terça-feira, 13 de março de 2012

O Manifesto do Partido Comunista





Manifesto do Partido Comunista: um dos mais significativos documentos programáticos do comunismo fundado em bases científicas, que contém uma exposição coerente das bases da grande doutrina de Marx e Engels. "Esta obra expõe, com uma clareza e um vigor geniais, a nova concepção do mundo, o materialismo consequente aplicado também ao domínio da vida social, a dialéctica como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista." (Lénine)

O Manifesto do Partido Comunista armou o proletariado com a demonstração científica da inevitabilidade do derrube do capitalismo e da vitória da revolução proletária, definiu as tarefas e objectivos do movimento proletário revolucionário. O Manifesto do Partido Comunista foi elaborado por Marx e Engels como programa da Liga dos Comunistas por decisão do seu II Congresso realizado em Londres entre 29 de Novembro e 8 de Dezembro de 1847. Representava o triunfo dos defensores da nova linha proletária no quadro das discussões havidas no interior do movimento. No âmbito deste debate Engels havia elaborado já um projecto de Princípios Básicos do Comunismo segundo a forma de "catecismo" ao tempo utilizada com frequência em documentos de diferentes organizações operárias e progressistas. No entanto, Marx e Engels rapidamente chegaram à conclusão de que a forma de "manifesto" seria a mais adequada à nova fase e aos objectivos da luta. Ainda em Londres e depois em Bruxelas, Marx e Engels trabalharam juntos na redacção do texto. Tendo Engels partido para Paris em finais de Dezembro, a versão definitiva foi elaborada por Marx fundamentalmente durante o mês de Janeiro de 1848 e remetida finalmente para Londres, onde viria a ser publicada pela primeira vez em fins de Fevereiro do mesmo ano.

MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA  aqui em baixo vc encontra ele na íntegra:
http://www.dorl.pcp.pt/images/classicos/manifesto%20ed%20avante%2097.pdf (em PDF)
Editado de acordo com a
Edição da Editorial "Avante!" de 1997
com Tradução de José Barata Moura 

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Afeganistão exige julgar no país soldado americano assassino


Do Portal Vermelho


O Parlamento do Afeganistão pediu hoje (12) um julgamento público para o soldado norte-americano que matou 16 civis, inclusive nove crianças, na cidade de Candahar. Os assassinatos ocorreram ontem (11) quando o soldado atirou em moradores de dois bairros. A identidade do militar é mantida sob sigilo. 


Afeganisgão: povo exige julgamento de soldado dos EUA assassin
Afeganistão: povo exige julgamento local de soldado assassino

Para o Parlamento do Afeganistão, é preciso investigar se há outros envolvidos no caso. “Pedimos com firmeza e esperamos que o governo norte-americano puna os culpados e os julgue em um processo público perante o povo afegão”, diz um comunicado oficial. Os deputados classificaram o crime como “brutal e desumano”. “A população perde a paciência perante a ignorância das forças estrangeiras”, diz o texto.

O massacre ocorreu depois que soldados norte-americanos em Bagram, também no Afeganistão, queimaram exemplares do Corão – o livro sagrado do Islã. O ato desencadeou uma onda de manifestações antiamericanas no país.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, chamou o massacre de “ação imperdoável” e pediu explicações ao governo dos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Barack Obama, telefonou para Karzai e pediu desculpas, prometendo investigar e julgar os responsáveis pelos crimes.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, desembarcou hoje em Mazar I Sharif (no Norte do Afeganistão). Merkel disse “não pode garantir” que as tropas alemãs sairão do Afeganistão em 2014, como foi planejado. “Ainda não chegou o momento de a Alemanha dizer que pode sair hoje do Afeganistão”, disse ela. Esta é a quarta visita de Angela Merkel ao Afeganistão, desde que tomou posse, em 2005.

Depois dos Estados Unidos e do Reino Unido, o contingente alemão é o terceiro maior no grupo de 130 mil militares das forças de segurança internacionais no Afeganistão. Em fevereiro deste ano, a Alemanha tinha no país um total de 4.9 mil soldados.

Fonte: Agência Brasil

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 http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=177875&id_secao=9

Agressão imperialista à Líbia


Do Portal Vermelho


Num texto carregado de ambiguidades, a Comissão Internacional de Investigação sobre a Líbia considera que a Aliança Atlântica não cometeu crimes deliberados durante a agressão imperialista, mas salienta a incerteza sobre os fatos e sublinha a necessidade de os continuar a apurar.



No segundo relatório da comissão das Nações Unidas, divulgado no final da semana passada, os investigadores procuram desresponsabilizar a Aliança Atlântica pela morte de civis durante os bombardeamentos recuperando a lenga-lenga dos "danos colaterais", usada pelos imperialistas para minimizarem os crimes cometidos durante as agressões militares que têm levado a cabo desde o ataque à Jugoslávia, em 1999.

No texto, que já foi apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, os relatores dizem que, nos casos de bombardeamentos que comprovadamente vitimaram civis (cerca de 60 mortos e 55 feridos, dizem com uma muitíssimo surpreendente precisão), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não matou "de forma deliberada", concluindo mesmo que a Aliança Atlântica "executou uma campanha muito direccionada e com uma notável determinação em evitar perdas civis" (AFP).

Estas afirmações foram imediatamente aproveitadas pelo secretário-geral da Otan, Anders Fog Rasmussen, para reiterar que o bloco político-militar atacou "objetivos militares legítimos" e que "todas as precauções foram tomadas para evitar baixas civis" (EFE e EuropaPress).

Diligente na construção da versão que os criminosos pretendem que passe para os livros de história, Rasmussen adiantou ainda que a Aliança Atlântica realizou uma operação que "respeitou plenamente o mandato da ONU e o Direito Internacional", e garantiu que a Otan colaborou "plenamente" com a comissão de investigação da ONU, a qual, no seu entender, foi "exaustiva" na investigação dos alegados danos civis, recorrendo inclusivamente a documentação que «"eve de ser desclassificada" (EFE e EuropaPress).

Fatos desmentem conclusões

Mas se, por um lado, o relatório tenta ilibar a Otan das consequências da sua agressão, por outro deixa escapar algumas considerações que colocam em causa, e de que maneira, tal conclusão.

Contrariamente ao que disse Rasmussen, aproveitando a precipitação tendenciosa dos relatores, o texto elaborado pela comissão admite que, nos casos em que os bombardeios da Otan mataram populares líbios, "não se pode determinar se, ao atacar, a organização teve em conta o objetivo de evitar mortes civis e se tomou todas as medidas nesse sentido", e que a "Otan não permitiu que se tire conclusões racionais sobre as circunstâncias dos mesmos" (EFE, EuropaPress).

De acordo com as agencias noticiosas já citadas, o documento sobre a Líbia deixa escapar também que a comissão não pôde confirmar o uso militar de algumas das instalações líbias bombardeadas pela Aliança Atlântica, e que a Otan não forneceu informação suficiente sobre a matéria, pelo que "se recomenda um apuramento ulterior" mais rigoroso.

Já de acordo com a AFP, que diz basear-se numa versão do texto por difundir publicamente, a comissão examinou apenas 20 bombardeamentos da Otan. Em cinco destes morreram os tais 60 civis e outros 55 ficaram feridos.

Importa, pois, perguntar: o que sucedeu nas demais 17 900 operações aéreas efectuadas pelas forças imperialistas?

Análise apimentada

No relatório também se salienta os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito na Líbia. Neste aspecto, as forças armadas líbias e os chamados rebeldes são colocados quase no mesmo patamar. Quase, porque quanto aos primeiros fala-se em "evidências" de execuções e torturas cometidas contra milhares de pessoas, enquanto que relativamente aos segundos parecem só terem sido encontrados "indícios" de matanças indiscriminadas, e nem sequer se adianta qualquer estimativa ou ordem de grandeza.

Não obstante, e de acordo com as informações divulgadas pelas fontes acima referidas, a comissão denuncia o uso indiscriminado de armas durante a ofensiva dos denominados thuwar (combatentes da liberdade). Exemplo disso mesmo foi o cerco e a ofensiva contra Sirte, terra natal de Muammar Khadafi e bastião da resistência à agressão imperialista. Na cidade, diz-se, "quase todos os edifícios foram danificados" por munições de elevado calibre em resultado do assédio ininterrupto dos rebeldes.

No texto desmente-se ainda que Khadafi tenha comprado mercenários, mentira repetida até à agonia durante a agressão imperialista. É praticamente garantido que um grupo de sudaneses combateu ao lado do exército de Tripoli, e que outros estrangeiros, residentes na Líbia, também o fizeram, mas a comissão apurou que a nenhum terá sido prometida uma compensação superior ao salário auferido pelos militares do país. Logo, não podem ser considerados soldados da fortuna.

A coroar a ambiguidade tendenciosa do relatório, conclui-se não ser possível determinar se Muammar Khadafi e um dos seus filhos, Mutassim, foram executados sumariamente. Apesar de diversos vídeos postados na Internet, feitos pelos próprios captores de Muammar Khadafi, demonstrarem que o ex-líder líbio foi detido com vida, maltratado e executado por uma turba de fanáticos, os relatores das Nações Unidas alegam que não tiveram acesso… ao relatório da autopsia.

País saqueado e do saque

Na Líbia continuam a tortura, as execuções sumárias, as perseguições contra supostos khadafistas e minorias étnicas, tais como os negros oriundos da África Subsaariana – que para mais são vexados por grupos de inspiração racista (ver vídeo abaixo). Estas "infrações aos direitos humanos prosseguem num clima de impunidade", adianta o relatório das Nações Unidas.



O aparelho de segurança é controlado por brigadas que defendem com ferocidade feudos de influência. O aparelho judicial foi desmantelado com violência. Ainda na passada sexta-feira, em Benghazi, a população exigiu aos rebeldes que desocupem o tribunal e permitam a reposição da legalidade e da ordem (Prensa Latina).

De cabeça perdida, o primeiro-ministro designado pelo Conselho Nacional de Transição, Abdel Rahim al-Kib, diz que "compete à maioria silenciosa proteger as instituições, combater o caos e a usurpação, proteger o Estado dos pseudo-revolucionários" (Lusa).

No fundamental, o dinheiro e as armas determinam quem manda na denominada nova Líbia, como confirmam os dados revelados na sua página pessoal pelo jornalista Abdel Bari Atwan.

Em artigo difundido pelo Rebelion, Atwan sustenta que um dos homens que controlavam os fundos soberanos da Líbia antes da insurreição armada, Bashir Salih, foi resgatado por ordem de Nicolas Sarkozy. O presidente gaulês mandou mesmo um avião à capital da Tunísia para buscar Salih, o homem que terá a chave dos milhões investidos pelo anterior regime na Europa e África.

A partir da capital francesa, Salih já iniciou uma nova carreira política, começando por criar um partido que tem por base a brigada Al Zatan, a mesma que o capturou acusando-o de ser um empedernido khadafista, e posteriormente o libertou para, às ordens dos novos senhores, saquear a Líbia e o seu povo.

Fonte: Jornal Avante!



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http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=177594&id_secao=29 

Vídeo resgata o histórico de mentiras de José Serra



Do PortaL Vermelho

O homem que prometia resgata o histórico de mentiras já proferidas pelo atual pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB). Confira também o comentário do especialista Paulo Vannuchi para o Seu Jornal sobre a disputa eleitoral na capital paulista.




Paulo Vannuchi analisa cenário eleitoral: 


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segunda-feira, 12 de março de 2012

Violência contra moradores de rua preocupa o governo federal



12/03/2012 - 20h28
Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário, manifestou hoje (12) preocupação em relação ao aumento da violência contra moradores de rua. Segundo ela, é necessário que estados os municípios desenvolvam ações específicas para esse público. "Queremos desencadear no país um sentido de direitos e perspectiva para essas pessoas”, disse.
Na manhã do último sábado (10), novos atentados contra moradores de rua foram cometidos no Distrito Federal (DF) e em Mato Grosso do Sul (MS). No DF, foram mortos, a tiros, dois moradores de rua, enquanto dormiam sob árvores na cidade de Taguatinga. No mesmo dia, em Campo Grande (MS), um morador de rua foi amarrado a uma árvore e teve 40% do corpo queimados. Ele está internado.
Há cerca de 15 dias, no DF, um comerciante contratou por R$ 100 um grupo de jovens para queimar dois homens que moravam em frente à sua loja. Uma das vítimas morreu e a outra ainda está internada em estado grave no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília.
A ministra disse à Agência Brasil que marcou reuniões com governadores de vários estados para tratar do assunto. “Agendamos com o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, e estamos em contato com os governadores, porque vários estados têm números que indicam morte e violência nas ruas".
Ao tomar conhecimento dos atentados, a SDH decidiu antecipar a reunião do Comitê de Monitoramento da População em Situação de Rua, que só iria se encontrar no fim do mês. “Tivemos uma reunião de trabalho hoje, vamos seguir com reuniões e quinta-feira (15) teremos uma reunião do Comitê de Monitoramento da População em Situação de Rua, com a participação dos ministérios, para apresentar uma série de propostas”, disse a ministra.
A pedido da SDH e do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fará um levantamento detalhado sobre as populações de rua em todo país. “Teremos a possibilidade, em 2012, de verificar um censo dessa população e as condições de vida, as carências e as necessidades [dos moradores de rua], que são grandes”.
Um levantamento feito por associações de catadores de lixo aponta que em 2011 ocorreram 142 mortes de moradores de rua. Em 2008, uma pesquisa coordenada pelo MDS indicou que existem 31,9 mil adultos morando nas ruas em 71 municípios com grande contingente populacional. Segundo o estudo, as pessoas acabam indo para as ruas pelo abuso do uso de álcool e drogas, pelo rompimento de vínculos parentescos, pelo desemprego e pela violência.
De acordo com Maria do Rosário, é necessário oferecer documentação para toda essa população. “Garantir os direitos e a dignidade dessa população é uma meta que temos. Essas pessoas estão contadas entre os 16 milhões de brasileiros que serão beneficiados pelo programa Brasil sem Miséria”.

Edição: Aécio Amado
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Luiz Manfredini: Soldado não tem medo da chuva



Do Portal Vermelho

Luiz Manfredini *

Nos anos em que passei no Colégio Militar de Curitiba – quando os colégios militares eram escolas e quartéis a um só tempo – entre o ginásio e o começo do científico (hoje segundo grau), ouvia de sargentos e oficiais uma frase recorrente: “Soldado não tem medo de chuva”.


Referia-se, a sentença, ao fato de não podermos usar guarda-chuvas, mesmo que o céu desabasse em aguaceiros. Devíamos enfrentar as chuvas – dos temporais de verão às entendidas chuvaradas de inverno – apenas envolvendo os quepes com um plástico apropriado, parte do uniforme. 

Mas sargentos, oficiais e mesmo professores iam além. A coragem do soldado não se restringia às chuvas, aplicava-se aos demais fenômenos atmosféricos e a tudo o que fosse na vida. Coragem, atributo visceral do soldado, coragem física, moral, intelectual. E assim nos formamos entre aulas, marchas e desfiles.

Acontecimentos recentes, no entanto, me inculcam dúvidas. Parece-me que o soldado, se ainda não teme a chuva – não vejo nenhum militar, entre os poucos que hoje em dia usam farda fora dos quartéis, valendo-se de guarda-chuvas – passou a temer a verdade. É o que se depreende das reações dos clubes militares às declarações das ministras Maria do Rosário e Eleonora Menicucci, que defenderam investigações sobre torturas cometidas durante a ditadura implantada em 1964. A nota emitida pelos clubes, e veiculada pela Internet no dia 16 de fevereiro, também criticou a presidente Dilma Roussef por não ter reagido àquelas declarações. 

O governo reagiu hierarquicamente. Afinal, a presidente é a comandante-em-chefe das Forças Armadas e esse pessoal que se reúne nos clubes do exército, aeronáutica e marinha, mesmo sendo da reserva, está submetido ao Estatuto Militar, sendo-lhe, portanto, vedado confrontar a autoridade. Diante disso, os presidentes dos clubes desautorizaram o texto que eles próprios haviam confeccionado. 

Mas a insubordinação não cessou. Dias depois, sob o agressivo título – quase uma declaração de guerra - Eles que venham, por que não passarão, novo manifesto confirmou a nota inicial dos presidentes dos clubes, agregando mais assinaturas. Eram cerca de 400 oficiais superiores signatários, fora os subalternos, no último dia cinco, número que provavelmente cresceu. Esses clubes, embora congreguem oficiais da reserva, também vocalizam sentimentos da caserna. 

A segunda nota foi veiculada num sítio mantido pela mulher do coronel reformado do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, o tenebroso chefe do Doi-Codi paulista nos anos 70, onde torturou presos políticos, segundo acusações que lhe são feitas. 

Todo esse alvoroço tem um motivo: a Comissão da Verdade, que começará a funcionar logo, levantando – embora sem poder julgá-los - os crimes da ditadura militar. Para os militares insubordinados, a comissão é “ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo". Em outras palavras: esses militares não querem sequer tocar no assunto. Negam-se, terminantemente, a assumir suas responsabilidades perante o País, a irrecusável responsabilidade de ter deposto um governo constitucional em março de 1964 e instalado em seu lugar uma ditadura que perseguiu, prendeu, torturou e matou. Argumentam com base numa lei de anistia concedida por eles próprios, numa conjuntura em que ainda dispunham de certo poder de fogo, justamente para isentar-se da punição pelos crimes que cometeram. Essa lei deve ser revista, como o fizeram, corajosamente, os argentinos.

A covardia desses setores beira à insanidade em sua terminante negativa do passado. Recentemente, em entrevista, o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva simplesmente negou que o jornalista Vladimir Herzog tenha sido trucidado na tortura, o mesmo ocorrendo em relação à atual presidente Dilma Roussef, para citar apenas dois casos mais emblemáticos em que esses militares fazem de conta que não aconteceu nada. 

A Comissão da Verdade, logo que comece a funcionar, vai enfrentar essa resistência insana dos covardes. É preciso reagir a isso. A sociedade brasileira, que aspira conhecer seu passado, colocá-lo em pratos limpos para seguir em paz sua rota de desenvolvimento, democracia e progresso social, precisa se manifestar, cercar e neutralizar essas ilhas de reação e obscurantismo. É luta política de largo alcance. Mas irrecusável.

As forças armadas – indispensáveis, é bom que se diga, em qualquer nação soberana – só se desgastam com tal espetáculo de fuga à responsabilidade, de acabrunhante ausência de bravura. Afinal, o soldado não deve ser corajoso apenas em relação à chuva. Deve sê-lo, sobretudo, diante da história e da sociedade da qual é fruto e à qual deve servir.



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http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=4605&id_coluna=66

domingo, 11 de março de 2012

Vídeo com musiquinha do Serra: Serra é do bem, do bem rico, do bem ganancioso, do bem caro



Serra é do bem, do bem rico, 
do bem ganancioso, do bem caro



Serra é do bem, do bem estagnado,
do bem inflacionado, do bem desempregado
Serra é do bem pra quem?

O Serra abandonou a Prefeitura de São Paulo
Escapoliu pra governador (verdade?)
Chegando lá, fugiu também
Esse tal de Serra não trabalha pra ninguém
Só dá pedágio caro e porrada em professor
Presidente? Não, senhor!

Cuidado minha gente que lá vem o Zé Promessa
O Zé do Bico, o Zé Conversa
Mas o Serra não me engana, não
Esse Serra não dá bola pra população
Quando tava no governo
Não fez nada pro povão



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Major-brigadeiro da Aeronáutica defende punição aos torturadores da ditadura



O Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, de 92 anos, participou de 94 missões de guerra na Itália. Em petição, ele pede punição de militares que praticaram crimes durante a ditadura

ANGELA PINHO

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O Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, de 92 anos, participou de 94 missões de guerra na Itália. Em petição, ele pede punição de militares que praticaram crimes durante a ditadura (Foto: Stefano Martini)
Comissão da Verdade aprovada pelo Congresso é uma novidade positiva para esclarecer o passado, mas é fundamental punir quem torturou e matou durante a ditadura militar. Mais: é “burrice” das Forças Armadas defender o contrário, já que a maior parte dos que fazem parte delas hoje não participou das violações de direitos humanos. As opiniões não são de nenhum militante de esquerda ou familiar de morto ou desaparecido político. São de um militar da Força Aérea Brasileira (FAB), detentor da segunda maior patente da Aeronáutica e herói da Segunda Guerra Mundial.
Maranhense radicado no Rio de Janeiro, o Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, 92 anos, participou de 94 missões de guerra na Itália. Ele não gosta de se definir nem como de esquerda nem como de direita, mas como um democrata. Em 1964, foi um dos poucos militares a resistir ao golpe que deu início a 21 anos de ditadura. No dia 31 de março, pegou um avião e foi localizar as tropas que o general Olympio Mourão Filho guiava de Minas Gerais para derrubar o presidente João Goulart, no Rio de Janeiro. Chegou a fazer alguns voos rasantes sobre as tropas de Mourão. Sem autorização para atirar, voltou para a base de Santa Cruz, no Rio. Cassado, passou cerca de quatro meses preso e ficou proibido de voar por mais de 17 anos.
Com a volta da democracia, Moreira Lima retornou à Aeronáutica. No fim dos anos 70, fundou Associação Democrática e Nacionalista de Militares, entidade que luta pelos direitos de cabos cassados durante a ditadura e defende posições que destoam das que são comumente defendidas por seus colegas de Forças Armadas. Como presidente da entidade, protocolou uma petição para que o Supremo Tribunal Federal mudasse a interpretação da Lei da Anistia, de 1979. No documento, ele advoga pela punição de militares que praticaram crimes durante a ditadura. O STF acabou decidindo manter a interpretação que perdoa as violações ocorridas entre 1964 e 1985.
Amigo do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, e frequentador dos eventos promovidos pela FAB, Moreira Lima finaliza a tradução para o inglês de seu livro Senta a Pua!, que narra a expedição da Força Expedicionária Brasileira na Itália. Hit them hard! tem previsão de ser lançado ainda neste ano.

Época - Como surgiu a ideia de fundar uma associação de militares para a democracia?
Rui Moreira Lima –
 Foi em 1979, quando veio a anistia do Figueiredo (João Figueiredo, presidente entre 1979 e 1985). Eu e outros colegas que foram impedidos de trabalhar queríamos garantir os nossos direitos. Quando o Figueiredo anistiou aqueles torturadores, ele cometeu um erro. Qual a lei que pode ajudar um torturador? No mundo inteiro, por meio de diversas convenções, da OEA, ninguém atura a covardia do torturador. É um bandido, um desgraçado, um covarde.
Época - O senhor defende a punição de quem praticou crimes na ditadura?
Lima -
 Em 1964, me tiraram da Aeronáutica e me proibiram de voar, que era o que eu sabia fazer. Fiquei 17 anos sem poder voar. Fui vender fubá, grão de bico, farinha. O meu retrato estava na base aérea de Santa Cruz (no Rio de Janeiro) para eu ser preso se entrasse lá. Hoje a FAB me estende tapete vermelho, é a minha casa. Mas alguns poucos caras da FAB fizeram isso comigo e eles deveriam pagar por isso.
Época - A Argentina recentemente condenou na Justiça diversos militares por crimes ocorridos durante a ditadura militar do país. O Brasil deveria fazer o mesmo?
Lima - 
Devia. Isso é fazer justiça. O Figueiredo era um comandante, um homem de cavalaria, mas era soldado, não entendia nada disso. Deu anistia para quem torturou. Não pode fazer isso. A Justiça é uma coisa séria.

Lima -
 Não, todos me tratam muito bem, mesmo. O brigadeiro Saito (Juniti Saito, comandante da Aeronáutica) é amigo meu, é uma pessoa dócil, boa. Sou convidado para diversos eventos. Sou membro do Conselho Cultural da Aeronáutica. Considero a Aeronáutica a minha casa. Nem deveria, mas sou tido lá como um sujeito fora de série.Época - A maior parte das Forças Armadas se posiciona contra a punição de militares envolvidos em crimes durante a ditadura. Existe algum constrangimento quando o sr. defende esse posicionamento na instituição?
Época - E por que a maior parte das Forças Armadas é contra rever a lei da anistia?
Lima -
 Por burrice, corporativismo burro. O mundo inteiro está acabando com isso. Estão mandando os torturadores e matadores para a cadeia. Eu não sou revanchista. Não tem revanche nenhuma. O camarada que não tem nada com isso não tem culpa.
Época - Rever a Lei da Anistia não vai reabrir uma ferida, como dizem os defensores da atual legislação?
Lima -
 Eu espero que abra uma porta. Não é possível esconder a verdade. Tem muitos companheiros do Exército e da Aeronáutica que não estão de acordo com isso. Não dizem por causa do tal do corporativismo. Mas isso cedo ou tarde vai vir à tona.
Época - O que o senhor acha da Comissão da Verdade, recém-aprovada?
Lima -
 Ela tem que estar presente. Mas ela é comissão da Verdade, tem que ser de verdade. Eu estou na expectativa. A Comissão da Verdade é obrigatória. Ela tem que dizer quem fez as coisas. E aí quem fez tem que pagar uma prenda por causa disso. Botar o sujeito na cadeia se for o caso.
Época - Mas a ideia da comissão não é colocar ninguém na cadeia.
Lima -
 Não, a ideia é dizer onde estão os corpos. É um crime não mostrar onde o cara foi enterrado. A verdade tem que ser dita. Ela é feito a rolha, você pode botar ela no fundo do tanque, mas ela salta.
Época - Muitas vezes, quando questionados sobre os militantes que desapareceram durante a ditadura, os militares dizem que os documentos relativos ao período foram destruídos. O senhor acredita nisso?
Lima - 
Tem muita coisa que foi destruída mesmo. Mas só o fato de existir a comissão e de chamar os caras que estão vivos para falar já é um alento para as famílias que perderam parentes.
Época - Mas o senhor acha que a comissão pode obter resultados concretos?
Lima -
 Sim, eles podem saber onde estão as ossadas. Alguma evidência vai se conseguir. E aí acaba com isso. Porque quem fez isso (tortura e assassinato de militantes) não foi o Exército nem a Aeronáutica nem a Marinha. Foram sujeitos que nasceram ruins, mal caráteres, com ódio no coração e inveja.
Época - Esporadicamente, ouvem-se notícias de tortura em quartéis e de violações aos direitos humanos nas Forças Armadas. Na opinião do senhor, isso está ligado ao treinamento que era oferecido aos militares durante a ditadura?
Lima -
 Está ligado sim. Tem um sujeito, Dan Mitrione (americano que ensinou técnicas de tortura a militares brasileiros), que chegou a ter uma rua em Belo Horizonte como o nome dele. Depois mudaram para colocar o nome de um estudante morto. Eu conheço gente, colegas, que foram fazer estudos no Panamá. Sujeito que chegou na polícia do exército e fez tortura. Conhecidos, porque eu não fui amigo desses caras. Mas eles estavam soltos, absolutos, pensando que a revolução (a ditadura militar) ia durar eternamente.
Época - E o senhor acha que essa cultura permanece ainda hoje?
Lima -
 Olha, ninguém foi para a cadeia porque torturou e ninguém morreu por causa disso. 
Época - Quais são os principais desafios das Forças Armadas hoje?
Lima -
 Hoje as Forças Armadas estão fazendo o que devem fazer: defender a Amazônia, o mar, o Brasil.

Época - O senhor participou da Segunda Guerra Mundial e se recusou a participar do golpe de 1964. Que princípios guiaram sua carreira como militar?
Lima –
 Eu entrei nas Forças Armadas no dia 31 de março de 1939. Nesse dia, recebi uma carta de meu pai, juiz, em que ele dizia: “Sê um patriota verdadeiro e não te esqueças que a força somente deve ser empregada ao serviço do Direito. O povo desarmado merece o respeito das Forças Armadas”. Essa carta norteou toda a minha trajetória. Já me perguntaram se eu era comunista. Eu nunca fui comunista, eu fui brasileiro, fui defender o meu país e continuo defendendo. 
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