domingo, 4 de março de 2012

Corrupção: Demóstenes Torres sumiu da mídia


o DEMO  Demòstenes Torres


Por Altamiro Borges


Nenhuma manchete na Folha ou no Estadão. Nenhum comentário no Jornal Nacional da TV Globo. Nenhuma chamada de capa na Veja. Mistério! Será que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), assíduo freqüentador da mídia nativa, morreu ou encontra-se desaparecido? Como "paladino da ética", o líder dos demos não tem nada a falar sobre a Operação Monte Carlo da Polícia Federal?

Na quarta-feira passada (29), agentes da PF efetuaram a prisão de Carlos Augusto Ramos, o famoso Carlinhos Cachoeira. Um dos maiores mafiosos do país, o bicheiro explorava uma rede de caça-níqueis e de cassinos ilegais em cinco estados brasileiros. Apenas em Goiânia e Valparaíso, nas cercanias de Brasília, os seus cassinos rendiam cerca de R$ 3 milhões por mês.

As relações políticas do mafioso

Com base nos documentos apreendidos e em 200 horas de escutas telefônicas, a Operação Monte Castelo concluiu que Carlinhos Cachoeira possuía forte influência na política goiana. Ela mantinha jornalistas na sua folha de pagamento, contava com uma rede de espionagem ilegal e nomeou vários integrantes para a área de segurança (segurança!) do governo tucano de Marconi Perillo.

Além disso, os grampos autorizados pela Justiça revelaram várias conversas do mafioso com o “ético” Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado. De acordo com as investigações, em julho do ano passado Carlinhos Cachoeira deu um generoso presente de casamento para o senador goiano: uma cozinha completa. Há indícios também de financiamento ilegal de campanhas eleitorais.

O pitbull da Veja ficou mudo

Até agora, o demo só confessou a sua relação com o bicheiro. “Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”. Mas, pobre inocente, disse desconhecer suas práticas mafiosas. “Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”. O demo mais nada falou e sumiu!

A mídia venal, por sua vez, parece disposta a fazer o mesmo. Quer sumir com o escândalo, abafá-lo. Até quem vivia bajulando o líder do DEM está quieto. Reinaldo Azevedo, o pitbull da Veja, já chegou a exaltar “a coragem de Demóstenes” no combate à “corrupção lulopetista” e às forças de esquerda. Num texto recente, o metralha da mídia do esgoto escreveu:

“Rigor penal contra o crime”

“Admiro a sua atuação política, como sabem os leitores deste blog. Nem sempre concordo com ele. Mas sempre lhe reconheço a argumentação consistente e corajosa... Demóstenes afirma, e eu concordo, que um dos males do país são as oposições, muitas vezes, querem se parecer com o governo. Defende, entre outras tantas, maior rigor penal contra o crime...”.

Será que Reinaldo Azevedo vai defender agora “maior rigor penal contra o crime”, a começar pela cassação do mandato do demo?

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Ex-presidente Lula é internado em São Paulo com infecção pulmonar


Uma infecção pulmonar leve acometeu o ex-presidente Lula; segundo boletim médico, ele já está sendo medicado e deve permanecer em hospital nos próximos dias

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (66) foi internado em São Paulo, neste domingo, 4, com quadro de infecção pulmonar.
Segundo boletim médico do Sírio-Libanês, o ex-presidente chegou ao hospital após ter apresentado febre. Ainda de acordo com o comunicado, a infecção é leve, e os médicos já começaram o tratamento com administração endovenosa de antibióticos.
Lula deve permanecer em tratamento no hospital nos próximos dias. Em 17 de fevereiro, o ex-presidente concluiu um tratamento radio-quimioterápico contra um câncer na laringe diagnosticado no ano passado.

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Putin vence eleição na Rússia...Oposição alega fraude


Putin vence eleição na Rússia; rivais alegam fraude



Putin vence eleição na Rússia; rivais alegam fraude
Primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, vai enfrentar onda de protestos nesta segunda (Foto: Alexsey Druginyn/RIA Novosti/Pool/Reuters)
Moscou - O primeiro-ministro russo Vladimir Putin obteve hoje (4) uma retumbante vitória nas eleições presidenciais da Rússia, mostraram pesquisas de boca de urna. Com isso, assegura um novo mandato de seis anos para assumir o Kremlin e para lidar com os protestos de oposição, que após a votação acusou de ter sido fraudada.
Duas pesquisas de boca de urna da televisão, divulgadas após o término da votação, deram a previsão que o primeiro-ministro venceria com 59,3% e 58,3% dos votos, o que facilmente torna um segundo turno contra o candidato em segundo lugar desnecessário.
O seu rival mais próximo, o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, ficou abaixo de 20% em ambas as pesquisas. Zyuganov disse que seu partido não reconheceria os resultados oficiais da eleição, chamando-a de "ilegítima, desonesta e não transparente".
Putin descartou rapidamente as acusações de fraude, que serão repetidas pela oposição em protestos que começam na segunda-feira.
"Esta é a eleição mais limpa em toda a história da Rússia", disse o chefe da campanha de Putin, Stanislav Govorukhin. "As violações que nossos rivais e os opositores do presidente falarão agora são risíveis".
Os resultados oficiais da maior parte dos colégios eleitorais são esperados para segunda-feira.
Uma multidão enorme, em sua maioria de jovens apoiadores de Putin, se reuniu à noite em uma praça do lado de fora do Kremlin, acenando bandeiras russas.
Espera-se também que o ex-espião da KGB retorne ao Kremlin com duros discursos de luta contra o Ocidente, uma marca registrada de seu primeiro mandato como presidente e nas campanhas eleitorais. Economistas dizem que o principal teste da volta de Putin ao governo seria ver o quão longe ele estaria disposto a ir para reformar uma economia extremamente dependente em exportação de energia.
Os opositores do candidato eleito disseram que a votação em muitas partes do vasto país foram envieasadas para seu favor e juraram continuar com os maiores protestos vistos desde que ele chegou ao poder, há 12 anos.
"Nós não consideramos estas eleições legítimas", disse um dos líderes dos protestos de oposição, Vladimir Ryzhkov, que planeja um novo comício contra Putin em Moscou na segunda-feira.
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Militares golpistas se assanham:Manifesto de militares com críticas a Dilma soma 647 assinaturas
























Amorim com os comandantes das Forças Armadas















Números são do site "Verdade Sufocada". Protesto teve início 
após declarações
 de ministras contra a ditadura





Subiu de 98 para 647 o total de assinaturas do manifesto de militares
 da reserva com críticas à presidenta Dilma Rousseff sobre uma 
suposta mudança de postura política do governo federal em relação ao
 período da ditadura militar (1964-1964). O caso provocou um desconforto
 entre o Palácio do Planalto e o comando das Forças Armadas nas últimas 
semanas.
Os números do manifesto são do site “A Verdade Sufocada”. A publicação 
afirma que assinam o documento 61 generais, um desembargador, 258 
coronéis, 55 tenentes-coronéis, 11 majores, 17 capitães, 20 tenentes, 15 
subtenentes, 15 sargentos, dois cabos, um soldado. Mais 191 civis também
 apoiam a iniciativa, segundo o site.
No manifesto, Dilma é criticada por permitir que ministros do governo façam
 declarações contra militares. “Ao completar o primeiro ano do mandato, 
paulatinamente vê-se a Presidente afastando-se das premissas por ela
 mesma estipuladas. Parece que a preocupação em governar para uma 
parcela da população sobrepuja-se ao desejo de atender aos interesses
 de todos os brasileiros”, diz o texto na sua abertura.
Responsável por divulgar o manifesto, o site “Verdade Sufocada” é mantido
 por Maria Joseita Ustra, mulher de Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ex-chefe 
do DOI-Codi (órgão de repressão do Exército), ele é acusado na Justiça por
 ter praticado tortura em presos políticos durante a ditadura militar. Ustra nega.
Sob o título “Alerta à Nação - eles que venham, por aqui não passarão”, o 
manifesto foi publicado incialmente no site do Clube Militar no dia 16 de fevereiro. 
O objetivo era cobrar de Dilma uma postura contrária a declarações das ministras
 Maria do Rosário (Secretaria de Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci 
(Secretaria Especial de Políticas das Mulheres) sobre a ditadura.
Maria do Rosário defendeu que familiares de perseguidos políticos ingressassem
 com ações na Justiça contra militares. Já Eleonora Menicucci lembrou seu 
passado de luta armada na cerimônia em que foi empossada ministra. Para 
os militares da reserva, Dilma deveria censurar publicamente o posicionamento
das auxiliares
“Os Clubes Militares expressam a preocupação com as manifestações de ]
auxiliares da presidente sem que ela, como a mandatária maior da nação,
 venha a público expressar desacordo com a posição assumida por eles e 
pelo partido ao qual é filiada e aguardam com expectativa positiva a postura 
de Presidente de todos os brasileiros e não de minorias sectárias ou de 
partidos políticos”, afirma o texto.
Dilma não gostou das críticas, segundo palacianos. O ministro da Defesa, 
Celso Amorim, pressionou o comando das Forças Armadas a fim de que o
 texto fosse retirado do site. Por meio de nota, o presidente do Clube Militar, 
general Renato Cesar Tibau da Costa, admitiu ter conversado com o 
comandante do Exército, mas negou ter sido pressionado.
“Houve uma conversa sobre o assunto, sem pressões, como acontece entre 
camaradas unidos pelo mesmo ideal”, afirma Tibau da Costa na nota. “A retirada
do documento da página do Clube não significou recuo nem que se desistiu 
de lutar, mantendo as tradições de 125 anos da “Casa da República”, que j
amais serão maculadas”, completa.
Depois que o texto foi retirado do site do Clube Militar, o movimento ganhou 
mais adesões e passou a desafiar o ministro Celso Amorim.
“Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no 
site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e dele 
retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem 
do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade 
ou legitimidade para fazê-lo”, diz o texto
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Eleições na Rússia : O Partido Comunista ganha força na Rússia


O PC ganha força na Rússia

Diante de um quadro de incertezase insatisfações na Rússia de hoje, longe de estar morto e sepultado, o velho PartidoComunista dá sinais de vida, surpreende ao conquistar uma expressiva quantidadede votos nas últimas eleições parlamentares e se afirma como principal frentede oposição à, até então soberana, Rússia Unida, do todo poderoso primeiro-ministro Vladimir Putin.
Leia a seguir o texto de VivianOswald, que ilustra bem a situação atual da Rússia.
O PC ganha força na Rússia
Velhos comunistas ressurgem na Rússia
Fortalecimento do PCmostra insatisfação e sentimentos contraditórios em relação à situaçãoatual do país
Um mês antes da eleição que fez oPartido Comunista da Federação Russa (KPRF, em russo) praticamenteressurgir das cinzas, a tradicional Praça Pushkin, na capital, amanheceucercada de policiais. Eles vigiavam a manifestação marcada para aquelesábado frio, em que os comunistas iam se aglomerando. A julgar pelas 300pessoas ali reunidas, ninguém imaginaria que 20 anos após a desintegração daUnião Soviética, os velhos comunistas voltariam a se destacar nas urnas,com 20%dos votos para a Câmara baixa, e nas ruas, como uma das principaispartes envolvidas nos protestos contra o governo. Eles seconverteram, na prática, naprincipal força opositora ao poderosoprimeiro-ministro Vladimir Putin. Os comunistas, a nostalgia e a insatisfaçãoque cercam a Rússia atual são o tema da primeira reportagem de umasérie que O GLOBO publica nesta semana mostrandoos desafios enfrentadospelo país duas décadas depois do anúncio, em 25 de dezembro de 1991,de que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS, não existia mais.
Os comunistas surpreenderam os institutos de pesquisa de opinião e o próprioKremlin, que sempre tratou o partido como uma espécie deoposição domesticada e inofensiva. Mas com um discurso que prega a voltada URSS, eles começam a incomodar. Mais do que num projeto de retornoao passado os russos votaram nos comunistas em um sinal de protesto.
- Eu e todos os meus amigos votamos neles. São os únicos que ainda conseguemjuntar um número significativo de votos. É a nossa forma de dizer não ao queestá aí — disse ao GLOBO o professor universitário Boris Andreevitch.
O público jovem na praça ainda era minguado. Russos de mais idade,soviéticos pela maneira de pensar e de vestir, carregavam medalhas econdecorações da época do regime. A grande bandeira vermelha com afoice e o martelo só não convencia o transeunte de uma volta aopassado por destoar dos anúncios capitalistas.
Até as eleições de 4 de dezembro, os comunistas eram praticamente o único grupoa ter permissão para realizar os seus encontros nas praças da cidade.Resta saber se terão agora o mesmo tratamento. Após os resultados, o pleitopara presidente, em março próximo, promete um pouco mais de emoção, emboratodos considerem que já esteja ganho por Putin.
Mais uma vez, o eterno líder do PC, Gennady Andreevitch Ziuganov,disputará as eleições presidenciais. Será sua quarta tentativa. Mas aos 67anos, Ziuganov não soube se reinventar. Com um discurso antiquado, oex-professor de matemática é considerado pouco carismático e poucoespontâneo ao falar em público. O candidato, no entanto, desta vez pode sebeneficiar do descontentamento das ruas.
- Eu e meus amigos vamos votar nele para protestar, mas ele não é a caradaRússia - disse a escritora Maria Polytaeva.
Os comunistas tomam o microfone e interrompem as velhas marchas para se queixarda atual situação econômica. O fato é que o fim da União Soviética despertasentimentos contraditórios. Enquanto uns acreditam que há motivos paracomemorar sua desintegração, outros não escondem o desânimo e admitem sentirfalta da velha URSS, ou, pelo menos, das garantias que o Estado socialistaoferecia, ainda que o preço a se pagar pelo benefício tenha sido alto. Cercade 28% da população gostariam de voltar atrás e reconstruir a União Soviética,segundo a pesquisa do instituto VTsIOM.
- Há muita nostalgia, mas todos sabem que não é possível voltar atrás. Os maisnovos nem sabem o que era. A juventude é alienada e apolítica. Só quer saber deganhar dinheiro. Antes, os jovens queriam ser astronautas, sociólogos, físicos.Hoje, só querem ser businessmen, banqueiros e financistas — disse IgorFescinenko, 79 anos, repórter de TV na União Soviética, hoje consultore professor.
A insatisfação está relacionada ao fato de que a economia e a vida políticapassaram a andar em círculos. Nem mesmo após uma década crescendo a umamédia de 7% ao ano, o país conseguiu reduzir a suadependência do petróleo. Para o último exvice- premier da URSS,Vladimir Scherbakov, hoje presidente da União dos Industriaisda Rússia, o país mudou para melhor:
- A Rússia entrou para a economia global. Podemos encontrar detudo aqui. Se compararmos a evolução do saláriomédio na Rússia e nas outras ex-repúblicas, vemos que houveum incremento importante, praticamente dobrou.
Outros afirmam que os ganhos limitam-se ao consumo.
- O que adianta ter tudo, se não tenho dinheiro para comprar nada? —reclama a funcionária pública Natalia Borisovna.
Parte dos russos vê naquele 25 de dezembro de 1991 o mesmo que Putinchamou de “uma grande catástrofe geopolítica”. Da União Soviética àatual Rússia, há uma diferença de cinco milhões de quilômetros quadrados —território dos outros 14 países que nasceram pós-desintegração - oequivalente a duas Argentinas. A sensação geral é de perda de território, amaior da História contemporânea.
Desigualdade em alta e lugar na lanterna entre os Brics
Poucos comemoram a data. A agência Itar-Tass faz uma silenciosa homenagem comfotos na entrada do prédio, atraindo um ou outropedestre. Na Biblioteca Lênin, escondida em umcorredor do terceiro andar, há uma exibição com fotos-legendas quecontam a história da instituição no período de 1917 a 1991.
Em geral, só os oposicionistas falam abertamente no assunto. Nosite do PC, há um manifesto e um cartaz sobre os “20 anos sem aURSS”. Em um dos textos, o grupo diz que estas duas décadas foram, paraa Rússia, “um caminho de dificuldades sem fim”. “Agora, às nossasdificuldades se soma a crise econômica mundial. Quanto tempoa Rússia ainda vai precisar para resolver os seus profundosproblemas?”, pergunta o texto.
A estabilidade econômica pós-década de 90 é o que vem sustentando asituação. Mas os salários dos aposentados não acompanharam a bonança.Tampouco o fizeram a saúde e a educação, que perderam em qualidade e têmobrigado os russos a desembolsar cada vez mais por algo que supostamentedeveria ser gratuito. Em 2008, logo após a crise financeira global, o país aindaconseguiu crescer 5,2%, mas despencou 7,9% em 2009,ficando na lanterna dos Brics (os emergentesBrasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Voltou acrescer 4% em 2010, mas continuou sem se modernizar.
As desigualdades nesse país que tanto pregou o socialismo também vêm crescendo.Os 120 mil milionários estão cada vez mais distantes da camada mais pobre dapopulação. Tudo isso justifica o clima de insatisfação,manifestado nas urnas no último domingo, com aredução do apoio ao partido Rússia Unida, de Putin, e oindício de que a campanha para sua volta à Presidência não será tranquila.
http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/selecao-diaria-de-noticias/midias-nacionais/brasil/o-globo/2011/12/11/velhos-comunistas-ressurgem-na-russia
http://oglobo.globo.com/mundo/fortalecimento-do-pc-mostra-insatisfacao-na-atual-russia-3426258
http://pt-br.paperblog.com/o-pc-ganha-forca-na-russia-359558/
carlos maia   wwwblogdocarlosmaia.blogspot.com

Eleições na Rússia:Candidato comunista, Ziuganov exalta Stalin e ideais soviéticos


France Press

O candidato comunista à eleição presidencial deste domingo, Guennadi Ziuganov --um ex-apparatchik [membro do aparato comunista] soviético que exalta Stalin, mas que reza diante de um líder ortodoxo-- é o chefe de um partido de oposição que nunca incomodou verdadeiramente o poder de Vladimir Putin.
Aos 67 anos, alto e de voz grave, com um discurso repleto de 'lugares comuns' soviéticos, ele realizou a sua quarta campanha presidencial.
Em 1996, perdeu pela primeira vez para Boris Ieltsin, já debilitado, e desde então arrasta uma imagem de "eterno segundo", o que não o impede de voltar a se candidatar à Presidência e dirigir o Partido Comunista da Rússia, que preside desde sua fundação, em 1990.
Ele afirma, no entanto, que desta vez tem boas chances de ganhar de Putin, que foi alvo, nos três últimos meses, de contestação sem precedentes desde que chegou ao poder, em 2000.
O PC melhorou seus resultados nas legislativas de dezembro graças aos votos de protesto contra o partido de Putin, Rússia Unida.
Como a oposição liberal, Ziuganov denunciou as fraudes eleitorais nas legislativas de dezembro.
Mas, assim como os partidários de Putin, o líder comunista ataca nas manifestações da oposição o risco da "peste laranja", em referência à "revolução laranja", um levante pacífico contra as fraudes eleitorais que em 2004 levou ao poder os pró-ocidentais na Ucrânia.
O chefe do PC critica os ministros "incompetentes", mas nunca diretamente Vladimir Putin.
"Ziuganov é um opositor em um sistema em que toda a oposição deve ser autorizada pelo poder. Ao mesmo tempo, para manter seus apoios, não deve se comportar como se fizesse parte do regime", explicou o cientista político Yuri Korguniuk, da fundação Indem.
Seu apego aos ideais da URSS --um Estado decididamente antirreligioso-- não impediu este ex-professor de matemática e responsável pela ideologia do partido no período soviético de se inclinar diante de uma relíquia ortodoxa para "levar bem, com fé, a campanha eleitoral".
Em um folheto distribuído no âmbito de sua campanha, Ziuganov dedica vários capítulos a Lênin, "um gênio patriota cujas ideias são atuais na Rússia de hoje diante da ameaça da globalização à americana".
"Mais da metade dos russos considera Stalin uma grande personalidade. É vantajoso para Ziuganov (glorificá-lo), para não perder seu eleitorado", ressaltou o cientista político Vladimir Pribylovski, do centro de estudos políticos Panorama.
Mas para Yuri Korguniuk, da fundação Indem, "ao explorar a imagem de Stalin, o PC se meteu em uma armadilha", o que o impede de se converter em um partido social-democrata moderno.
"Esta questão será, sem dúvida, solucionada depois que Ziuganov sair", destacou Nikolai Petrov, do centro Carnegie de Moscou.
Segundo o analista, Ziuganov, dirigente inconteste do PC russo, é "um problema para o partido" que "tem uma rede muito desenvolvida, com fortes células regionais e que conta em suas filas com muitas figuras proeminentes, jovens, cientistas...".
"O partido é apoiado pelos que estão descontentes com a queda da ciência, da indústria ou do sistema de saúde pública, ou pelos jovens, que reagem diante da injustiça social, da corrupção e do cinismo do poder", concluiu o analista.
Em seu programa eleitoral, Ziuganov promete restabelecer a educação e a saúde gratuitas, fazer a indústria renascer e nacionalizar os recursos e os setores econômicos chaves

http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=405483
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