a tod@s.
fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre/Copyright Zulu Nation Brasil 2006/HISTÓRIA E CULTURA DA ÁFRICA E AFRO-BRASILEIRA.Uberlândia/MG:
PROEX/UFU; Franca/SP: Ribeirão Editora, 2008.
RABELO, Danilo. Rastafari: identidade e hibridismo cultural na Jamaica, 1930-1981.Brasília/DF: Programa de Pós-graduação em História da Universidade de Brasília –UnB, 2006. (Tese de Doutorado).
SEMPRINI, Andrea. Multiculturalismo. Tradução Laureano Pelegrin. Bauru/SP:
EDUSC, 1999.JONGE, Klass de . África do Sul: apartheid e resistência. São Paulo: Cortez: EBOH,1991.MUNANGA, K. . Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Cadernos PENESB (Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira). UFF, Rio de janeiro, n. 5, p. 15-34, 2004.Munanga, Kabengele. A difícil tarefa de definir quem é negro no Brasil. Estud. av.,Abr 2004, vol.18, no.50, p.51-66.
MEILLASSOUX, Claude. Antropologia da escravidão: o ventre de ferro e dinheiro. Riode Janeiro, Jorge Zahar , 1995.

Beth Carvalho rebate questionamentos sobre Cuba a revela: ‘A CIA quer acabar com o samba’


Do Site Pragmatismo Político

Repórter questiona Beth Carvalho a respeito da liberdade na ilha caribenha, que responde: “Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil”

beth carvalho cuba
Beth Carvalho fala que a hipocrisia reinante no Brasil faz com que nos acostumemos a uma ditadura velada
Ao abrir o elevador, ainda no hall de entrada do apartamento, um quadro com a foto de Che Guevara. Não há dúvidas. Ali é o andar de Beth Carvalho. Ela surge na sala, amparada por duas muletas, que logo deixa de lado para posar para as fotos. “Nunca vi coisa para cair mais do que muletas. Estas meninas caem toda hora”, diz, bem-humorada.
No fundo da janela, o mar de São Conrado, bairro vizinho à favela da Rocinha. “A CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora.
Entre os fartos risos, também não faltaram palavras ríspidas para defender seu ponto de vista.
Abaixo, a íntegra da entrevista realizada pelo portal iG
Qual foi a sensação ao voltar a andar?
BETH CARVALHO: A pior da minha vida. Quando pus os pés pela primeira vez no chão, achei que nunca ia andar de novo. Parecia que não tinha mais pernas, sem força muscular. Depois, com a fisioterapia, a recuperação foi rápida. Precisei colocar dois parafusos de 15 cm cada um, só isso me fez voltar a andar. Agora sou interplanetária e biônica (risos).
Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?
BETH CARVALHO: O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mas não é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.
De que forma o samba é machista?
BETH CARVALHO: A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).
A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?
BETH CARVALHO: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.
Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?
BETH CARVALHO: Isso é muito injusto. É absurdo. Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.
Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?
BETH CARVALHO: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.
Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?
BETH CARVALHO: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.
Por quê?
BETH CARVALHO: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.
Como quais?
BETH CARVALHO: Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.
Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?
BETH CARVALHO: Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.
Este não seria um pensamento ultrapassado?
BETH CARVALHO: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes… A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.
Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.
BETH CARVALHO: Acabou com o quê? Com o quê?
Com a democracia…
BETH CARVALHO: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.
A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez…
BETH CARVALHO: Não tirou do ar. Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.
A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?
BETH CARVALHO: Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.
Por ser oriundo dos morros, o samba foi conivente com o poder paralelo dos traficantes?
BETH CARVALHO: Não, o samba teve prejuízo enorme. Hoje dificilmente se consegue senhoras para a ala das baianas nas escolas de samba. Elas estão nas igrejas evangélicas, proibidas de sambar. Não se vê mais garoto com tamborim na mão, vê com fuzil. O samba perdeu espaço para o funk.
Quem é o culpado?
BETH CARVALHO: Isso tem tudo a ver com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura. Estas armas dos morros vêm de onde? Vem tudo de fora. Os Estados Unidos colocam armas aqui dentro para acabar com a cultura dos morros, nos fazendo achar que é paranoia da esquerda. Mas não é, não.
O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?
BETH CARVALHO: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/11/beth-carvalho-desnuda-mentiras-sobre.html

Vídeo:Além do Cidadão Kane (completo)




Além do Cidadão Kane é um documentário produzido pela BBC de Londres - proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial - que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro.

- Os cortes e manipulações efetuados na edição do último debate entre Luiz Inácio da Silva e Fernando Collor de Mello, que influenciaram a eleição de 1989.

- Apoio a ditadura militar e censura a artistas, como Chico Buarque que por anos foi proibido de ter seu nome divulgado na emissora.

- Criação de mitos culturalmente questionáveis, veiculação de notícias frívolas e alienação humana.

- Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira.


"Todo brasileiro deveria ver Além do Cidadão Kane"

BBC de Londres
Produtor: Simon Hartog

Lula manda FHC 'ficar quieto' e diz que Dilma 'sabe o que faz'


Do Portal Vermelho


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu nesta terça-feira (26) a declaração de seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso, de que a presidente Dilma Rousseff é "ingrata" ao negar a herança dos governos neoliberais do tucanato brasileiro.
 


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Lula e Dilma em evento de 10 anos do PT
Lula e Dilma em evento de 10 anos do PT no último dia 20
Lula afirmou que FHC deveria ficar "quieto" e ajudar a presidente a comandar o país. "Eu acho que Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. Acho que, neste país, cada um fala o que quiser e responde pelo que fala", disse o ex-presidente. 

Questionado sobre o discurso de Dilma na festa dos 10 anos do PT, em São Paulo, em que a presidente afirmou não ter herdado "nada" da gestão tucana, FHC afirmou: "O que é que a gente pode fazer quando a pessoa é ingrata? Nada. Cospe no prato que comeu. Meu Deus".

A declaração aconteceu durante um evento do PSDB em Minas. O ex-presidente estava acompanhado pelo senador mineiro Aécio Neves - considerado atualmente por parte do tucanato como única alternativa da legenda para enfrentar Dilma na disputa eleitoral de 2014 pela Presidência da República.

Lula, que na semana passada lançou Dilma como candidata do PT à reeleição, disse que Dilma "sabe o que faz". "O que ele deveria é contribuir para Dilma continuar a governar o país pais bem. Deixa ela trabalhar. Ela sabe o que faz. Deixa a mulher trabalhar. Porque não é todo dia que o país elege uma mulher presidente".




Informações da  (golpista) Folha de S.Paulo



Vídeo produzido pelas Farc explica conflito armado na Colômbia


Do Portal Vermelho


Confira o curta metragem (em espanhol) produzido pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e entenda por que lutam seus guerrilheiros no país. Além de destacar as belezas da América Latina, o vídeo denuncia o genocídio contra todos os lutadores que defenderam a soberania e a independência desde o início do processo de colonização do continente. 




Da Redação do Vermelho

Saiba mais:
Farc pedem ao povo mobilização em defesa do processo de paz
Colômbia: ONU elogia processo de paz, mas critica governo
Colômbia: Há 11 anos do fracasso de El Caguán


http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=206895&id_secao=29

Primeiro médico indígena formado trabalhará para seu povo



Do Portal Vermelho

A 85ª turma de Medicina da UnB marcou um feito inédito: entre os novos médicos estava o primeiro a ser formado pelo vestibular indígena. Josinaldo da Silva, representante da tribo Atikum, no sertão pernambucano, é o símbolo de um projeto de diversidade promovido pela UnB nos últimos dez anos. Engajado com a causa de seu povo, Josinaldo pretende usar o conhecimento adquirido na UnB no programa Saúde da Família, que leva saúde diretamente às comunidades.


índio médico
Josinaldo da Silva, primeiro médico indígena a se formar no Brasil pelo sistema de cotas
No depoimento concedido àUnB Agência, ele conta que sonhava em ser médico desde que começou a trabalhar como agente de saúde, aos 22 anos, mas a falta de opções em sua região fez com que ele estudasse Matemática. Foi a criação do vestibular específico para indígenas na UnB que possibilitou a realização de um sonho. “As informações são mais difíceis na aldeia. Um grupo de colegas veio à capital em 2005 e descobriu as cotas”, conta. Me interessei de imediato. Com o curso de Medicina, poderia contribuir mais com a minha aldeia”. Leia abaixo trechos do depoimento de Josinaldo.

Chegada a Brasília

Confesso que quando passei, não acreditei. A ficha demorou um pouco a cair. Foi no início de 2006. Vim com uma colega e aqui me reuni com um grupo de indígenas de outros cursos. Éramos 13 cotistas ao todo: além da Medicina, havia estudantes de Enfermagem, Nutrição, Biologia e Farmácia. Foi muito difícil no início. Precisamos pagar um aluguel caro, não tínhamos referências, conhecidos, ninguém que se dispusesse a ser fiador. Além disso, tínhamos uma bolsa de R$ 900. Todo mundo sabe que isso é pouco para a cidade. Nossa salvação foi a Dona Socorro, que nos acolheu na 706 Norte e agiu como um anjo. Era paciente e compreensiva, nos apoiava quando a bolsa atrasava e sempre negociava os pagamentos.

A adaptação na cidade


Eu preciso ser sincero. Estou aqui desde 2006, mas nunca me adaptei. Acho que nunca vou me adaptar. Brasília é agradável, tem um ambiente gostoso, é uma cidade tranquila, mas é muito fechada. Eu estranho ainda viver num apartamento. A gente que é do mato sempre sente falta da natureza. É o nosso mundo, sabe.

Primeiras impressões da UnB

Foi outro momento difícil, pois tudo é estranho. A gente não conhece ninguém, não tem amigos. Acaba que passei, como outros colegas indígenas, muitos momentos de isolamento. E existe o preconceito, que ninguém admite, mas acontece. Quando era apresentado, a reação era sempre a mesma: “Você é índio, que legal, como é a vida lá na aldeia?”. Mas na hora dos trabalhos de grupo, nas conversas do intervalo, ficava sempre de lado ou por último.

O preconceito

Eu mesmo nunca ouvi, mas alguns colegas me relataram casos de professores que reclamavam por dar aulas para índios. Alguns colegas reagiram escondendo que eram cotistas. Com o perdão da expressão, acho isso uma sacanagem. Tem que enfrentar o preconceito, senão não supera a barreira. Temos de firmar o compromisso com nosso povo. E se começa uma conversa estranha, atravessada, eu corto na hora. Não permito prosperar.

Apoio de colegas e professores

É verdade que eu fiz poucos amigos. Mas esses são verdadeiros. Eles me ajudaram a transpor várias barreiras, me apoiaram no início, ajudaram nos estudos durante os primeiros semestres, quando precisei me adaptar ao ritmo da Universidade, a compreender bem toda a teoria que a medicina tem. O conhecimento nas aldeias é muito prático. A gente sabe que a coisa funciona, mas não sabe como. Na UnB é diferente, precisei estudar muito e o apoio dos colegas foi fundamental.

Alguns professores também são inesquecíveis. A Yolanda Galindo Pacheco e a Jussara Rocha Ferreira, da Anatomia, além de excelentes mestras, vestiam a camisa do grupo, defendiam as cotas e os cotistas. Elas apoiaram muito a nossa causa. Punham a mão no fogo pela gente. O professor Carlos Eduardo Tosta também foi importante, ele tinha uma sensibilidade, que eu chamaria de espiritual, e muito respeito pela tradições indígenas.

O futuro imediato

Agora estou lutando pela Residência. Não é fácil, mas tenho fé que tudo dará certo. Estou disputando uma vaga lá no Hospital de Planaltina. Quero seguir o caminho da Saúde da Família, é o que mais pode contribuir com a minha comunidade.

Meu objetivo é voltar pra aldeia tão logo termine a formação. É um acordo que faz parte do convênio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), mas é mais do que isso, é um compromisso meu com o meu povo, com os Atikum, minha origem e minha razão de estudar. O índio é o que pode cuidar melhor da saúde do índio, compreende os costumes, conhece a tradição. Um índio tem todas as condições de cuidar de uma tribo, reunindo o saber da universidade com o saber tradicional. É esse o meu objetivo.

Fonte: Assessoria da UnB


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206908&id_secao=8

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Quer saber porque existem ateus?



Você que sempre teve curiosidade em saber porque existem ateus, não tenha medo e veja esse vídeo, a única coisa que pode acontecer é você se tornar ateu também....

O Manifesto do Partido Comunista em desenho animado





Trechos de o Manifesto Comunista com a ajuda dos cartoones da Disney, criado pelo o cineasta independente Jesse Drew.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Índia: Comunistas marcham contra desigualdades sociais




Do Portal Vermelho


O Partido Comunista da Índia-Marxista (PCI-M) iniciou em Kanyakumari, no estado de Tamil Nadu ao sul, a primeira de uma série de passeatas em protesto contra as desigualdades sociais no país.


"O propósito da Jatha Sangharsh Sandesh (Marcha pela Luta) é denunciar os problemas da cidadania por causa do aumento dos preços, o desemprego e a corrupção em massa, disse o secretário geral do PCI-M, Prakash Karat, citado nesta segunda-feira (25) por meios de comunicação de Nova Delhi.

Outras três grandes colunas partirão no dia 1º de março de Calcutá (leste), no dia 4 de Amritsar (norte) e no dia 8 de Mumbai (oeste), até se encontrarem dia 19 no Ramlila Ground, uma praça no centro de Nova Delhi onde será realizada uma manifestação à qual se esperam dezenas de milhares de pessoas.

A essas quatro "jathas" se unirão outras menores que terão como ponto de partida os estados de Assam (leste), Orissa (centro-este), Gujarat (centro-oeste) e Himachal Pradesh (norte), afirmou Karat.

Os trechos percorridos por todas marchas somarão mais de 10 mil quilômetros.

Trata-se de uma única grande marcha dedicada a mobilizar o povo em defesa de seu direito à alimentação, ao emprego, à educação e à saúde, e contra problemas como a corrupção e o maltrato aos dalits (últimos no sistema de castas indiano) e os adivasis (tribos originárias), disse o dirigente comunista.

Os partidos de esquerda somos os únicos a propor políticas alternativas às do Partido do Congresso (no governo) ou do Partido Janata Bharatiya (principal da oposição), sublinhou.

O PCI-M distribuiu um milhão de cópias de um folheto no qual explica, em vários dos idiomas falados na Índia, os objetivos da campanha.


Fonte: Prensa Latina


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206764&id_secao=9



Fonte: Prensa Latina

Cuba: Nova geração assumirá responsabilidade de construir o socialismo


Do Portal Vermelho

Eleito neste domingo (24) para mais um mandato como chefe de Estado e de governo da República de Cuba, que afirma ser o último, o presidente Raúl Castro fez importante pronunciamento político no qual defende os princípios da Revolução cubana e o aperfeiçoamento do socialismo. Leia a íntegra, em tradução exclusiva da redação do Vermelho.


Cuba Debate
Líder da Revolução Cubana Fidel Castro e presidente Raúl Castro 
 Líder da Revolução Cubana Fidel Castro e o presidente Raúl Castro
Companheiras e companheiros: 

Em uma data como a de hoje, em 24 de fevereiro de 1895, reiniciou-se a luta pela independência com a fusão dos experientes mambises* da primeira guerra e os combatentes novatos, sob a liderança do Partido Revolucionário Cubano e de Martí.

Cabe a mim assumir novamente perante vocês e todo o nosso povo a honra de presidir o Conselho de Estado e o governo.

Neste sentido, creio que não é ocioso reiterar o que já foi afirmado duas vezes neste Parlamento, e cito: "A mim não me elegeram presidente para restaurar o capitalismo em Cuba, nem para entregar a Revolução. Fui eleito para defender, manter e continuar aperfeiçoando o socialismo, não para destruí-lo".

Em concordância com as resoluções do 6º Congresso [do Partido Comunista], será preciso harmonizar os postulados da Constituição da República com as mudanças associadas à paulatina implementação dos Lineamentos da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução.

Entre as modificações que nos propomos introduzir à Constituição se encontra a de limitar a um máximo de dois períodos consecutivos de cinco anos o desempenho dos principais cargos do Estado e do governo e estabelecer idades máximas para ocupar essas responsabilidades.

Ao mesmo tempo, não é saudável reformular continuamente a Carta Magna da Nação e como efetuar uma reforma constitucional nos tomará necessariamente um tempo razoável, algumas questões podem ser modificadas pelo próprio Parlamento, outras mais importantes requerem a ratificação pelo voto favorável da maioria dos cidadãos em referendo; desejo esclarecer que em meu caso, independentemente da data em que se aperfeiçoe a Constituição, este será o último mandato.

Leia mais: 
Raúl Castro é confirmado como presidente de Cuba


Nesta sessão a Assembleia Nacional elegeu o companheiro Miguel Díaz Canel Bermúdez como primeiro vice-presidente do Conselho de Estado e posteriormente aprovou sua designação como primeiro vice-presidente do Conselho de Ministros.

Consideramos que nas circunstâncias que vive o país, que se viu obrigado a desenvolver-se durante mais de meio século de Revolução, deve garantir-se na cúpula do poder estatal e governamental a unidade executiva frente a qualquer contingência gerada pela perda do dirigente máximo, de maneira que se preserve, sem interrupções de nenhum tipo, a continuidade e a estabilidade da nação.

Esta decisão se reveste de particular transcendência histórica porque representa um passo definidor na configuração da direção futura do país, mediante a transferência paulatina e ordenada às novas gerações dos principais cargos, processo que devemos concretizar em um quinquênio e atuar daqui para diante de maneira intencional e previdente, a fim de evitar que se nos repita a situação de não contar oportunamente com suficientes reservas de quadros preparados para ocupar os postos superiores do país e assegurar que a substituição dos dirigentes constitua um processo natural e sistemático.

O companheiro Díaz-Canel não é um novato nem um improvisado. Sua trajetória de trabalho acumula quase 30 anos, começando na base, na profissão que estudou, e depois de ter cumprido o Serviço Militar em unidades de mísseis antiaéreos das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), foi docente na Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Central de Las Villas, onde se lhe propôs ser quadro profissional da União de Jovens Comunistas e mais adiante, considerando os resultados alcançados, foi promovido ao Partido, ascendendo gradualmente a maiores responsabilidades, entre elas, a de primeiro secretário do Comitê Provincial em Villa Clara, durante quase uma década, e depois em Holguín durante seis anos.

Ele é membro do Comitê Central do Partido desde 1991 e do Birô Político a partir de 2003. Cumpriu missão internacionalista na Nicarágua. É graduado do Colégio de Defesa Nacional.

Em 2009, passou a desempenhar funções governamentais, primeiro como ministro da Educação Superior e a partir de 2012, vice-presidente do Conselho de Ministros, encarregado de dar atenção a diferentes organismos vinculados à educação, à ciência, ao esporte e à cultura. Por outro lado, participa semanalmente na Comissão Econômico-financeira do governo e na Comissão do Birô Político para o controle da implementação das resoluções do 6º Congresso.

Merece menção à parte a conduta dos companheiros Machado Ventura e Colomé Ibarra, que tiveram a iniciativa de pôr os seus cargos no Conselho de Estado à disposição em favor da promoção da nova geração.

No caso de Machado Ventura, com excepcionais qualidades como dirigente e ser humano, modéstia e dedicação ao trabalho, destacada trajetória revolucionária durante cerca de 60 anos, combatente da Sierra Maestra e fundador da Segunda Frente Oriental "Frank País", onde criou e desenvolveu 20 hospitais de campanha e 11 dispensários distribuídos em zonas montanhosas em toda a província de Guantânamo e em parte das de Santiago de Cuba e Holguín, que esta frente guerrilheira abarcava. Participou em múltiplas ações combativas, sendo ferido em uma delas; partindo também do prestígio, preparação, experiência e da vitalidade que conserva, assim como de sua capacidade real de continuar contribuindo na direção de decisivas atividades, a Assembleia Nacional o elegeu para ocupar uma das vice-presidências do Conselho de Estado.

Igualmente, se mantém como membro do Conselho de Estado o companheiro Abelardo Colomé Ibarra, que desde muito jovem se somou à luta revolucionária em sua terra natal, Santiago de Cuba, participando na sublevação de 30 de novembro de 1956, sob as ordens de Frank País, que o selecionou para integrar o primeiro reforço ao nascente Exército Rebelde na Sierra Maestra.

Assim como Machado Ventura, ele é fundador da Segunda Frente Oriental "Frank País", ferido em duas ocasiões em combate contra as tropas da tirania, destacando-se por seu valor, o que lhe mereceu ascender de soldado até o grau de comandante.

Depois do triunfo da Revolução, executou com êxito, humildade e lealdade as tarefas que lhe foram atribuídas, entre as quais devo ressaltar o cumprimento de delicadas missões internacionalistas, posteriormente levou a cabo o desenvolvimento da sempre competente Contra-inteligência Militar, contribuiu de maneira decisiva à primeira vitória sobre as forças invasoras em Angola, à frente da Missão Militar Cubana, de 1975 a 1977, e desempenhou, entre outros, os cargos de primeiro vice-ministro do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias e ministro do Interior.

A atitude de Machado Ventura e Colomé Ibarra não é casual nem deve surpreender ninguém, é uma demonstração concreta de sua genuína fibra revolucionária, na qual não têm cabimento a vaidade e o interesse pessoal, nem muito menos o aferramento a qualquer cargo. Esta é a essência da geração fundadora desta Revolução. Assim agiu Fidel há cinco anos, dando um exemplo enaltecedor. Confiamos em que também sejam assim as novas gerações.

Ao falar destes temas é oportuno recordar o que Fidel expressou, há exatamente 15 anos, perante a Assembleia Nacional em 24 de fevereiro de 1998, quanto à primeira regra ou traço que deve caracterizar um quadro revolucionário, e cito: "Nunca ambicionar cargos, que os homens cheguem aos cargos que lhes correspondam por seus méritos, por seu trabalho, por suas virtudes, por seu patriotismo”.

O Conselho de Estado eleito nesta sessão de nosso Parlamento é um reflexo de como começamos a tornar realidade as resoluções do 6º Congresso do Partido em matéria de política de quadros. De seus 31 membros, 41,9% são mulheres e 38,6% são negros e mestiços. A idade média é de 57 anos e 61,3% nasceram depois do triunfo da Revolução.

Já são duas as vice-presidentas do Conselho de Estado e persistiremos na vontade de que continue crescendo a representação feminina neste órgão e em todas as instituições do país.

De igual forma, a Assembleia Nacional foi renovada em 67,26%, as mulheres elevaram sua participação até 48,86% e os negros e mestiços a 37,9%. Possuem nível superior de educação 82,68% de nossos deputados e a idade média é de 48 anos.

Das 15 províncias do país, em 10 foram eleitas mulheres para presidir as Assembleias Provinciais do Poder Popular, a média de idade nestes cargos é de 47 anos e todos possuem nível universitário.

Estes dados corroboram a qualidade do processo eleitoral cubano e as potencialidades que têm os órgãos do Poder Popular e esta Assembleia como órgão supremo de poder do Estado, para executar os importantes poderes fixados na Constituição.

Corresponde precisamente a esta legislatura um fecundo e intenso trabalho legislativo no fortalecimento de nossa institucionalidade, em especial em face da implementação dos Lineamentos da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução, processo que tem a primeira das prioridades e no qual, como expliquei na última sessão da Assembleia Nacional, começamos a adentrar em questões de maior alcance, complexidade e profundidade.
Enche-nos de sadio orgulho e satisfação que o Parlamento cubano seja encabeçado, a partir de hoje, pelo companheiro Esteban Lazo Hernández, membro do Birô Político, um negro de origem humilde, cortador de cana desde muito jovem, operário no moinho e secador de arroz de Jovellanos, município onde integrou o Comitê Municipal do Partido. Com enorme esforço e sem abandonar suas responsabilidades partidárias, obteve o título de Bacharel em Economia.

Posteriormente ocupou o cargo de primeiro secretário do Comitê Provincial do PCC em Matanzas e depois em Santiago de Cuba e Cidade de Havana.

O mesmo podemos dizer nos casos dos novos vice-presidentes do Conselho de Estado, Díaz-Canel, Mercedes López Acea, a eficiente primeira secretária do Partido na capital e de Salvador Valdés Mesa, representante direto da classe operária, que em sua condição de membro do Birô Político, passará a atender a Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), além de outras funções que se lhe atribuirão pela via partidária.

Todos eles surgiram do povo e como os demais membros do Conselho de Estado constituem um exemplo fidedigno de como foram levadas à prática as palavras de Fidel em 16 de abril de 1961, às vésperas da invasão mercenária em Playa Girón, quando disse: "esta é a Revolução socialista e democrática dos humildes, pelos humildes e para os humildes". Hoje estamos demonstrando que assim seguirá sendo para sempre.

É igualmente motivo de legítima felicidade contar com uma juventude identificada com os valores éticos e os princípios de justiça social, que está preparada em todos os sentidos, inclusive militarmente, para defender e manter no alto as bandeiras da Revolução e do Socialismo.

Certamente, nós, os que tivemos a honra de acompanhar Fidel nos inícios da gesta revolucionária e na luta insurrecional contra a tirania, tivemos privilégio, junto ao povo heroico, de ver com nossos próprios olhos a obra consolidada da Revolução; contudo, a maior satisfação é a tranquilidade e serena confiança que sentimos ao ir entregando às novas gerações a responsabilidade de continuar construindo o socialismo e com isso assegurar a independência e a soberania nacional.

Fazemo-lo tendo definido pelo Congresso do Partido o rumo para atualizar o modelo econômico cubano e alcançar uma sociedade socialista próspera e sustentável, uma sociedade menos igualitária, porém mais justa, princípios estes que servem de fundamento para a conformação do programa de desenvolvimento até o ano de 2030, em fase de elaboração.

Isto será possível porque os Lineamentos da Política Econômica e Social são fruto, em primeiro lugar, dos amplos e democráticos intercâmbios com o povo, que os tornou seus, reformulando-se 68% da proposta inicial como resultado da consulta popular.

Da mesma forma, foram respaldados pelo Parlamento, em cujas sessões ordinárias se presta conta, duas vezes ao ano, sobre o andamento do plano da economia e o processo de implementação dos citados lineamentos.

Similar análise se efetua sistematicamente nos plenos do Comitê Central e dos comitês provinciais e municipais do Partido, com a participação de dirigentes administrativos locais.

Estes métodos de consulta direta com a população que se desenvolveram em mais de 50 anos do processo revolucionário e que prosseguirão aperfeiçoando-se antes, durante e depois de adotar as decisões mais transcendentais para o futuro do país, constituem um fator adicional para a tranquilidade e esperança no futuro, que nós, integrantes da direção histórica da Revolução, experimentamos, já que além de fortalecer de maneira permanente a unidade e o apoio do povo, garantirão retificar oportunamente os erros que possamos cometer.

Em Cuba nunca se permitirá a ninguém contornar que tal e como expressa a Constituição em seu artigo número 3, e cito: "a soberania reside no povo, do qual emana todo o poder do Estado".

Em virtude disso, previamente à realização dos futuros congressos do Partido, deverá levar-se a cabo um processo de consulta popular, cada vez mais profundo e organizado, de modo que o Programa atualizado da Revolução a ser aprovado reflita sempre, em todos os assuntos vitais da sociedade, a opinião da população.

Àqueles que dentro ou fora do país, com boas ou más intenções, nos alentam a ir mais rápido, lhes dizemos que continuaremos sem pressa, mas sem pausa, com os pés e os ouvidos bem pregados à terra, sem terapias de choque contra o povo e sem deixar nenhum cidadão desamparado, superando a barreira do imobilismo e a mentalidade obsoleta em favor de desatar os nós que freiam o desenvolvimento das forças produtivas, ou seja, o avanço da economia, como cimento imprescindível para afiançar, entre outras esferas, as conquistas sociais da Revolução na educação, na saúde pública, na cultura e no esporte, que deveriam ser direitos humanos fundamentais e não um negócio particular.

Ao mesmo tempo, nos propomos manter o enfrentamento às indisciplinas e ilegalidades de todo tipo, incluindo o combate às manifestações de corrupção que atentam contra as próprias bases de nosso sistema social, partindo de que sem a conformação de um ambiente de ORDEM, DISCIPLINA e EXIGÊNCIA na sociedade, qualquer resultado será efêmero. Na reunião deste Parlamento, na primeira quinzena do mês de julho, trataremos com profundidade este sufocante assunto das indisciplinas e ilegalidades.

Passando a temas de caráter internacional, não posso deixar de mencionar que em 28 de janeiro último, no 160º aniversário do natalício de José Martí, Cuba assumiu a Presidência da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e terá a responsabilidade de organizar em nosso país sua próxima reunião de Cúpula no ano de 2014.

Este é um fato de particular relevância que reivindica a luta do povo cubano por sua soberania e autodeterminação, demonstra o quanto avançaram a América Latina e o Caribe para a definitiva independência e expõe o isolamento e fracasso da política de bloqueio econômico e midiático dos Estados Unidos contra nossa nação.

A Presidência Cubana da Celac atuará com prudência e determinação para potenciar o que nos une no caminho comum da paz, desenvolvimento, justiça social, democracia com participação verdadeira do povo, garantia para o exercício de TODOS os direitos humanos por TODAS as pessoas, soberania sobre os recursos naturais e diminuição da desigualdade social e da pobreza.

Teremos que cuidar de nossa unidade dentro da diversidade e impedir que se nos divida. Sabemos que a consolidação desta organização enfrentará difíceis obstáculos, derivados da injusta e insustentável ordem internacional, a crise econômica global, a agressiva política da Otan, as ameaças e consequências de suas guerras não convencionais e o intento de uma nova divisão do mundo; a existência de enormes arsenais nucleares e novas armas, assim como a mudança climática.

A desigualdade na distribuição da riqueza no continente é a principal debilidade e simultaneamente o maior desafio que enfrentamos. Na Nossa América com mais unidade, integração e justiça social, nada poderá deter-nos.

Aproveito a ocasião para reiterar, em nome desta Assembleia e do povo cubano, a felicitação ao presidente Rafael Correa e à Revolução Cidadã, que ele encabeça, por sua retumbante vitória eleitoral no domingo passado.

Que chegue ao presidente Hugo Chávez Frias o abraço fraternal e os desejos de recuperação de sua saúde. À Revolução Bolivariana, ao povo venezuelano e a seus dirigentes ratificamos toda a solidariedade desta Assembleia Nacional e de nossos compatriotas.

A mais de um mês de sua entrada em vigor, as novas regulações migratórias estão em completa aplicação sem contratempos, com uma favorável acolhida por parte da população e da esmagadora maioria da emigração cubana.

Prosseguiremos demandando a libertação e o regresso à Pátria de nossos Cinco Heróis, a quem transmitimos a fraterna saudação, reconhecimento e compromisso deste Parlamento e de todo o povo.

Para terminar minhas palavras e sobretudo pensando no porvir da Pátria, creio que a melhor maneira de fazê-lo é com a brilhante definição do conceito de Revolução formulado por seu Comandante em Chefe, Fidel Castro Ruz, em 1º de de maio do ano 2000 na Praça da Revolução, e cito: 

"Revolução é sentido do momento histórico; 

é mudar tudo o que deve ser mudado; 

é igualdade e liberdade plenas; 

é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; 

é emancipar-nos por nós mesmos e com nossos próprios esforços; 

é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; 

é defender valores nos quais se crê ao preço de qualquer sacrifício; 

é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; 

é lutar com audácia, inteligência e realismo; 

é não mentir jamais nem violar princípios éticos; 

é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de esmagar a força da verdade das ideias.

Revolução é unidade, é independência, 

é lutar por nossos sonhos de justiça para Cuba e para o mundo, que é a base de nosso patriotismo, nosso socialismo e nosso internacionalismo".

Que esta magistral definição sirva para sempre de guia a todas as gerações de patriotas e revolucionários cubanos! 

Muito obrigado.

Fonte: Prensa Latina
Tradução de José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho
*Combatentes da guerra pela independência de Cuba no século 19.


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=206701&id_secao=7