quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ateísmo, orgulho e preconceito



Carlos Pompe *

 



Informações sobre o Encontro: http://www.ena.sociedaderacionalista.org/



O ateísmo tem andado em pauta. Brasileiros e brasileiras realizam, no próximo dia 12, domingo, o 1º Encontro Nacional de Ateus, em 25 cidades espalhadas por 23 unidades da federação. Na Europa, o filósofo e escritor suíço Alain de Botton propôs a construção de uma espécie de templo ateísta, com mais de 45 metros de altura, no coração financeiro de Londres. A proposta foi criticada por Richard Dawkins, o mais conhecido ativista do materialismo na atualidade.

Os ateus brasileiros articularam as manifestações do dia 12 a partir das mídias sociais e, naturalmente, não sabem o resultado que terão. Também desconhecem se contarão com a repercussão da convocação e do evento na mídia monopolista, sempre pronta a estardalhaçar qualquer murmúrio direitista, conservador ou oposicionista ao governo federal postado na rede.

A data é uma referência ao aniversário de nascimento de Charles Darwin, a quem Karl Marx enviou um exemplar d´O Capital, manifestando sua admiração pelo biólogo, e a quem Friedrich Engels se referiu como o homem que descobriu “a lei do desenvolvimento dos organismos naturais”, assim como Marx descobriu “a lei do desenvolvimento da História humana”.

Para os organizadores do Encontro, o importante é colocar o ateísmo em discussão, na sociedade e na imprensa, refletir e fazer refletir, falar com amigos e enviar emails, lembrar que o ateu não está sozinho. Porém, se aplicado ao censo de 2010 levantamento anterior do IBGE sobre ateus e agnósticos (2% da população), somos apenas 3,8 milhões dos 190,7 milhões de brasileiros.

Já o templo londrino consagrado (!) ao ateísmo é, na verdade, uma contraposição que Alain de Botton quer fazer à militância ateísta, que ele acha destrutiva, de Richard Dawkins. O suíço considera que seu templo “poderia significar um templo ao amor, amizade, tranquilidade e perspectiva”. O britânico Dawkins redarguiu: "Ateus não precisam de templos. Eu acho que há formas melhores de se gastar este tipo de dinheiro. Se você vai gastar dinheiro com ateísmo, você poderia melhorar a educação secular e construir escolas não-religiosas que ensinam pensamentos racionais, céticos e críticos."

O debate mostra que o fato de não acreditar em deuses e outros mitos não corresponde a uma unidade de pensamento ou de projeto social e político. Poucos ateus, por exemplo, colocam-se na perspectiva marxista, que incorpora a luta de ideias e econômica à luta política classista, por um novo tipo de sociedade, socialista, em que os religiosos e as religiões não são criminalizados, mas também não gozam das benesses estatais.

Iniciativas como o encontro de ateus, no dia 12, reforçam a discussão democrática sobre a religião – tema anatematizado por alguns, que consideram uma manifestação de sectarismo e hostilidade para com os religiosos o simples fato de ser pautado. Num país em que os nomes mais usados pela população têm origem bíblica (Maria, 13.356.965; José, 7.781,515; João, 2.988.744; Paulo, 1.416.768; Pedro, 995,254 – levantamento feito pela proScore, a partir dos 165 milhões de Cadastros de Pessoas Físicas), o Partido Comunista do Brasil, que em seu Estatuto afirma guiar-se “pela teoria científica e revolucionária elaborada por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e outros revolucionários marxistas”, defende, desde sua primeira participação numa Constituinte, em 1946, o Estado laico e a mais ampla liberdade religiosa. Sintoniza-se, assim, com o sentimento do povo, mas sem abster-se de divulgar sua visão de mundo, dialética e materialista.

Encontre-mo-nos, ateus ou não, também no twitter: @Carlopo



* Jornalista e curioso do mundo.


www.blogdocarlosmaia.blogspot.com   Carlos Maia

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Vídeo: Diferente do que diz o PIG (Partido da Imprensa Golpista), Dilma não está privatizando aeroportos




Para os fundamentalistas de plantão: Dilma não mudou de lado ainda. Era e é favorável ao modelo que dá certo: Concessão com "marco regulatório". Diferente do que foi feito com a RFFSA, que acumulou um prejuízo de quase R$ 15 bilhões desde a privataria.
A propósito: o governo mantém PODER DE VETO! Ou seja, quem manda na prática é o governo.
www.blogdocarlosmaia.blogspot.com                  Carlos Maia

Vídeo:Diferente do que diz o PIG (Partido da Imprensa Golpista), Dilma não está privatizando aeroportos


Para os fundamentalistas de plantão: Dilma não mudou de lado ainda. Era e é favorável ao modelo que dá certo: Concessão com "marco regulatório". Diferente do que foi feito com a RFFSA, que acumulou um prejuízo de quase R$ 15 bilhões desde a privataria.
A propósito: o governo mantém PODER DE VETO! Ou seja, quem manda na prática é o governo.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Greve da PM :"Imaginem se manifestantes armados ocupam o Congresso"


Senadora: "Imaginem se manifestantes armados ocupam o Congresso"

Bob Fernandes, na Terra Magazine
A senadora Lídice da Mata (PSB), ex-prefeita de Salvador, esteve até há pouco nas imediações da Assembleia Legislativa da Bahia, onde cerca de 300 PMs se encontram acantonados em greve. Na manhã desta segunda-feira (6), mil oficiais do Exército e das Forças Especiais da Polícia Federal cercaram o prédio. Atrás deles, estão homens que podem ser manifestantes ou policiais à paisana. Em telefonema a Terra Magazine, a senadora descreve o que vê e indaga:
- Estão, propositadamente, querendo ideologizar o debate e informar errado. O que se vê é um absurdo sob todos os pontos de vista (...) Imaginem se manifestantes armados, como é o caso, ocupam o Congresso Nacional para negociar? Ainda mais sendo policiais, agentes da lei, encarregados de defender a sociedade. É isso que está acontecendo na Bahia.
A seguir, a conversa.

A senadora Lídice da Mata, do PSB da Bahia (foto: Divulgação)
Terra Magazine - Senadora, a senhora está nas proximidades da Assembleia Legislativa, onde estão os PMs em greve? A senhora negociou com eles?
Lídice da Mata - Participei de negociações com mediadores, inclusive com gente que foi ou é da corporação. Não é verdade que o governo Jaques Wagner não está negociando. O que não pode haver é negociação com homens que são policiais e que estão armados. Não existe, na Constituição, nenhuma hipótese de se negociar reivindicações, sejam elas justas ou injustas, com quem usa armas. No caso, com quem usou armas para tomar ônibus, apavorar motoristas e moradores da cidade.
Temos a informação de que governadores conversam entre si e avaliam que a PEC 300 - como é conhecido o Projeto de Emenda Constitucional que estabelece um piso salarial mínimo para policiais militares e civis e bombeiros de todo o Brasil - seria pano de fundo para esse movimento.
É claro que há uma articulação nacional, essa não é uma greve isolada, ela já aconteceu no Ceará - na virada do ano - e também no Maranhão. Estiveram aqui na cidade e se reuniram com os grevistas pessoas ligadas a essa articulação nacional em torno da PEC 300...
...A senhora veio do PCdoB, está no PSB, foi líder estudantil e movimentos sociais já ocuparam instalações aí mesmo na Bahia.
A diferença é gigantesca. Jamais nenhum desses movimentos portou armas e ocupou instalações ou o que quer que seja com armas na cabeça das pessoas. Esse não é um movimento trabalhista, não é de professores, médicos, nem mesmo do MST - já que tem gente fazendo essa comparação. O MST, quando ocupou a Assembleia Legislativa aqui, não tinha armas nas mãos.
O que está acontecendo...
...Há um problema além do problema em si. Tem que ser dito com clareza o que está acontecendo aqui. Esse não é o momento de se criar confusão e uso ideológico para se obter dividendos, porque o que acontece aqui é muito grave e pode se alastrar. Não se nega a legalidade que qualquer reivindicação seja justa ou injusta, mas é impossível concordar com quem quer negociar com armas na mão. Imaginem se manifestantes armados, como é o caso, ocupam o Congresso Nacional para negociar? Ainda mais sendo policiais, agentes da lei, encarregados de defender a sociedade. É isso que está acontecendo na Bahia.
www.blogdocarlosmaia.blogspot.com    Carlos Maia

Morador do Pinheirinho espancado por PMs está em coma na UTI


Morador do Pinheirinho espancado por PMs está em coma na UTI

por Conceição Lemes
Localizada mais uma vítima da violência policial na reintegração de posse do Pinheirinho, ocorrida no dia 22 de janeiro.
É o aposentado Ivo Teles dos Santos, 69 anos (14/02/1942), natural de Ilhéus (BA), RG 27106829-2, que morava sozinho no Pinheirinho, numa região chamada Cracolândia.
Ele  está em coma,  entubado, na UTI do Hospital Municipal de São José dos Campos, desde o dia 22 de janeiro.
“O senhor Ivo foi espancado por policiais militares no dia da reintegração de posse”, denuncia Renato Simões, conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), onde representa o movimento nacional de direitos humanos. “Várias testemunhas viram-no  ser espancado, depois ser levado para dentro do Pinheirinho.”
Neste sábado à tarde, 4 de fevereiro, Renato Simões, o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) e Antonio Donizete Ferreira, conhecido como Toninho e um dos advogados dos ex-moradores do Pinheirinho, estiveram na UTI do Hospital Municipal de São José dos Campos, onde comprovaram que Ivo está lá mesmo.
Eles, o defensor público Jairo Salvador, os vereadores Amelia Naomi e Tonhão Dutra  e Aristeu Neto, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-São José dos Campos,  conversaram com dona Osorina Ferreira de Souza (na foto abaixo, de vestido rosa, bolsa cinza) com quem o aposentado viveu durante muitos anos. Ela também morava no Pinheirinho.
“A dona Osorina desmaiou no dia da desocupação, foi parar no pronto-socorro”, prossegue Simões. “Só no dia 23, quando foi levada para um dos abrigos da Prefeitura, ela soube que o ex-companheiro tinha sido espancado. Como é muito doente, não teve condições de procurá-lo. Outro ex-morador do Pinheirinho tentou fazer isso por ela, mas não obteve sucesso.”
No dia 27 de janeiro, ele foi incluído na lista dos desaparecidos. Mas, apenas nessa sexta-feira, 3 de fevereiro, depois de peregrinar por diversos lugares, dona Osorina descobriu o paradeiro do ex-companheiro. Como é sua procuradora, foi ao posto da Previdência Social na cidade. Lá foi orientada a procurar o Hospital Municipal da cidade, onde finalmente o encontrou.
“Por volta das 16 h deste sábado, nós pedimos ao hospital o Boletim de Atendimento de Urgência (BAU), que é onde está relatado como Ivo chegou lá, a direção nos negou”, revela Simões. “Disse que só sob ordem judicial.”
Depois de quase três horas de canseira – mais exatamente às 18h50 – o hospital entregou apenas um relatório assinado pelo médico de plantão, doutor Luis Carlos Nacácio e Silva, CRM 70-867. O relatório (imagem abaixo) informa que o senhor Ivo teria dado entrada no hospital no dia 22 de janeiro, às 18h30, com “quadro confusional e  crise hipertensiva”; a “tomografia de crânio evidenciou AVCH (acidente vascular cerebral hemorrágico)”.
“Nós não aceitamos esse relatório, queremos o BAU, que descreve as agressões sofridas  pelo ex-morador do Pinheirinho”, avisa Simões. “No final da tarde, um policial entrou na UTI, perguntando pelo prontuário do Ivo.”
Neste sábado, integrantes do Condepe, da Defensoria Pública do Estado, da Comissão de Direitos Humanos da OAB-São de José, o deputado Adriano Diogo (presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa) e os vereadores Tonhão Dutra, Amélia Naomi e  Wagner Balieiro ficaram horas no hospital.  Eles exigem que o seu administrador, Marcelo Guerra, entregue o BAU.
A recusa do Hospital Municipal, administrado pela OSs SPDM, foi justificada como interferência direta de Danilo Stanzanni,  Secretário da Saúde de São José.
Caso a sonegação de informações permaneça, as entidades e parlamentares irão registrar boletim de ocorrência na polícia local. A reportagem abaixo, publicada no O Vale, no dia 23 de janeiro, irá junto.
Será que o doutor Nicácio e Silva depois de ler essa matéria de O Vale manteria o seu relatório?
Será que ele sabia  que o paciente  foi hospitalizado com traumatismos?
Por que não fez qualquer menção no relatório, já que descreve o quadro do aposentado ao dar entrada na emergência?
Supondo que, coincidentemente, o senhor Ivo tenha tido também um AVCH, por que “ignorar” os machucados no relatório, afinal compõem o quadro completo do doente?
Até que ponto a violência sofrida  não contribuiu para elevar a pressão arterial do senhor Ivo, favorecendo o acidente vascular cerebral? A hipertensão arterial é um fatores de risco para AVC e ele era hipertenso.
Se não há nada esconder, por que o secretário da Saúde de São José dos Campos interferiu para que o BAU não fosse fornecido à comissão de entidades e parlamentares que o estão requisitando?
Será que o doutor Nicácio deixaria de reportar os traumatismos do senhor Ivo se fosse chamado a prestar esclarecimentos no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)?
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